Mari narrando Eu e Ayla estávamos descendo a viela apertada que levava pro postinho, ela com aquela bolsinha branca pendurada no ombro, e eu reclamando do meu cabelo que insistia em arrepiar com a umidade do morro, quando o barulho me fez travar no meio da rua. Não era moto. Não era carro de morador. Não era condução subindo. Era viatura. E viatura acelerada não vem dar bom dia pra ninguém. — Ayla… — falei baixinho, puxando ela pelo braço. — Que foi, Mari? — ela perguntou, toda distraída pegando o crachá. Quando a viatura virou a esquina lá embaixo, eu senti meus pelos arrepiarem. — Corre. Agora. — Mari. — CORRE, AYLA! — puxei ela com tudo, entrando no primeiro beco estreito que achei. No segundo seguinte, o barulho estourou. O eco dos tiros bateu nas paredes do morro como se fos

