Arthur Allbertilli
Paro em frente ao apartamento de Zander, ele me olha assim que o carro está estacionado no meio fio.
- Muito obrigado pela carona, provavelmente ainda estaria no ponto de ônibus esperando. – Ele sorri, a qual retribuo.
- Não precisa agradecer, sempre que precisar posso te dar uma carona.
- Não quero te incomodar, agradeço mesmo por hoje. – E com isso ele se vai, me deixando sozinho no carro, o vejo entrar no prédio e dou partida no carro, minutos depois estou estacionando em frente ao prédio de Alberto.
Encosto minha cabeça no banco e ainda posso sentir o cheiro do perfume dele no carro, o que me faz suspirar, estou a muito tempo sem ficar com ninguém que acho que estou carente de um pouco de afeto, pois me sentir muito atraído pelo Zander. Enfio meus dedos por entre os fios dos meus cabelos, os puxando, só posso estar louco, ele não indício de nada e já estou levando isso para esse lado, sendo que tudo o que ele parece querer é uma amizade.
É Arthur, você estar precisando sair mais e ver pessoas, talvez arrumar um encontro.
Quando paro de pensar demais, saio do carro e aciono o alarme, subindo pelo elevador para o andar do meu amigo, assim que saio do elevador encontro Alberto na porta de sua casa discutindo um rapaz.
- Já falei para não me procurar, eu deixei claro que tudo estava acabado entre nós. Por favor não faça isso ficar mais difícil. – O rapaz tem lágrimas em seus olhos.
- Eu só quero entender Alberto, apenas isso, estávamos indo bem, e do nada você some e deixa apenas um áudio informando nosso término. Isso não se faz! – Alberto olha para todos os lados, fugindo do olhar do rapaz, que se me permite um segundo olhar, é muito lindo, seus cabelos são num dourado, ele parece ser mais alto que eu, seu corpo tem curvas bem generosas, ele é gordo, apenas não dá para me olhar seu rosto direito, pois ele está de lado, Alberto me nota parado em frente ao elevador agora fechado.
- Vai embora, meu amigo chegou, não vamos fazer uma cena. – O rapaz parece me notar e me lança um olhar machucado, mas parece gentil.
- Eu só queria uma explicação, apenas isso. – Ele olha para meu amigo enquanto fala, mas então quando não recebe nenhuma resposta ele se vira em minha direção, posso notar as lágrimas descendo de seus lindos olhos castanhos, quando passa por mim, apenas sorri e me cumprimenta com um aceno de cabeça, parando ao meu lado para chamar o elevador, que parecendo se compadecer da situação do rapaz que ainda não sei o nome, não demora a chegar e ele entra, indo embora e sumindo de minha vista.
Olho para frente e vejo Alberto de cabeça baixa, me aproximo devagar e ele levanta a cabeça em minha direção, noto o sorriso forçado.
- Vai me explicar o que acabou de acontecer? – Ele suspira, parece exausto.
- Entra.
Assim que entramos, nos sentamos os dois, lado a lado no sofá. Ele parece pensar nas palavras certas.
- Ele é Antônio Almeida. – Me encontro surpreso agora.
- Espera, o Antônio Almeida, aquele Antônio Almeida? – Ele confirma. Os Almeidas são simplesmente a quarta família mais milionária do país. E Antônio é o filho único do casal.
- p**a merda. Como isso aconteceu? Como vocês se conheceram?
- Ele teve um pequeno acidente, eu o atendi, a partir daí foi natural mantermos contato, isso faz uns quatro meses, desde os últimos dois, que começamos algo, ficamos, transamos, muito na verdade...
- Está ok, pode pular essa parte. – Ele rir.
- Nos dávamos bem, tanto na cama quanto fora dela, temos gostos em comum, assim como tem coisas que discordamos...
- Seja lá o que aconteceu, você sente falta dele. – Ele me olha rapidamente.
- Está enganado, não sinto.
- Não minta para mim, eu te conheço, Alberto. O que realmente aconteceu para você se afastar dele assim de repente? - Quando seu olhar encontra o meu, vejo um vislumbre de raiva.
- Os pais dele aconteceu.
- Eles descobriram sobre a gente, mas sem falar nada para o Ton, eles vieram falar comigo, disseram que eu não servia para o filho deles. – Me encontro muito surpreso com o que ele fala, como que pode pais querer mandar no relacionamento dos filhos assim? Digo isso por experiencia própria, os pais deviam estar ao nosso lado para nos dar colo, carinho, conselhos, não dizer se isso ou aquilo serve ou não para você, eles não podem agir como se mandassem em nossas vidas apenas porque são nossos pais, mesmo assim, eles não têm esse direito. Devemos respeito a eles? Claro que sim. Mas ter respeito e eles quererem nos controlar, são duas coisas totalmente diferente, posso ver isso claramente, se nossos pais nos amassem verdadeiramente, eles ficariam felizes em nos ver fazer e ser aquilo que quisermos, aquilo que nascemos sendo. Eles não podem nos mudar. Me dar conta de que vivi isso toda a minha vida me deixa triste, muito triste na realidade, quantos pais fazem que nem os meus fizeram, nos moldam ao seu bem querer, nos privam de uma felicidade genuína de ser nos mesmos, eu me privei de tanta coisa, deixei de fazer tanta coisa por causa deles que hoje me perdi de mim.
- Você apenas aceitou isso assim? – Ele me olha como se eu estivesse louco.
- E o que você queria que eu fizesse. – Reviro meus olhos e me acomodo melhor no sofá.
- Você me dar conselhos e mais conselhos, diz que sou adulto e que mando na minha vida, mas você mesmo não segue esse conselho para sua vida, que eu saiba, Ton é um homem adulto, ganha seu próprio dinheiro, então por que aceitou tão fácil o que os pais dele ditaram ser o certo para ele? Sendo que nem mesmo você falou com o próprio Ton? Você tomou uma decisão por ele. – Ele parece pensar no que eu disse, suspirando forte ele me olha com seus olhos castanhos mel, parecendo me ver pela primeira vez em sua vida.
- Agora eu te entendo. – Franzo minhas sobrancelhas. Ele continua falando. – Eu tive medo, medo de como a relação dele com os pais ficariam se ele soubesse das coisas que me disseram, se Ton escolhesse a mim do que eles, com toda certeza os pais dele lhe virariam as costas, eu tive medo da rejeição dos pais para com ele. Acho que estou sentindo exatamente tudo o que sentiu por todos esses anos em que suportou viver com seus pais. – Ele parece preso em um dilema. – Era fácil falar o que você devia fazer quando não era eu mesmo preso em uma situação quase que idêntica. – Ajeito meu corpo no sofá, ficando próximo do meu amigo, lhe abraçando de lado digo:
- Converse com Ton, apenas ele pode decidir o que é bom ou não para ele mesmo. Conversando vocês vão resolver tudo isso e juntos irão passar por qualquer que seja a dificuldade. – Ele me olha por alguns segundos.
- Não sei se vai ser tão fácil assim – Ele para e olha para a tv desligada a nossa frente. – Eu realmente estava começando a me envolver, a gostar de estar junto e se tentarmos algo, os pais dele virar as costas para ele e nosso relacionamento não der certo, ele vai passar por tudo isso para no final não valer a pena? – Ele parece realmente perturbado com isso. Como posso ajudar ele se nem mesmo consigo me ajudar.
- Isso tudo é muito delicado, mas você não pode pensar assim, e se der certo no final de tudo? Se vocês construírem algo legal e que dure por muito tempo? Você vai perder essa chance apenas por medo de falar com ele? Como eu disse antes, o Ton que tem que decidir se vai ou não valer a pena. Fale com ele. Diga tudo que sente, seus medos.
- Vou pensar sobre isso, preciso dormi, minha cabeça estar me matando. – Ele deixa um beijo em minha cabeça e some pelo corredor.
- Boa noite. – Digo baixinho.
Espero que tudo se resolva, que eles fiquem juntos se for isso que os dois quiserem. Não quero ver meu amigo triste, se tem alguém que merece ser feliz, esse alguém é Alberto.
Vou para meu quarto e tomo um banho morno, deito-me apenas de cueca na cama e me cubro com o edredom. Pego meu celular e vou nos contatos, mando uma mensagem para o síndico do apartamento de Zander, ele deve estar dormindo agora, mas com certeza ele verá minha mensagem de manhã, com isso resolvido me acomodo confortavelmente na cama e fecho meus olhos, mas o sorriso de Zander me vem à mente, junto com o cheiro gostoso do perfume dele que senti no carro, com isso em mente, eu adormeço, tendo um sonho com o meu colega de trabalho.