— O sortudo é o novo médico? Arrisquei, tirando as minhas próprias conclusões.
— Não. Quando eu estava indo para o posto eu tive uma vertigem e então ele me ajudou. Ele me pegou no colo e me carregou até a sala do médico. Não é romântico? O nome dele é Jonas.
Mordi os lábios em concordância.
— Pelo menos ele tem um nome normal. Comentei, lembrando da época em que minha mãe namorou um homem chamado Tiburcio. Eu nem sabia que esse nome existia até conhecer o pretendente. Dei uma risadinha ao ver a expressão pouco amigável da minha mãe. —Ainda bem que vocês dois não deram em nada. Acrescentei. Não era segredo, e era verdade, que Tiburcio não era exatamente um bom partido.
— Concordo plenamente. Disse outra voz.
Olhei para o homem que se aproximou da mesa de costas para minha mãe. Ela teve que virar a cabeça para olhá-lo, e mesmo assim, aquele sorriso adolescente voltou ao seu rosto. Isso me deu o sinal para me levantar. A minha mãe fez o mesmo logo em seguida. Ele a cumprimentou com um beijo casto na bochecha, o que considerei educado. Outros não hesitaram em beijar a mulher que me trouxe ao mundo bem na minha frente.
"Meu Deus, mãe", pensei, observando-o com mais atenção. Eu não sabia que a minha mãe tinha tanto bom gosto. Ela nunca tinha namorado um homem tão bonito. Embora, sejamos honestas, quem não se apaixonaria por um Adonis desses? Mas eu não era do tipo que aceitava o namorado da minha mãe apenas pela aparência.
— Karen, este é o Jonas. Jonas, minha filha. Ela nos apresentou com naturalidade, como a especialista que era nessas situações.
Querendo manter distância, estendi a mão. Sim, eu estava impressionada com a aparência do homem. Ele era o típico quarentão atraente que chamava a atenção, então presumi que fosse convencido. Dei-lhe um sorriso educado, tentando ser legal, e embora qualquer outra pessoa também se impressionasse, insisto: ele não me conquistaria com a aparência. Na verdade, isso me deixou desconfiada. Esse tipo de cara não era confiável. Era o tipo que pulava de uma mulher para outra. E ele era da comunidade. Podia ser um bandido. Ele parece um traficante de série de tv. Espantei os pensamentos. Acho que a minha mãe não seria tão louca.
Jonas apertou minha mão com firmeza, mas delicadamente, apertando-a na medida certa. Sua mão parecia forte e era maior que a minha. Estava quente ao toque. Percebi que meu olhar estava fixo em nossas mãos e ousei olhar para o seu rosto, apenas para encontrá-lo me encarando com um sorriso educado. Soltei a sua mão lentamente para não parecer rude. Que droga! Desde quando me importo com o que os pretendentes da minha mãe pensam de mim? Eu sempre me mantive neutra — beirando a indiferença — até conhecer melhor a pessoa e decidir se ela merecia ou não minha compaixão.
Nós três nos sentamos, e Jonas notou os coquetéis quase vazios na mesa.
— Decidiram começar sem mim? Seus olhos azuis brilharam de divertimento enquanto ele chamava a atenção de um garçom para pedir um copo de uísque com gelo. Imediatamente imaginei um Jonas mais jovem, com aquele mesmo sorriso travesso e o mesmo olhar. Um bad boy, sem dúvida aquele típico rebelde que parte seu coração justamente quando você pensa que não consegue viver sem ele. Pelo menos, era assim que eu o imaginava vinte anos mais jovem.
Nós três tivemos uma conversa descontraída, sem perguntas, o que eu apreciei silenciosamente. Alguns ex-namorados da minha mãe me abordaram no primeiro encontro, numa tentativa desesperada de fingir interesse e ganhar minha aprovação. Patético.
Durante o bate-papo leve, tentei identificar a cor dos olhos do Jonas, às vezes pareciam cinzentos como um céu tempestuoso, outras vezes eu achava que os via azuis como um par de águas-marinhas cintilantes.
Quase uma hora depois de nos conhecermos, Jonas pediu o cardápio para que pudéssemos ver a variedade de pratos disponíveis para o jantar. Apesar do enorme alívio de poder me divertir com minha mãe e seu novo amor em vez de ficar presa naquele quarto de hotel, a lembrança de Roberto persistia, e meu apetite ainda não havia retornado. Não era nenhum consolo ver um relacionamento começar diante dos meus olhos enquanto o meu havia terminado, por mais feliz que eu estivesse pela minha mãe.