Suas palavras, carregadas de genuína preocupação, fazem meu coração disparar. Piscando rapidamente, tento conter as lágrimas que ameaçam cair. Dois sentimentos lutam dentro de mim: o prazer de me sentir cuidada e a dúvida sobre o custo que isso pode ter.
— Por que está fazendo isso, Murat? — pergunto, minha voz quase um sussurro. — Isso tem um preço, não tem?
Por um instante, os olhos dele endurecem. Ele se levanta, desviando o olhar para um ponto qualquer no quarto. O perfil sério, quase glacial, me deixa ainda mais confusa.
Após uma longa respiração, ele finalmente me encara novamente.
— Preço? — Ele balança a cabeça, visivelmente incomodado. — Não estou colocando preço no meu gesto. Estou fazendo o que meu coração manda. Mas, se você insiste em encarar dessa forma, então está bem: diga a si mesma que pagará por isso. Se isso te deixa mais confortável, que seja. Mas não quero que pense nisso agora.
Eu apenas assinto, sem energia para prolongar o assunto. É claro que tem um preço, penso. Homens como Murat sempre esperam algo em troca.
Então, sem dizer mais nada, ele abre minha mala — a mesma que mandou buscar na pensão e cuja despesa também pagou. Meu olhar segue cada movimento dele, e meu peito se aperta em confusão quando o vejo tirar todas as minhas roupas, colocando-as sobre a poltrona. Ele pega minha camisola de flanela, coloca-a sobre os ombros e se vira para mim.
Meu corpo inteiro se tenciona. Ele não vai fazer o que estou pensando, vai?
— Vem, vamos para a cama — ele diz, conduzindo a cadeira até bem próximo dela.
Com cuidado, ele retira meus pés do descanso e me ajuda a levantar. Porém, antes que eu perceba, seus dedos estão abrindo os botões da minha camisa. Mesmo com a dor que pulsa em meu corpo, consigo erguer as mãos e segurá-las.
— O que você pensa que está fazendo? — pergunto, minha voz saindo mais trêmula do que eu gostaria.
Murat solta o ar lentamente, encarando-me com paciência.
— O que acha que estou fazendo? Estou cuidando de você.
— Chame a Júlia. Ela é paga para isso.
— Pedi para ficarmos a sós. Toda vez que vier te visitar, ela não entrará no quarto enquanto eu estiver aqui. Posso?
Minha hesitação é evidente, mas, constrangida e exausta, aceno afirmativamente. Sua proximidade faz minha respiração acelerar ainda mais. Ele retorna à tarefa com cuidado, como se soubesse exatamente o que estava fazendo.
Retira minha camisa, deslizando-a suavemente pelos meus braços, e seus dedos, com uma precisão desconcertante, abrem meu sutiã. Meu coração parece bater mais forte a cada movimento. Seus olhos fixam-se nos meus por um momento, e então ele desvia, focando na tarefa.
Quando ele pega a camisola e a ajusta para que eu vista, cada gesto é feito com uma delicadeza que quase me deixa atordoada. A roupa desliza pelo meu corpo sem que eu sinta dor alguma.
Deus! Isso foi incrível!
Encantada e confusa, olho para ele como se estivesse em choque. Distraído, Murat toca minhas costas e murmura:
— Vem. Você precisa descansar.
Ele ajusta o edredom fofo e me ajuda a deitar, certificando-se de que estou confortável. A cabeceira da cama, já levemente inclinada, evita que eu sinta mais dores.
— Aqui você pode ajustar a cabeceira conforme precisar — ele diz, demonstrando como funciona o controle. — Este botão — ele aponta para outro — é para chamar a cuidadora. Não tente fazer nada sozinha, está bem?
Eu apenas assinto, lutando para conter as lágrimas que insistem em surgir. Nunca ninguém cuidou de mim assim.
— Obrigada... por tudo — murmuro, minha voz embargada.
Ele pega minha mão, seu toque quente e reconfortante. Seus olhos, agora calorosos, encontram os meus.
— Por nada — ele responde suavemente, inclinando-se para depositar um beijo em minha testa, demorado e delicado, como se eu fosse feita de porcelana.
Passando a mão pelos meus cabelos soltos, ele completa:
— Pedi para Tereza preparar uma sopa. Júlia estará sempre à disposição no quarto ao lado. Não hesite em chamá-la.
— Está certo — respondo, tentando absorver tudo o que ele faz por mim.
Ele me olha por um tempo, os olhos carregados de algo que não consigo decifrar. É como se lutasse contra uma decisão que já foi tomada, mas ainda o atormenta.
— Sempre que eu puder, virei te visitar — ele diz, a voz cuidadosa, quase hesitante. — Você quer isso?
Suas palavras me atingem como um alerta. Uma onda de consciência atravessa meu corpo, fazendo-me perceber a encrenca em que me meti. Mas, mesmo assim, algo dentro de mim anseia por sua presença. Com um leve sorriso, aceno afirmativamente.
Murat observa meu gesto, seus olhos permanecendo sobre mim por mais alguns instantes antes de acenar de volta, quase imperceptivelmente.
— Tudo bem — diz, em um tom que parece carregar mais promessas do que ele expressa. Então, ele se inclina novamente, depositando um beijo suave em minha testa, um gesto cheio de ternura, quase paternal.
Sem mais uma palavra, ele se vira e sai do quarto, deixando para trás uma ausência que pesa mais do que eu gostaria de admitir.
Quando a porta se fecha, meu coração dispara como se quisesse sair do peito. Há muito tempo ele não batia assim, galopando descontroladamente, cada pulsação ecoando o nome dele. Só Murat tem esse poder sobre mim, e isso me assusta mais do que quero admitir.
Fecho os olhos, tentando organizar os pensamentos. Meu corpo permanece imóvel, mas minha mente é uma tempestade, ainda lutando para processar tudo o que aconteceu desde que entrei neste apartamento.
Um som suave quebra o silêncio, e abro os olhos a tempo de ver Júlia entrando no quarto.
— Ah, você já está na cama — ela comenta, um sorriso de canto brincando em seus lábios. — Você tem sorte, garota. Nunca vi um homem tão apaixonado.
A palavra ecoa na sala como um trovão em meio ao silêncio. Engulo em seco, minha garganta apertada.
Murat... apaixonado?
Deus! Será mesmo?
Júlia, alheia à tempestade que suas palavras despertaram dentro de mim, continua com o mesmo tom profissional e prático:
— Se precisar de alguma coisa, me chama. Estarei no meu quarto. Murat mostrou a campainha para você?
— Sim, foi a primeira coisa que ele me mostrou — respondo, minha voz saindo mais fraca do que pretendia.
— Ótimo. Não faça nenhum esforço desnecessário. Estou sendo paga para te ajudar nos mínimos detalhes.
— Está certo — murmuro, quase automaticamente.
Mas minha mente não está mais aqui. Não com Júlia, não no quarto. Uma única palavra pulsa incessantemente na minha cabeça, como uma sirene impossível de ignorar: