Sara fechou a pasta do contrato e se levantou.
Os dez homens permaneceram em silêncio, observando cada movimento dela.
Ela não parecia uma mulher tentando convencer ninguém.
Parecia alguém que já tinha aceitado qualquer resposta que recebesse.
— Pensem.
A voz dela ecoou pela sala.
— Pensem muito bem se vocês realmente querem isso.
Dante estreitou os olhos.
— E depois?
Sara pegou sua bolsa.
— Depois vocês me ligam.
Alguns deles soltaram uma risada curta.
Gael inclinou a cabeça.
— Te ligar?
Sara abriu a bolsa e tirou dez caixas pequenas.
Uma para cada homem.
Ela colocou a primeira na mesa.
Depois a segunda.
E a terceira.
Até que os dez perceberam o que era.
Celulares.
Novos.
Lacrado.
Ela entregou um para cada um.
O silêncio foi imediato.
Marco olhou para a caixa na mão.
— Você está brincando?
Ele levantou os olhos para ela.
— Você está dando celular para gente dentro de uma prisão?
Vittorio soltou uma risada sem humor.
— Você sabe o risco disso?
Sara continuou entregando os aparelhos.
— Sei.
Leon analisou o celular.
— Você tem acesso à nossa ficha.
— Tenho.
— Você sabe quem somos.
— Sei.
Nikolai deu um passo à frente.
— Sabe o que podemos fazer com isso?
Sara olhou para ele.
— Sei.
Ele segurou o celular.
— Podemos ligar para alguém.
Uma pausa.
— Podemos mandar alguém organizar uma fuga.
O silêncio ficou pesado.
Todos esperavam que ela demonstrasse medo.
Mas Sara apenas sorriu levemente.
— Eu sei.
Dante ficou encarando ela.
— Então por que está fazendo isso?
Ela respondeu:
— Porque estou dando a vocês uma escolha.
Eles ficaram em silêncio.
— A liberdade está nas mãos de vocês.
Sara olhou para os dez.
— Se vocês acharem que vale mais a pena ligar para um antigo aliado, mandar seus homens invadirem esse lugar e fugirem...
Ela deu de ombros.
— Façam.
Aquelas palavras surpreenderam todos.
Ela não estava ameaçando.
Não estava tentando controlar.
Ela simplesmente estava confiando.
— Mas se decidirem que querem uma vida diferente...
Ela apontou para os aparelhos.
— Vocês sabem onde me encontrar.
Sara tirou dez cartões da bolsa.
Um para cada um.
Colocou na mão deles.
— Aqui está meu número.
Dante pegou o cartão.
— E você acha que os guardas vão deixar isso passar?
Ela sorriu de canto.
— O celular já tem chip registrado para cada um de vocês.
Ela apontou para a caixa.
— Só precisam ativar.
Gael abriu a tampa da caixa lentamente.
— Você realmente pensou em tudo.
— Eu precisava.
Vittorio olhou para ela.
— E os guardas?
Sara respondeu calmamente:
— Relaxem.
Uma pausa.
— Eles não vão tirar os aparelhos de vocês.
Os dez ficaram surpresos.
— Eu já resolvi isso com o diretor.
Ela colocou a bolsa no ombro.
— Ninguém vai tocar nos celulares.
Por alguns segundos, ninguém falou nada.
Então Sara caminhou até a porta.
Antes de sair, ela parou.
— Pensem.
Ela olhou por cima do ombro.
— Se quiserem mandar mensagem, mandem.
Uma pausa.
— Se não quiserem, tudo bem.
Ela abriu a porta.
— Pelo menos eu tentei.
E então saiu.
A porta de metal fechou atrás dela.
Deixando os dez homens sozinhos naquela sala.
Pela primeira vez em anos, eles tinham algo que quase nunca tiveram.
Uma escolha.
Dante olhou para o celular em sua mão.
Depois para o cartão com o nome dela.
Sarah Santos.
— Ela é louca.
Gael soltou uma risada baixa.
— Ou muito corajosa.
Nikolai encarou a porta fechada.
— Ela entregou a própria chance de ser traída.
Leon olhou para o aparelho.
— Ela sabe exatamente quem somos.
Um silêncio.
Então Enzo falou:
— E mesmo assim escolheu a gente.
Dante ficou olhando o cartão.
Aquela mulher escondia alguma coisa.
Ele tinha certeza.
Ninguém oferecia uma fortuna, uma casa e liberdade para dez monstros sem ter um motivo.
Mas, pela primeira vez em muito tempo...
Eles ficaram curiosos para descobrir qual era.
A madrugada tinha tomado conta do presídio.
A ala onde os dez homens estavam presos normalmente era silenciosa.
Mas naquela noite era diferente.
Pela primeira vez em muito tempo, havia luzes acesas, telas brilhando e homens perigosos demais para aquele lugar tentando entender uma única pessoa.
Sara Santos.
Cada um estava com o celular na mão.
Eles já tinham ativado os aparelhos, registrado os números e salvo os contatos.
Um grupo com os dez nomes já existia.
E o contato dela estava salvo em todos.
Sarah Santos.
Dante estava sentado na cama de concreto, olhando a tela.
Nada.
Ele pesquisou novamente.
Nada.
Vittorio fez o mesmo.
— Não tem p***a nenhuma.
Gael levantou o olhar.
— Como assim nada?
— Nada sobre ela. Nenhuma notícia. Nenhuma foto. Nenhuma empresa. Nenhuma família. Nada.
Marco passou a mão no cabelo.
— Isso não existe.
Ele digitou novamente.
Sarah Santos.
Nenhum resultado.
Sara Santos empresária.
Nada.
Sara Santos mansão.
Nada.
— Essa mulher simplesmente não existe na internet — Leon falou.
Nikolai soltou uma risada baixa.
— Ou ela é muito boa em esconder rastros.
Enzo olhou para o celular.
— Ou esse nem é o nome dela.
O silêncio caiu.
Dante ficou olhando para a tela.
— Ela mudou de identidade.
Todos olharam para ele.
— Tem certeza?
Ele colocou o celular de lado.
— Uma pessoa com dinheiro para comprar uma ilha, ter jato particular, mansão, carros blindados... alguém assim teria algum histórico.
Ele estreitou os olhos.
— Mas ela não tem nada.
Gael encostou na parede.
— Então o que vocês acham que aconteceu?
Ninguém respondeu de imediato.
Até que Klaus falou:
— Alguma coisa grande.
Todos olharam para ele.
— Uma mulher não procura dez homens como nós sem motivo.
Ele respirou fundo.
— Talvez ela tenha sido sequestrada.
Uma pausa.
— Talvez tenha sido torturada.
O ambiente ficou mais pesado.
— Fugiu.
Vittorio completou:
— Mudou de identidade.
Klaus assentiu.
— E agora quer proteção.
Marco encarou o celular.
— Mas se foi isso, por que ela não fala?
Dante respondeu:
— Porque ela não confia.
A frase ficou no ar.
Gael soltou uma risada sem humor.
— Engraçado ouvir isso.
Ele olhou para os outros.
— Uma mulher que entrega celular para dez criminosos dentro de uma prisão não confia na gente?
Enzo deu um sorriso de canto.
— Ela confia na nossa capacidade de proteger ela.
Nikolai balançou a cabeça.
— Ou ela está desesperada.
Alguns minutos se passaram.
Até que Marco quebrou o silêncio.
— Vou falar uma coisa e vocês não vão zoar.
Todos olharam para ele.
— Eu gostei da ruiva.
Um segundo de silêncio.
Depois Gael começou a rir.
— c*****o.
Marco deu de ombros.
— Que foi?
— Você? Gostando de alguém?
— Ela é diferente.
Ele olhou para o celular.
— Linda, inteligente, tem coragem pra caramba.
Um sorriso apareceu.
— E manda dez mafiosos escolherem se querem liberdade ou continuar presos. Quem faz uma merda dessas?
Vittorio soltou uma risada.
— Realmente.
Gael pegou o próprio celular.
— Vou ser sincero também.
Ele mostrou o contato dela.
— Eu gostei.
Leon ergueu uma sobrancelha.
— Você também?
— Qual é? A mulher entrou naquela sala sozinha.
Ele balançou a cabeça.
— Isso não é normal.
Dante ficou em silêncio.
Mas todos perceberam.
Ele também estava pensando nela.
— E outra coisa — Enzo falou. — Vamos pensar friamente.
Todos olharam.
— Ela está oferecendo liberdade.
Ele apontou para o celular.
— Uma casa.
Outro ponto.
— Dinheiro.
Mais um.
— E um novo começo.
Nikolai riu.
— Para dez homens como nós?
— Exatamente.
Enzo encarou todos.
— Vamos ser honestos. A gente já perdeu muita coisa.
Silêncio.
— Nossos nomes são sinônimo de problema.
Ele olhou para a cela.
— Talvez essa seja a primeira vez que alguém olha para nós e pensa em utilidade, não só em destruição.
Dante ficou parado.
Ele sabia que todos ali tinham sangue nas mãos.
Sabia o tipo de homens que eram.
Mas também sabia que aquela prisão tinha acabado com uma parte deles.
Gael falou baixo:
— Uma mansão daquela.
Ele sorriu.
— Piscina, academia, carros blindados...
Marco riu.
— Bebida liberada.
Vittorio completou:
— E uma ruiva mandona dizendo que não quer controlar ninguém.
Eles riram pela primeira vez naquela noite.
Mas depois o silêncio voltou.
Porque todos sabiam a verdade.
Nada era de graça.
Nunca foi.
Dante olhou para o cartão dela mais uma vez.
— Ela está escondendo alguma coisa.
Todos concordaram.
— Mas nós também escondemos.
Ele levantou o olhar.
— Talvez seja por isso que ela escolheu a gente.
Gael sorriu.
— Então?
Dante ficou alguns segundos em silêncio.
Depois guardou o cartão.
— Amanhã vamos descobrir mais sobre Sarah Santos.
Uma pausa.
— E vamos ver se a ruiva realmente sabe no que está se metendo.
Porque pela primeira vez...
Dez monstros estavam pensando em aceitar uma missão.
Não por dinheiro.
Não por medo.
Mas pela curiosidade de descobrir quem era a mulher que teve coragem de bater na porta da cela deles e oferecer liberdade.