Ayla narrando Acordei com o coração apertado, como se tivesse esquecido alguma coisa importante no meio do sonho. O barraco ainda estava silencioso, só o barulho distante do morro acordando devagar, um rádio tocando longe, passos apressados, uma moto subindo acelerada demais. Pantera ainda dormia ao meu lado. O rosto dele parecia em paz, coisa rara. As cicatrizes pareciam menos duras quando ele dormia. Menos dono do mundo. Só homem. Fiquei observando por alguns segundos, tentando entender quando foi que minha vida saiu completamente do trilho que eu tinha planejado. Eu devia estar preocupada com provas, plantões, faculdade. Não com guerras de morro. Não com inimigos invisíveis. Não com o medo constante de alguém que eu amo morrer. Mas era isso que eu sentia. Medo. Levantei devagar,

