Quando o silêncio também fala

831 Words

Mari narrando Nunca pensei que o morro fosse ficar tão silencioso depois de um dia daqueles. Não silêncio de paz… Silêncio de quem sobreviveu. Eu tava sentada na beira da cama, com as pernas recolhidas, ouvindo os sons de fora, um rádio longe, um cachorro latindo, alguém rindo nervoso numa laje. Tudo normal demais pra quem quase viu a morte de perto. O Magrin tava encostado na parede, mexendo no celular sem realmente prestar atenção em nada. Eu conhecia aquele jeito. Era quando ele tava pensando demais. — Tu tá bem? — perguntei, quebrando o silêncio. Ele levantou o olhar devagar, aqueles olhos atentos demais pra quem diz que não sente nada. — Tô. — respondeu. — Quer dizer… tô vivo. Já é lucro. Sorri de canto, mas por dentro meu peito apertou. Porque viver ali nunca foi garantia de

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