Capítulo 5

1656 Words
Arthur Allbertilli Me encontro ainda olhando para aqueles olhos heterocromáticos. Sua resposta rodando em minha mente, ele parece ser um bom rapaz, me pergunto sua real motivação para seguir apenas como um médico geral, tenho certeza de que ele de destacaria em outras áreas da medicina. - Entendo. Já conheceu o hospital, a área dos funcionários, banheiro...? - Sim, senhor Allbertilli. Uma enfermeira em apresentou tudo quando fui mais cedo a sala da chefe. - Faço uma pequena careta e seu sorriso se desfaz. – Disse algo errado? – Pergunta gentil. - Apenas me chame de Arthur, não sou seu chefe nem nada, apenas vou te guiar caso não saiba de algo. – Digo fazendo seu sorriso voltar. – Vamos ser colegas, não funcionário e chefe. - Prefiro amigos então. – Ele diz tão de repente que me encontro paralisado. O único amigo que tenho é Alberto, ele por algum milagre ficou ao meu lado durante uns bons anos, até hoje, nunca fiz amizade assim, claro que falo com outros médicos e enfermeiros por aqui e no outro hospital, mas não é algo que eu chamaria de amizade, apenas conversas triviais sobre o trabalho, mas esse homem chega hoje, para ser exato, a minutos atrás e quer ser meu amigo? Quem é esse homem? Como pode ser tão fácil ser para ele ser amigo de uma pessoa que ele nunca viu na vida? Iria responder quando meu ponto apita alto. Isso só acontece quando alguns de meus pacientes que estão internados tem algum tipo de emergência. - Precisamos sair agora, depois continuamos aqui, temos sua primeira consulta. Saio pela porta da minha sala e sinto ele perto, passamos pela mesa de Amanda e seguimos pelo corredor, ao lado contrário da porta de saída e onde ficam as salas de espera e as salas de alguns outros médicos. - Aqui doutor Arthur. – Uma enfermeira aponta o quarto 205, o paciente de hoje mais cedo, com o tumor, depois de quase uma hora de cirurgia, estar tendo uma parada cardíaca. - Preparem o desfibrilador. – Entramos no quarto às pressas, a máquina de batimentos cardíacos faz aquele som irritante de “pi” sem fim, indicando nenhum pulso no paciente. Mas tem um enfermeiro fazendo uma massagem cardíaca. - É com você doutor Zander. - Quanto minutos sem pulso? – Noto seu rosto sério, o sorriso gentil se foi deixando apenas o rosto concentrado. - Três minutos e contando. Fizemos a massagem cardíaca, mas ainda nada. Zander pega o desfibrilador e segue até o paciente, o enfermeiro dando passagem, uma, duas, três vezes, nada, ainda sem pulso. - Voltagem máxima. - Zander diz, a enfermaria aumenta a voltagem. - Voltagem máxima doutor. Ele pressiona o aparelho contra o peito do paciente. Uma, duas, três vezes. Então escutamos o tum tum característicos. - Ele voltou. – Zander diz baixinho. Checando a tela do aparelho. – Pulso batendo firmes. Precisamos de exames minuciosos, saber se a parada cardíaca foi apenas por causa da cirurgia, ou se teve outro motivo, talvez uma infecção no corte. - Anotado senhor, sou Malia, a enfermeira responsável pelo paciente. Vou providenciar tudo. - Ótimo, Malia, podem se retirar depois de arrumar tudo aqui, fique de olho nele até os exames ficarem prontos. – Dessa vez eu que me pronuncio. Deve dizer que Zander fica lindo com seu rosto sério no modo doutor. Ele vai se dar muito bem na medicina. Saímos do quarto e volto para minha sala, Zander ainda me seguindo, me sento sobre minha cadeira e ele faz o mesmo. - Você soube conduzir tudo muito bem. - Obrigado, Arthur. – Seu sorriso voltou ao rosto. – Vou ficar aqui com você em sua sala para acompanhar as consultas? - Sim, nessa primeira semana você vai permanecer aqui. Será melhor você acompanhar tudo de perto. - Ok então. - Aqui, - pegou uma ficha sobre minha mesa. – Meu próximo paciente, examine tudo com cuidado, você ficará responsável por ele, vou te supervisionar. – Ele pega o papel da minha mão com um sorriso, e se concentra neles pelos próximos segundos. Só dar tempo de que eu repare em seus cabelos pretos, meu celular começa a tocar em minha mesa. Olho a tela e vejo que é Alberto, mas o que ele quer me ligando uma hora dessas? - Desculpe, tenho que atender. – Digo para Zander que me encara, ele apenas concorda com um aceno de cabeça e volta para os papeis que de entreguei. Seu sorriso não está mais lá, apenas seu rosto sério como mais cedo, e tenho de dizer que prefiro mais o sorriso gentil, mesmo que me incomode um pouco toda sua felicidade que emana dele. - Porque estar me ligando agora, sabe que estou em horário de trabalho, seu estivesse com um paciente? – Falo assim que atendo. - Primeiramente, Bom dia, Arthur. Custa ser educado? – Ele diz com aparente revolta. - Você melhor que qualquer outra pessoa sabe que em horário de trabalho não posso estar com o celular no ouvido jogando papo fora. - Digo e me levanto da cadeira, dando a volta e ficando parado um pouco longe de onde Zander estar sentado, vejo apenas suas costas. - Tinha apenas uma boa notícia para te passar sobre um apartamento para você, mas deixa, não falo mais. – Diz com raiva. - Oh, espera! – Falo em espanto quando ameaça desligar. – Por que não falou que era sobre isso? – Ele solta uma respiração pesada. - Talvez porque você, um palerma, não me deixou falar, e foi logo me respondendo com grosseria. - Ora, não é para tanto. Deixe de ser dramático. Me fale logo sobre o apartamento, ou é uma casa? – Pergunto mais animado. - É um apartamento, super em conta, é bem espaçoso, e vem mobiliado. - Isso parece ser bom. Onde é? – Ele diz a localização. – Poxa, Alberto, isso é bem longe dos dois hospitais. - É verdade, mas já é um começo, um colega meu enfermeiro que disse que estavam alugando. - Levaria quase uma hora de carro, p***a. – Digo levantando meus olhos, pois nesse momento eles estavam baixos encarando o chão de cerâmica branca. E encontro, olhos verdes e azuis me encarando. – Só um momento. – Digo para Alberto. – Estou te atrapalhando? Posso sair... - Não é isso. É que escutei sua conversa, você não estava falando tão baixo, sabe? – Ele rir e eu o acompanho. – Mas se estar procurando um lugar, no prédio em que moro tem um apartamento para alugar e vender também, é a porta em frente a minha, mas posso ver se tem nos outros andares também com o síndico. E fica apenas a vinte minutos daqui. Só não é mobiliado. Mas o aluguel é bem bacana, a não ser que você queira comprar. – Respiro fundo. - Poderia me passar o endereço e o número do síndico? Vou entrar em contato com ele e ver se dar certo. - Claro. – Ele sorrir parecendo animado. Pega sua mochila e de dentro tira seu celular. - Só um minuto. – Digo a ele. – Alberto, acho que achei outro lugar em conta. Nos falamos quando eu chegar. - Oh, ok então, boa sorte. - Valeu. – Ele desliga, e eu estendo meu celular para Zander com os contatos aberto, ele me passa o número do síndico. - Só falar que fui eu que te passei o número dele. - Muito obrigado, Zander você está me ajudando muito. Estou morando com um amigo, mas tenho que ter meu lugar. – Ele faz uma expressão de dúvida. Mas não faz nenhuma pergunta. - De nada, que bom que consegui te ajudar. O dia se segue normal, consultas feitas, emergências atendidas, e Zander se sai um ótimo médico, ele superou todas as minhas expectativas, e elas eram altas. Na hora do almoço ele se sentou comigo na cantina do hospital e trocamos uma conversa muito divertida enquanto comíamos. Ele é um cara legal, é bom tê-lo por perto. Nenhum de nós dois tocamos no assunto família, e achei isso ótimo. Ele conseguia deixar o clima calmo, me fazia sentir acolhido, acho que nunca, acho não, tenho certeza, nunca gostei tanto de uma amizade como estou gostando da dele, e olhe que ele é apenas o segundo amigo que faço, mas já está se tornando alguém muito especial, apenas nessas vinte e quatro horas na sua presença, as coisas com ele flui tão natural, que quando vejo estou falando de bobagens com ele, só para ver aquele sorriso, que agora me traz leveza. Dez minutos para nosso horário acabar e já não tínhamos nenhum paciente, liberei ele e ele foi se trocar na área dos funcionários, eu apenas segui para meu banheiro aqui na sala e passei uma água no rosto, estou acabado, tiro meu jaleco e coloco em minha mochila, ele precisa ser levado. Saio da sala depois de desligar tudo e me despeço de Amanda, sigo para o elevador e chego no estacionamento, ando um pouco e logo estou dentro do meu carro, saindo do hospital, viro na curva para a direita no fim da rua e vejo um corpo conhecido andando até o ponto de ônibus. Encosto o carro no meio fio e buzino, Zander logo me nota e com um sorriso se aproxima do carro, eu abaixo o vidro e ele logo se abaixa ao meu lado. - Quer carona? - Não vai te atrapalhar? – Pergunta com um sorriso. - De jeito nenhum, é caminho para o apartamento do meu amigo. Entra. – Digo e destravo as portas do carro. Ele parece pensar, mas logo da a volta e entra, colocando o cinto. - Muito obrigado. – Seu cheiro logo toma conta do ar, é um cheiro bem sutil, mas muito gostoso. - Não precisa agradecer. Então dou partida no carro, levando-o para casa.
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