Iracema Tukano

2534 Words
Enquanto Hu estava hospedado na Antártida pelos seus novos amigos, no Brasil, Midori estava desembarcando do aeroporto que levava do Japão para o Brasil. No momento em que saiu do avião, sentiu aquele clima mais quente do que em relação ao seu país. Também viu diferença no povo, que era mais extrovertido e sociável. Olhava para as pessoas que dedembarcavam e notava que elas recebiam total amparo de familiares de amigos. Passageiros estes como um homem de terno e gravata que abraçava uma criança e dava um selinho em uma mulher. Eram uma família. Ou então um casal de adolescentes, um pouco mais novos do que Midori que eram recebidos por um casal de adultos. Talvez seriam seus pais ou um deles era seu filho, enquanto o outro fosse companheiro amoroso. Nesse momento, sentiu falta de Tabi. Poderia estar aproveitando a chegada de Madri para que possa abraçá-la e beijá-la, agora que estavam de compromisso. Mas não tinha que pensar nisso no momento. Tinha uma missão a cumprir, que era encontrar e zelar pelo Cristal do Fogo. Segundo Hu, o artefato se encontrava na Amazônia. Ele teria que ir até àquela floresta e procurar pelo cristal. Só em pensar nisso, já dava uma agonia. Iria ter que procurar no meio das matas brasileiras, não que odiasse o mato, mas iria ser muito trabalhoso e ele não saberia onde encontrar. ------------------------------------------------ Enquanto isso, na Amazônia, estava dormindo em uma das árvores uma jovem indígena. Tinha os cabelos lisos e longos, a pele avermelhada e usava roupas de pele de animal, além de ter ao seu lado, um kit de arco e flecha, feitos por ela. Seu nome era Iracema, pertencente à Tribo Tukano, que não ficava muito perto de onde ela estava dormindo. O sol estava gritando forte, causando aquela temperatura alta. Ouvia-se o cantar dos pássaros que repousavam nos galhos das árvores ou cantavam voando. Uma brisa muito suave batia no rosto da índia, fazendo com que ela ficasse corada. Acabou acordando com os olhos inchados e ainda estando em transição de passar para estar dormindo para estar acordada. Via que o sol estava forte e decidiu sair dali. Iracema não gostava do sol, era apaixonada pela lua, tinha a própria como a sua amiga e sempre que a via, conversava com ela. Os rapazes da sua tribo a chamavam de louca, mas como ela era mais comunicativa com a natureza do que mesmo com os humanos, não se importava com a sua "loucura". Erguia-se e exibia suas musculosas pernas próprias para correr, estando os pés descalços. Sua roupa ia até o joelho, parecendo um vestido. A brisa ficava um pouco mais forte e os cabelos da índia se balançavam. Ela erguia o seu rosto e sentia aquela brisa batendo na sua face. Adorava o vento. Pensava que este era amigo da lua, assim como os mares, os lagos e tudo que fosse de água. Em um salto, estava pousando no chão. Segurara um cipó para amortecer a queda e obteve êxito. Saía a caminha com o arco e suas flechas em suas costas. Caminhava tranquilamente, com um sorriso no rosto despreocupada. Parecia tranquila com o seu momento atual e ficava marchando na floresta como se fosse dona dela, mas sabia que não era e sim dos deuses, como acreditava o seu povo. ---------------------------------------------- Midori se depara na entrada da floresta que tinha guardas. Estava escondido em uma árvore que tinha por perto e via que eles estavam conversando e bebendo café. O rapaz apenas olhava, estava pensando em uma maneira de acessar a Floresta Amazônica sem ser pego. Sabia que estava correndo perigo, poderia afrontar uma lei federal do país e poderia se dar m*l. Se fosse pagar multa, não seria problema, mas sua preocupação é que poderia talvez ser preso. —"E agora? Como vou enfrentar aqueles guardas sem ser visto"?— Pensava Midori, que tinha um louvo-a-deus pousado em seu ombro. O rapaz olhava para o pequeno inseto e sorria. Via que ele carregava uma pedra, parecendo estar entregando para ele. Midori se sentiu surpreso. Parecia que aquele inseto estava lendo a sua mente ou então que ele incorporava um ataque especial que carregava seu nome. O rapaz pega a pedra e concentrava sua aura nela. Queria deixá-la potente para que pudesse pegar os guardas em cheio, que eram dois. Depois de alguns segundos, ele atira com toda a sua força. Eles nem perceberam receberam a pedrada na testa, batendo em um e em seguida em outro. Midori se surpreende. Parecia que a pedra estava viva, mas de qualquer forma, avançou, estando o louvo-a-deus livre novamente. O rapaz corria até à cerca elétrica e liberava o seu poder. Se agarrava na defesa e era eletrocutado. Era uma descarga dolorosa. Se Midori não tivesse ativado o seu poder, talvez morreria eletrocutado. Não se movia estava se deixando ser eletrocutado para que se acostumasse com as descargas elétricas. Conseguiu. Estaria escalando a cerca pouco se importando com as ondas que recebia. Ele pula em parábola e finalmente acessa a Floresta Amazônica. Midori estava satisfeito. Sentiu "borboletas no estômago" por estar próximo de seu objetivo. Nunca se sentira assim, ao mesmo tempo que talvez seria a primeira vez que defenderia o mundo de ameaças como o Olho n***o. Midori corria avançando. Não queria ser pego por algum outro guarda e assim se sucedeu. ---------------------------------------------- Iracema sentia fome. Passou alguns minutos caminhando e não se recordava da última vez de ter comido. Decidiu procurar por algo a comer e assim se fez. Pegou seu arco e flecha e estaria assumindo uma posição a ponto de estar em modo de ataque à presa. Olhava ao seu redor, estando bem atenta para ver se conseguia encontrar algo. Não obteve êxito. Decidiu caminhar mais. — Que fome que estou. — Dizia a índia para si. De repente, ela escuta um barulho de algo ou alguém correndo. Foi atrás dela. Iracema se vira com o seu olhar atento e decidiu prestar mais atenção para ver se escutava para onde fora anexado o barulho. Tinha boa audição, conseguia ouvir um barulho em boa distância. Encontrou aquele barulho de algo correndo e decidiu ir atrás. Guardou seu arco e flecha nas costas e saiu a correr. Era rápida também. Os índios diziam que ela tinha a atenção de uma águia e a velocidade de um avestruz, além de uma força de uma onça. Entretanto, aquilo que corria se mostrava mais rápido ainda. Como poderia acontecer isso? Ela não conseguia ver muito bem, já que estava um pouco longe dele, apenas via una coloração verde no topo de sua cabeça. Iracema se esforço para correr mais rápido e quando estava em uma velocidade aceitável, pegava seu arco e flecha e mirava. Tinha uma ótima mira também. Nunca errou a pontaria. Assim, ela mirava no topo da cabeça daquilo que ela não sabia o que era. Atirava. Entretanto, aquela coisa deu um salto mortal, se esquivando da flecha, que parou em um tronco de árvore. Iracema viu que era um humano, um chamado "cara pálida". Cabelos verdes, pele bronzeada, roupas modernas, era uma pessoa urbanizada. — Você é... — Dizia Iracema. O rapaz olhava para ela sem entender o que estava acontecendo. Assumia uma posição de luta e dizia: — Midori Watanabi. — Midori... Watana... — Watanabi. — Complementa o rapaz, que parecia estar disposto em enfrentar a índia. Entretanto, ele percebe que ela não era do tipo combativa. Talvez não soubesse o que era luta de rua. Enquanto Iracema olhava para ele corada. Pareceu que ela teria sentido algo a mais por ele, o que lhe chamou atenção. — Você é bonito... — Disse a índia. Midori se surpreende com o elogio. Não esperava vindo algo do tipo, ainda de alguém que ele não conhecia. O rapaz decide desfazer a posição de luta e se apresentava mais amigável. Sorria, se aproximando dela. — Qual seu nome? — Indaga. Iracema ficava mais corada. Sacava seu arco e flecha e apontava para ele. — Atire. — Disse o rapaz, sorrindo. A índia o obedece, mas se surpreende quando ele agarra a flecha, no momento que ia atingir o seu peito. — O que você é? — Indaga a índia, surpresa. O rapaz e se aproximava para entregar a flecha para ela. Iracema pegava com o rosto corado. Guardava e via o rapaz se sentar. — Qual seu nome? — Indaga novamente. — Iracema Tukano. Midori era um rapaz agradável. De alguma maneira, sentiu que ela não iria lhe fazer nenhum m*l, por isso estava tranquilo. Estavam agora ambos sentados desenvolvendo suas conversas. Midori dizia: — Você é da Tribo Tukano? — Sim. E você é de onde, Midori Watanabi? — Por favor, só me chame de Midori. — Tudo bem. — Eu vim do Japão. Estou em busca de um artefato valioso que... Iracema de repente abraçou suas pernas. Pareceu sentir um desconforto vindo das últimas palavras de seu novo amigo. — O que foi? — Indaga o garoto. ------------------------------------------------ Enquanto isso, de repente, em algum canto da Amazônia, uma chama de dois metros de altura de formava e assustava alguns animais que tinham por perto. Era brilhosa e cheia de vida até que foi se desfazendo em uma forma de demônio. Este era cheio de músculos. Tinha chifres grandes e pontudos, além da pele ser vermelha gritante. Olhos amarelos, usava barba e uma regata preta, acompanhada de calças e botas da mesma cor. Tinha uma cauda típica dos demônios. — Finalmente cheguei. — Disse o demônio. — O Cristal do Fogo tem de pertencer a mim. Onde ele está? — Começava a usar seu poderes psíquicos para localizar. — Os homens brancos só querem tirar da riqueza da Amazônia, isso que me incomoda. — Disse Iracema. — Luto todos os dias contra eles para protegê-la. Midori olhava para ela com uma expressão como se estivesse compreendendo o pensamento e o sentimento dela. De fato não gostava disso também, mas para defender o seu argumento, dizia: — O Cristal do Fogo não é da Amazônia. Iracema olhava para ele, incrédula. — Ele pode estar em qualquer lugar do mundo. — Afirma o rapaz. — Eu entendo que a Amazônia sofre na mão dos outros países que querem extrair suas riquezas e tudo mais, porém eu aposto que não existe um cristal que tenha o poder de controlar o fogo. Iracema começou a refletir sobre os dizeres de seu novo amigo e disse: — Eu tenho o que você quer. — Tem? Iracema assentia que sim e colocava a mão em um dos bolsos da sua roupa de pele. Midori olhava o local, com a testa franzida. Não imaginaria que ela tivesse o que ele queria. Como aquilo foi parar nas mãos dela? Iracema mostrava e era realmente o Cristal do Fogo. Tinha uma cor vermelha, mas o contorno em si brilhava entre amarelo e laranja. Midori estava surpreso. Era realmente o que ele queria. O que não conseguia compreender era como foi parar nas mãos dela. — Eu achei na cachoeira, enquanto tomava banho. — Disse Iracema. — Se isto é de extrema importância para Midori Watanabi, esta índia que vos fala dará o que ele quiser, porque... — Ela cora na hora de falar. Midori sentiu um pouco de pena em ter que pegar aquele cristal dela. Parecia que era o seu talismã ou talvez seu instrumento de sorte. De repente, um raio de fogo ia atingir os dois. Ambos foram espertos em perceber, mas Midori foi ágil. Ele se joga em cima dela a protegendo e depois que o raio passou, ele olhava para quem teria atirado e depois para a índia. — Você está bem? — Indaga o rapaz. Iracema volta a ficar vermelha. Estava com Midori em cima dela, com o rosto quase próximo. Ele então saía de cima e a levantava. — Midori Watanabi. Você é mesmo um "galinha" hahahahahaha! — Aquele mesmo demônio aparecia e estava emanando em chamas. — Quem é você? — Indaga Midori, estando na frente de Iracema, que ainda estava com o Cristal do Fogo em mãos. O rapaz sabia que ele queria o artefato e estava mirando na índia. Se colocando na frente dela, iria protegê-la. — Eu sou Yashiro Takahashi, o demônio do Olho n***o. Midori se surpreende. Hu chegou a comentar sobre ele e agora, estaria em sua frente, ameaçando a vida de Iracema, sua nova amiga. Não podia deixar isso acontecer. Tinha que fazer algo para protegê-la. — Iracema, eu quero que você corra ao máximo longe daqui. Livre-se desse demônio. — Olhava para aquele que talvez seria o seu adversário. — Eu irei enfrentá-lo. Iracema fazia aquela expressão de donzela e dizia: — Tome cuidado, Midori Watanabi. O rapaz piscava para ela. — Não se preocupe. Eu terei — Dizia. A índia então corria ao máximo que podia. — Eu não vou permitir! — Yashiro lança um raio de fogo na direção da índia. No entanto, Midori aparece de repente e rebate o raio, o lançando para o alto. Não queria que batesse nas matas, pois poderia causar um incêndio. Isto era preocupante, mas não era momento de fraquejar. Algo devia ser feito a respeito disso e eles iriam começar a lutar. — Se quiser o Cristal de Fogo, terá que passar por mim primeiro. — Disse Midori. Yashiro olhava para o rapaz e gargalhava. — Corajoso como sempre, rapaz. — Responde Yashiro, que lança vários raios de fogo em Midori. Este nada fez, já que fogo não lhe surtia efeito. No entanto, ele foi empurrado e ainda sentia as queimaduras. Caía no chão e estava sentindo dores no peito. Era uma dor intensa. Nunca havia sentido antes. — Você até conseguiu se acostumar com o fogo, mas não com as chamas do inferno! — Yashiro lança um raio de fogo ainda mais forte. Midori se vê obrigado em se esquivar e assim faz. Ele pula bem alto e concentra energia em seu punho, onde iria aplicar em Yashiro. Este percebe sua façanha e nada fez. Deixou que levasse o soco e depois, um chute na barriga. Midori fazia sua posição de luta, mas não conseguia entender por que ele não se esquivou ou se defendeu do seu ataque. Poderia ter feito isso. Yashiro se levanta, mas parecia tudo bem com ele, tanto que estava sorrindo perante o seu adversário, como se nada tivesse acontecido. Midori não conseguiu compreender. Seu soco não surtiu efeito? Decidiu atacá-lo novamente e partia para cima, usando sua velocidade. Dava vários socos e chutes, mas Yashiro não se esquiva de nenhum. Por que ele não fazia isso? Midori se afastou e estava assumindo de novo sua posição de luta sem entender o que estava acontecendo. — Só isso? Esperava mais de Midori Watanabi! Hahahahaha! — Debochava Yashiro. — "Tem alguma coisa errada, mas não sei o que pode ser."— Pensava o rapaz. Midori lutava contra Yashiro, da mesma forma que Iracema terua fugido com o Cristal do Fogo. Era dever do rapaz proteger a índia, para evitar algo pior contra ela, por isso se sentia na obrigação de lutar contra o demônio. Será que ele vai vencê-lo, sendo que até mesmo encontra dificuldades?
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