Fernanda narrando Eu achei que ainda tinha espaço. Achei que ainda dava pra passar despercebida. Achei errado. Subi o morro com o capuz baixo, o coração batendo diferente, não era medo, era raiva concentrada. Daquelas que deixa a cabeça quente e a mão firme. Eu só precisava de uma coisa: chegar perto da Ayla. Olhar na cara dela. Fazer ela entender que nada ali era dela de verdade. A casa do Pantera ficava silenciosa demais naquela noite. Silêncio de coisa errada. Antes mesmo de eu chegar perto da porta, senti. — Parou aí. A voz veio das sombras. Grossa. Sem pressa. Congelei. Quando virei o rosto, vi dois caras da contenção. Armados. Parados como estátua. Um deles sorriu de canto. — Tu perdeu o rumo, Fernanda. Meu sangue ferveu. — Eu só vim falar com a Ayla. O riso foi seco. —

