Uma manhã tranquila, eu caminhava pela praça em busca de um lugar para me sentar, especialmente em meio a um silvado. Era um sábado de manhã quando finalmente encontrei um canto para descansar. Havia combinado de me encontrar com minha namorada ali.
A manhã estava perfeita: o clima sereno, as folhas caíam lentamente, e o vento suave acariciava meu rosto, criando uma conexão profunda com a natureza. Avisto minha namorada se aproximando e sentando-se ao meu lado. Recentemente, nossas brigas têm sido frequentes; ela possui um comportamento possessivo marcado por um ciúme doentio. Muitas vezes, sinto-me como um marinheiro em um barco à deriva em alto-mar, sem controle sobre a situação. Ela me traiu com um rapaz muito formoso e pertencente à nossa classe social, o que me abalou profundamente. Eu estava preso em um relacionamento tóxico, incapaz de olhar para outra mulher.
– Você não vai falar comigo? – perguntou ela, inclinando-se para me beijar. Eu me afastei.
– O que foi? – questionou, com um semblante preocupado.
– Nada.
Na verdade, muitas coisas passavam pela minha mente. Sentia-me um t**o. Estava prestes a terminar tudo ali, sentado no silvado. Contudo, após refletir, decidi que desejava dar a volta por cima; ainda a amava muito. Porém as atitudes recorrentes dela haviam me deixado perturbado, e agora meu pensamento estava focado em como eu poderia revidar.
- Está tudo bem, sim, amor - disse eu, caminhando em sua direção e lhe dando um selinho rápido. - Fico aliviada- respondeu ela, sorrindo.
O tempo passou, e meus pensamentos vagaram de novo para as palavras dela sobre princípios e respeito por si mesma. Insistia que não poderíamos aprofundar nossa relação s****l, mas a cena que encontrei ao voltar para casa foi devastadora. Lá estava ela, nua em minha cama, entregando-se ao rapaz que eu mais desprezava. Eu havia confiado a ela a chave de minha casa, uma decisão que agora parecia um erro colossal. Meus pais e eu viajávamos frequentemente, e eu queria que ela tivesse acesso à minha casa, ao meu quarto. Durante as férias, viajamos para Chicago e retornamos há cinco dias. Ao chegar, deparei-me com a visão repugnante dela, em minha cama, com um estranho.
Não terminei o relacionamento naquele momento, pois não queria que meus pais soubessem da humilhação que eu estava sofrendo. No entanto, meu ódio era incontrolável. Avancei sobre o rapaz, pouco me importando com sua nudez. Desferi um soco em seu rosto, ordenando que ambos saíssem pela sacada. Não me importava com as desculpas dela, nem com suas histórias absurdas e nada convincentes. Permaneci frio e resoluto. Expulsei-os de minha casa e exigi a devolução da chave.
Ao recordar esses acontecimentos, meu desprezo por ela é absoluto. A mulher que professava ter princípios revelou-se uma mentirosa hipócrita. Sua traição não foi apenas uma quebra de confiança, mas uma demonstração de seu verdadeiro caráter desprezível. Expulsá-los foi o mínimo que pude fazer para começar a purgar a desonra que ela havia trazido para meu lar.
Ficamos em silêncio por um longo tempo, até que começou uma leve garoa. A gota d'água caía sob a árvore e escorria até o meu rosto, proporcionando um refresco suave quando o vento soprava, causando um friozinho agradável. Olhei para minha namorada; ela estava linda, mas eu sentia um ódio profundo por sua infidelidade. A chuva começou a se intensificar, e eu interrompi o silêncio.
— Vou embora — disse, levantando-me para sair.
— Mas já? — perguntou ela, levantando-se também.
— Sim — respondi, e em seguida, fui embora.
Ao chegar em casa, tomei um banho e fui assistir a um seriado. Eu teria um treinamento hoje, mas, como estava cansado e o dia estava chuvoso, expliquei a situação para o pessoal, e o treino foi cancelado. Comecei a pensar sobre como seria essa tal vingança. Sempre fui uma pessoa gentil e amorosa, mas depois desse episódio, comecei a me tornar esnobe e antipático, o tipo de pessoa que tenta se proteger sem permitir que alguém se aproxime.
Com tudo isso, decidi o próximo passo: retribuir na mesma moeda. Como ela me traiu, eu também trairia e agiria como se ela fosse indiferente, por mais que isso machucasse minha integridade... Quem se importa? Afinal, sou o capitão do time de basquete da Universidade de Oxford. O que mais há em universidades, senão líderes tanto de esporte quanto de torcida, esnobes e totalmente antipáticos? Eu seria apenas mais um.
Conheço uma jovem formosa, extremamente bela, na minha universidade. Ela seria a pessoa perfeita para o meu plano. Seu nome é Aurora. A ideia de levá-la para a cama me deixava nervoso, pois eu nunca havia tido relações sexuais antes.
Além disso, nem sei se ela estaria disposta a se envolver comigo dessa maneira. Em minha concepção, relações íntimas deveriam ser uma manifestação de amor e afeto genuíno. Considero desprezível quem as pratica apenas por diversão. No entanto, nesse caso, eu o faria carregando um profundo peso na consciência. Suspiro, mergulhando em meus pensamentos.
É como se eu estivesse planejando uma vingança infantil. Talvez eu não esteja raciocinando de maneira clara; isso poderia comprometer a integridade de Aurora, alguém que m*l conheço.
Decido que na segunda-feira tomarei coragem para abordá-la. Convencê-la pode levar algum tempo, mas não vejo isso como um obstáculo. Afinal, a pressa é inimiga da perfeição.
Mas o que estou fazendo? Estou tão frustrado que considero frustrar outra pessoa, mesmo sem ter essa intenção. Meus pensamentos parecem uma bola de neve, crescendo rapidamente antes de serem desfeitos.
— Filho, amanhã vamos ao clube. Se o tempo melhorar, quer nos acompanhar? — Meu pai pergunta.
— Claro, pai.
— Chame sua namorada, podemos almoçar juntos. — Ele sugere, e eu m*l consigo esconder meu desdém.
— O que houve, filho?
— Nada, pai. Vou convidá-la, sim — tento suavizar minha reação, embora seja uma tarefa árdua.
— Ótimo. — Ele diz, saindo do meu quarto.
Pego meu celular e envio a mensagem mais seca possível para Lia, a tal namorada.
No dia seguinte, um domingo de clima ameno, nem frio nem quente, ideal para um dia de piscina. Porém, antes, precisávamos ir ao clube de tênis com a minha belíssima Lia — penso sarcasticamente.
Ao chegarmos ao clube, encontro Lia conversando com meus pais. Ouço um trecho da conversa.
— Sinto muito por ter magoado seu filho. — Meus pais se entreolham, confusos.
— Como assim, magoar meu filho? — Minha mãe pergunta com um tom severo.
— Não é nada, mãe, ela está brincando. — Digo, rindo levemente, tentando convencê-los. Apesar da tentativa ser fracassada e a suposta "brincadeira" não ter sentido, insisto.
Após algum tempo, com o sol da tarde se tornando mais agradável, aproveitei para me afastar daquela conversa entediante.
— Mãe, pai, vou me encontrar com uns amigos. — Beijo a testa de ambos e me dirijo à saída, ignorando completamente a presença de Lia e tratando-a com total indiferença.
Chegar em casa e encontrar meus amigos no portão prometia uma noite de diversão e distração. Convidei-os a entrar, e logo a festa estava em pleno andamento. O som da música, as risadas, a visão das garotas em biquínis, tudo contribuía para criar um ambiente de euforia. No entanto, ao avistar Isabelly, algo mudou dentro de mim. Aquele magnetismo inesperado me puxava para ela, mesmo que ainda houvesse amor por Lia em meu coração.
As palavras dela, provocativas e cheias de riso, me desconcertaram. A reação que tive foi imediata e inesperada. Um plano começou a se formar em minha mente, uma ideia impulsiva e carregada de ressentimento. Falei com Caldon, meu cúmplice na empreitada insana. E então, me aproximei de Isabelly.
O beijo que trocamos foi intenso, cheio de uma paixão que beirava a violência. Sentia-me dividido entre o prazer físico e a dor emocional. Isabelly respondeu com fervor, como se tivesse esperado por aquele momento por muito tempo. Carreguei-a nos braços, sentindo a textura de sua pele sob minhas mãos. Estava vivo, pulsante, um homem dominado pelo desejo.
No entanto, a realidade logo me atingiu. Soltei-a e me afastei, questionando meus próprios motivos. "O que estou fazendo?" A pergunta ressoava na minha cabeça, trazendo um turbilhão de culpa e arrependimento. A beira da piscina, Caldon, meu melhor amigo, irmão de Isabelly. Percebeu minha inquietação e, em um gesto de camaradagem, me empurrou na água.
Puxei-o junto, e por um momento, nossas risadas dissiparam a tensão.
- Desgraçado! - Ele disse, rindo.
- Achou que eu não viria contigo, playboy?-
Respondi, também rindo, enquanto a água nos envolvia.
Aquela noite, embora cheia de confusão e contradições, me fez perceber a complexidade dos sentimentos humanos. Entre o amor por Lia, a atração por Isabelly e a amizade com Caldon, encontrei-me navegando por um mar de emoções intensas e conflitantes.