Almoço com Hazal e família.

1072 Words
Ester Quando ele sai do meu quarto eu me sento na cama e passo a mão no rosto. Preciso procurar outro emprego. A folga que eu tiver farei isso. Quem sabe consigo de recepcionista em algum hotel? Não! Não! É um risco. Se eles me procurarem, me encontrarão lá. Somos tendenciados a repetir experiências anteriores e eles sabem disso. Deus! Mas que merda! Pior que eu gostei de trabalhar aqui. Rose e Norma são uns amores... Os Çelik's também. São muito na deles e não são aqueles patrões chatos. Meu problema é mesmo Murat. 🌞🌞🌞🌞🌞🌞 Almoço com Hazal e família. Dia seguinte... Murat Estou em pé olhando para fora da janela, sem nada ver. O sol irradia sobre o jardim bem cuidado, mas minha mente está longe, desatento a toda a beleza e a paz que ele transmite, pois nem a vista dele me tranquiliza agora. Há uma grande responsabilidade sobre meus ombros, a esperança da minha família está toda depositada em mim. Passei meus anos ouvindo o que meu pai tem para mim como sonho. Despejando em mim tudo que eu devo ser. Faço o jogo dele, não o confronto, uma vez fiz isso por causa de uma garota que eu me encantei na faculdade, eu tinha vinte anos. Mas perdi a batalha. Ele fez da minha vida um inferno e a dela também. Aquela máscara serena que ele usa esconde uma personalidade intimadora. Ele a coloca e a tira quando lhe convém. Isso me influenciou muito na formação do meu caráter, bem como minhas reações diante das situações que a vida me apresenta. Depois do que ele fez com Karina, eu me fechei completamente para as mulheres de fora, mas como uma espécie de protesto, me fechei para as da minha cultura também. Aos vinte e seis anos, eu já havia terminando a faculdade e o MBA. Ao lado de meu pai trabalhei com afinco, crescendo na empresa, me destacando. Tenho um espírito nato de liderança. Minha personalidade é forte e por isso sempre gostei de controlar tudo e, mas não todos. Meu pai tem a maior parte das ações, e, ele sabe usar muito bem esse poder. Na época de Karina ele ameaçou colocar meu primo Tabor no meu lugar na empresa. Até hoje ele é um calo no meu sapato, uma sombra que me cerca, sempre me ameaçando. Hoje meu coração está desconjuntado com conflito de emoções e sinto que estou perdendo a cabeça novamente, mas de um jeito diferente do que foi com Karina. Porque Ester não só mexe com meu corpo, mas também com minhas emoções. Tudo com ela é muito intenso. Chega a ser assustador essa fascinação que ela exerce sobre mim e as reações que ela provoca em meu corpo. Sinto como se ele tivesse vida própria. É aquele tipo de coisa que não tem explicação. Você apenas sente e pronto. E o mais engraçado de tudo é que das mulheres que meu pai tentou inserir no nosso meio para despertar minha atenção, Hazal foi a que mais se destacou. Alta, magra, a pele sem manchas, os cabelos negros iguais aos seus olhos. Resumindo: Bonita. E o fundamental para eles, ela é a imagem da mulher turca, que carrega todas a nossa cultura, nossa língua. Além de ser uma mulher fina, cordial, impecável, obediente. Passiva, ela sabe qual será seu papel ao meu lado como esposa e perante a sociedade. E mais, tenho total consciência também que nossa união será ótima para os negócios. Por isso me sinto encurralado. Agora estou aqui, dividido entre os meus dois eu: A razão que é o homem que devo ser, e o outro homem, aquele que ultimamente está sendo imponderado, insensato, o homem que está se perdendo e sendo levado pelas emoções. —Hazal e os pais delas já estão aí. —Minha mãe diz entrando na biblioteca. —Ok. —Digo sem me virar para ela. —Murat, seu pai está pondo grandes expectativas na união de vocês. Quando você irá esquecer o que ele fez com Karina? Você tem o punido desde então. Se fechando para qualquer tentativa dele introduzir a mulher certa para você. Eu solto o ar e me viro para ela. —Mãe, farei meu papel direitinho. Sossegue. Só me dá um tempo. Ela aperta os lábios. —Não faça teu pai vir aqui. Você sabe o quanto ele sabe ser desagradável. —Sim, eu sei. Quando ela sai eu solto o ar novamente. Queria tanto acreditar que Ester é uma mulher interesseira, queria tanto me apegar a isso, mas à medida que o tempo passa a sua versão inocente fica mais forte e eu me sinto entrando mais nessa areia movediça, me afundando nas minhas emoções. Allah! Essa noite fiquei deitado na minha cama pensando em tirá-la da minha mente, ignorar a vontade de meu corpo, agir mais racionalmente, esquecer essa mulher. Por que investir em algo que não dará certo? Mas hoje quando ela me serviu o café da manhã, quando ela entrou na sala, todas essas minhas resoluções foram por água abaixo. —Murat! —Ouço a voz de meu pai. Kahretsin ne! (Mas que merda!) Eu me viro para ele. Seu olhar me fulmina. O antagonismo está nas feições dele, o gelo nos seus olhos. Ele então cuspiu palavras que foram feitas para me atingir, a tensão toma conta de mim: —Por que você sempre dificulta as coisas? Sabe que estou começando a desacreditar em você. Solto o ar. O significado das palavras dele me acerta em cheio. Ele está ameaçando a mudar seu foco, meu primo. —Não vou dificultar nada e para sua informação, gostei de Hazal. Meu pai solta o ar. —Ótimo. Hazal me avista entrando na sala, ela ergue os olhos para encontrar com os meus, então me dá um sorriso largo. Forço meus lábios a sorrir para ela como se estivesse feliz em vê-la. Seus olhos se iluminam demonstrando o seu interesse. Sim, ela está feliz em me ver. Desvio meus olhos dos dela incomodado com isso. E instintivamente meus olhos posam em Ester que está ajeitando a mesa do almoço. Imediatamente me sinto eufórico em vê-la. A aura dela parece que brilha mais do que todos a minha volta. Se sentindo observada seus olhos verdes sobem e encontram com os meus, isso é o suficiente para meu corpo inteiro estremecer. Allah! Ignorá-la? Como? Acho mais fácil esquecer meu próprio nome.
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