Dante continuou observando aquela mulher.
Ela não parecia uma pessoa que tinha entrado naquela sala por impulso.
Ela parecia alguém que já tinha tomado uma decisão há muito tempo.
Sara cruzou os braços.
— Quero fazer um contrato com vocês.
O silêncio tomou a sala.
Vittorio ergueu uma sobrancelha.
— Um contrato?
— É.
Dante se inclinou um pouco para frente.
— Diga, dona.
Ela respirou fundo.
— A princípio, penso em um ano. Se tudo der certo, podemos aumentar esse período.
Um sorriso de canto apareceu no rosto de Gael.
— Um ano?
— Sim.
— E o que exatamente você quer de nós durante esse tempo?
Sara encarou os dez homens.
— Proteção.
Alguns deles trocaram olhares.
Alejandro soltou uma risada baixa.
— O que uma ruiva tão bonita quanto você fez para precisar da proteção de dez homens como nós?
Ela permaneceu séria.
— Isso não importa.
— Existe polícia para isso — Leon comentou. — Ou poderia contratar qualquer equipe de segurança.
Sara negou com a cabeça.
— Eu não quero seguranças comuns.
Ela deu um passo à frente.
— Eu quero os piores homens que existem na face da Terra.
A frase fez o ambiente ficar ainda mais pesado.
Nikolai sorriu de lado.
— Então você veio até aqui pedir que nós sejamos suas babás?
Sara levantou uma sobrancelha.
— Não.
Ela olhou para ele.
— Acho que guarda-costas é um termo mais bonito, não acha?
Pela primeira vez, alguns deles sorriram.
Dante observava aquela coragem com curiosidade.
— Bem ousada você, ruiva.
— Um pouco.
Ela respirou fundo.
— Meu nome é Sarah Santos.
Uma pausa.
— Estou disposta a pagar meio trilhão para libertar todos vocês.
O sorriso desapareceu.
Todos ficaram atentos.
— Meio trilhão? — Marco perguntou.
— Sim.
Vittorio se levantou devagar.
— Esse é o valor que estão cobrando para tirar a gente daqui?
— Sim.
A sala ficou em silêncio.
Dante estreitou os olhos.
— E o que garante que depois que formos libertados nós vamos continuar com você?
Sara não hesitou.
— O contrato.
Ela colocou uma pasta sobre a mesa.
— Nós vamos assinar antes da libertação.
Gael pegou a pasta e abriu.
— Então, se fugirmos, você manda colocar a gente de volta na jaula?
Sara balançou a cabeça.
— Não.
Todos olharam para ela.
— Não?
— Não preciso prender ninguém.
Ela fechou a expressão.
— Eu não quero prisioneiros. Eu quero pessoas que escolham ficar e cumprir o acordo.
Aquilo chamou a atenção deles.
Porque eles estavam acostumados com medo.
Não com confiança.
Dante fechou a pasta.
— Então o que você oferece além do dinheiro?
Sara respondeu:
— Tudo que vocês precisarem.
Eles ficaram em silêncio.
— Roupas novas. Um guarda-roupa completo. Relógios. Joias. Celulares. Carros.
Ela olhou para cada um.
— Se precisarem de qualquer coisa, terão.
Alejandro cruzou os braços.
— E se quisermos sair da sua mansão?
— Poderão sair.
— Para resolver assuntos particulares?
— Sim.
— Sem vigilância?
— Sem correntes.
Aquela palavra ficou no ar.
Dante encarou Sara.
— Então não seremos prisioneiros?
Ela negou.
— Não.
Sua voz ficou mais baixa.
— Eu não preciso de prisioneiros.
Um silêncio estranho tomou conta da sala.
Então Enzo falou:
— Você carrega algo pesado por trás desse olhar.
Por um segundo, a expressão dela mudou.
Mas rapidamente ela desviou o rosto.
Não era hora.
Eles não precisavam saber.
Ainda não.
Sara voltou a encará-los.
— O que vocês querem em troca?
Ninguém respondeu imediatamente.
Ela continuou:
— Pela proteção. Pelo contrato de um ano.
Ela colocou as mãos sobre a mesa.
— Me digam o que querem.
Dante caminhou até ficar de frente para ela.
A diferença de tamanho entre os dois era enorme, mas Sara não recuou.
— Você está disposta a dar qualquer coisa?
— Se estiver dentro do acordo, sim.
Ele analisou aquela mulher por alguns segundos.
A maioria das pessoas entrava naquela sala implorando.
Ela entrou oferecendo uma fortuna.
— Então temos um problema, Sarah Santos.
Ela franziu a testa.
— Qual?
Dante sorriu levemente.
— Pela primeira vez em muito tempo...
Ele olhou para os outros nove homens.
— Nós não sabemos o que pedir.