Eles me disseram que o pão era o corpo da Salvação. E qual seria o corpo despido dos trapos do que é sensível - existindo mesmo assim? E se eu misturasse o pão com a alma humana? Esta alma que é o simples esfarelo das migalhas do visível. E se eu misturasse o pão com o assassinato intuído, planejado, metódico, prático, e o comesse - o devorasse como um animal? Vestindo...
Algo, eternamente algo. O que quer que seja Criado por mim.
O Fausto pentagrama, em órbitas de cinco pontas, A mesma forma incompleta
Onde a falta de uma aresta
Passou-lhe a servir de porta.
Eu trabalhava em um laboratório que desenvolvia embriões para casais inférteis. Com fervor eu os produzia e hoje me assola este pensamento sobre o pão como a transmutação do que é material para o que é espiritual.
Fiz o mesmo, exatamente o mesmo. Quebrei uma das provetas. E despejei o minúsculo feto no pão, desmembrando, sem confusão,
O corpo que já não era mais
Para a mordida do que viria a ser... dentro de mim.
E quando os meus superiores me perguntaram perplexos o que eu estava fazendo. Eu lhes disse; com um Sol gigante brilhando no meio da testa:
‘Transmutando.”
Era tarde. Naquele mesmo instante, físicos copiavam o método - utilizando outro tipo de substância; Plutônio, carregando todos os elefantes do mundo reduzidos a uma equação mais elegante.
E= mc2
Pães dançantes, estes contos de fadas, átomos amigos - eu não os tenho, quero dizer, tenho poucos. Nunca os encontro. Até que esta porta que se abre atrás de ti, te sugue de volta para o útero de tua própria escuridão.
Como as estrelas, físicas e biológicas, você se tornará um ponto inerte, apenas um ponto permanecendo ali. Voltando a brilhar.
Estás com saudade?
Então;
Um dia chamarão este portal
Daquilo que te leva para uma vida além.