Capítulo 3- GATILHOS

2119 Words
Eu não soube o que dizer. Meu coração ainda batia acelerado, e o gosto amargo da culpa já começava a tomar conta de mim. Klaus, por outro lado, recuperou a compostura com a facilidade de quem estava acostumado a esconder seus sentimentos. Ele olhou para Nicholas com a expressão de sempre — firme, inabalável. —Encontrei Amerie aqui, na praia, disse Klaus, a voz sem nenhum traço do turbilhão que eu sabia que ele também sentia. —Ela estava... passando por um momento difícil, então fiquei para ajudá-la a se acalmar. Nicholas, inocente e cheio de boas intenções, se aproximou e me puxou para um abraço apertado. —Senti tanto a sua falta. Você estava bem? Assenti, tentando não deixar transparecer a confusão que me consumia. —Sim, eu só... precisava de um tempo sozinha. —Entendo. Nicholas me deu um sorriso reconfortante e me beijou na testa, exatamente como havia feito na noite anterior na galeria. O gesto, que antes parecia tão doce, agora trazia consigo um peso que eu m*l conseguia suportar. Klaus observava tudo em silêncio, seus olhos traiçoeiros me lançando olhares que Nicholas nunca entenderia. Quando ele finalmente se despediu para voltar à casa, a tensão entre nós dois parecia quase palpável. —Vou deixá-los a sós, Klaus disse, e havia algo na sua voz que me fez estremecer. Ele se afastou, caminhando lentamente de volta para a casa, e eu não conseguia afastar a sensação de que essa não seria a última vez que nossos caminhos se cruzariam daquela maneira. Nicholas, sem perceber nada do que havia acontecido, me segurou pela mão e começou a caminhar pela praia comigo, falando sobre o que poderíamos fazer durante as férias, quais praias visitar, onde jantar. Sua felicidade era tão genuína que eu me senti ainda pior por tudo o que havia acontecido, ou quase acontecido, entre Klaus e eu. Mas a verdade era que, por mais que eu quisesse ignorar o que havia sentido, era impossível apagar a tensão que agora existia entre nós. Não era apenas atração física, mas algo mais profundo e perigoso, algo que ameaçava não apenas meu relacionamento com Nicholas, mas também minha própria identidade. Quando finalmente voltamos para a casa, a noite já havia caído completamente. Nicholas estava exausto e logo subiu para o quarto, enquanto eu fiquei no estúdio que ele havia preparado para mim, olhando para as telas em branco e para as tintas esperando para serem usadas. Mas, por mais que tentasse me concentrar, a imagem de Klaus não saía da minha cabeça. Cada vez que fechava os olhos, sentia o toque de seus lábios na minha pele, a força do seu desejo misturado à culpa e ao desejo que eu também sentia. Afinal, o que seria de mim agora? O que eu faria com esses sentimentos proibidos que haviam surgido de forma tão inesperada e avassaladora? As tintas diante de mim, tão vibrantes e cheias de potencial, pareciam zombar da minha incapacidade de controlar a situação em que me encontrava. Cedi ao impulso e mergulhei na pintura, como se a única forma de exorcizar aqueles demônios fosse trazê-los à vida na tela. E conforme as horas passavam e a madrugada avançava, um quadro começou a tomar forma: uma mulher, dividida entre dois mundos, dois desejos, duas realidades. Ela estava perdida, como eu estava agora, mas havia algo de poderoso na sua expressão, como se ela soubesse que, de alguma forma, encontraria seu caminho. Eu só esperava que, quando o sol nascesse, eu também pudesse fazer o mesmo Acordo na cama sem saber como eu tinha ido parar lá, a última coisa que me lembro foi cochilar enquanto pintava o quadro na noite passada, ao me espreguiçar percebo que ainda tenho tinta nas mãos —Meu Deus, oque foi isso? —Eu que te pergunto Amerie, você estava tão concentrada ontem meu amor, pintando aquele quadro, que acabou dormindo sentada, parecia um anjinho, eu te peguei no colo e te trouxe pra cá Nico me responde, deitado ao meu lado na cama —Ah meu amor, porque não me acordou? Não precisava fazer isso, mas de qualquer jeito, eu te agradeço —Imagina meu amor, isso não foi nada, fora, que eu consegui tirar uma casquinha né, te pegando no colo... trocando sua roupa Ele diz com olhar sedutor e voz manhosa —Ei, seu pervertido O respondo sorrindo e ele também retribui com uma leve gargalhada —Bom, já que você foi tão, solicito ontem a noite, talvez eu devesse retribuir Digo com voz sedutora, chegando mais perto de nico, e depositando em seus lábios um selinho, ele então continua a investida me dando um beijo de língua delicioso, que eu retribuo no mesmo instante, sinto o calor do seu corpo se aproximando cada vez mais do meu, ele estava praticamente nu, apenas de cueca box, eu então em um rápido movimento, coloco minha mão para dentro de sua cueca, e percebo seu m****o já duro, e pulsando, começo a acaricia-lo e nico se assusta levemente —Então quem de nós é o pervertido agora em? —Acho que temos um empate Digo finalmente subindo em seu corpo e ficando por cima dele, rebolo minha i********e sobre a dele, e ele geme bem baixinho quase sem reação —c*****o você é muito gostosa Começo a beija-lo novamente agora completamente excitada até que somos interrompidos por alguém batendo na porta —Nico meu amor, acabei de preparar o café da manhã, vem comer com a mamãe filho Que merda, ela tinha que atrapalhar tudo não é? Apenas penso comigo mesma e Dou um leve suspiro de indignação acompanhada de Nico, que parecia mais frustrado que eu —Ta bom mãe, já estamos indo okay Ele responde com a voz embargada e eu finalmente desço do seu colo —Desculpa amor, a gente termina mais tarde, eu prometo Ele beija minha testa carinhosamente, e se levanta da cama, rapidamente se arruma e eu o acompanho, visto um vestido básico, e tento pentear meus cabelos rebeldes, mas eles insistem em encaracolar —Vem amor Nico me puxa para fora do quarto e finalmente em poucos minutos já estamos na cozinha, e Marta não estava mentindo quando disse que o café da manhã estava pronto, a mesa inteira foi coberta de pães, bolos, tortas, sucos, chá e café é claro, Klaus também está, mas está claramente tentando evitar contato visual comigo
E eu posso entender o porque, não sei porque fiz aquilo ontem, porque me abri com ele daquele jeito, eu sei que estava bebada, mas isso não justifica nada, a todo instante eu tento enterrar cada vez mais fundo a leve atração que sinto por ele, pois sei que é errado, é com o Nico que eu estou, e é com ele que eu vou ficar. —Bom dia Eu e Nico dizemos quase que em coro, e Marta nos responde —sentem-se por favor, ou o café vai esfriar Tento guiar meus passos mas parece que o destino está mesmo contra mim, e me faz sentar ao lado de Klaus, e na frente de Nico, e Marta fica de frente para Klaus Todos começam a se servir, com bolos e pães, e Marta tenta servir a todos com uma xícara de café, mas quando chega minha vez, eu coloco minha mão sobre a xícara e ela retribui com um olhar nada satisfeito —Obrigada Marta, mas eu não tomo café —Mas Vodka você toma não é mesmo? Ela dá um sorriso irônico me deixando completamente sem graça —Mae, que p***a é essa? Nico me defende nada sútil —Menino, olha como você fala comigo, eu sou sua mãe, e nada de palavrão nessa casa
E além de não tomar café, você também não toma banho não é ? Olha suas mãos, todas sujas de tinta, tenha modos —Eu admiro sua Sutileza com as palavras Marta, e com todo respeito eu estou aqui pelo Nico, Mas se atrapalho, me retiro sem problemas algum Digo me levantando e Nico se levanta junto comigo pegando no meu braço com força e mais uma vez respondendo sua mãe —MÃE, AGORA CHEGA!

Mas sua voz é rapidamente abafada pela de Klaus
Que também se levanta e grita com todos —PELO AMOR DE DEUS, BRIGA AS 07:00 DA MANHÃ? VOCÊS SÓ PODEM ESTAR BRINCANDO COMIGO, ACABEM COM ESSA MERDA, O DIA m*l COMEÇOU. NÃO QUERO PASSAR MINHA FOLGA ASSIM —KLAUS, EU DISSE SEM PALAVRÃO NESSA CASA Marta o responde nada feliz —Que se f**a Marta, palavrão não pode mas humilhar a menina a troco de nada pode? Deixe de ser hipocrita —Desculpe Klaus, isso tudo é culpa minha Digo cabisbaixa, tentando apaziguar a situação
e minha voz sai quase um sussurro de tão baixa —Sim, desculpe pai
Nico também o responde mais já é tarde O clima pesa na mesa e Klaus sai da cozinha pisando alto Não da dois minutos e Marta também se retira —Otimo, assim sobre mais pão, vem Amerie —Não Nico, eu agradeço mas pra mim também já deu... Saio da cozinha em direção a área externa e me deparo com a piscina enorme que eles tinham na casa, parecia um sonho de tão lindo Nico corre atrás de mim tentando me alcançar, e eu paro bem em cima de guarda sol e uma mesinha na beira da piscina, sento-me nela seguida de Nico —Ei, Amerie, oque tá acontecendo, eu sei que minha mãe é uma louca inconveniente e sem coração, mas você, não me parece estar bem também, desde ontem a noite, eu esperei para que você me contasse oque aconteceu direito, não queria te pressionar, mas, amor eu estou preocupado —Nico não foi nada —Porfavor me conta, eu não sei nada sobre você, não sei sobre sua história, seus pais, suas fraquezas, você nunca contou nada pra mim, eu não sei nada da sua vida antes de você conseguir o trabalho no bar, porque você não se abre comigo, porque você não me conta nada, porque você não me diz oque está sentindo? —Não tem nada pra saber Nico, olha eu não gosto de falar sobre meus pais okay? A única coisa que você precisa saber é que eu fugi de casa e fui pro Rio, e lá fiz minha vida, só isso —Amerie, se você não se abrir comigo, não vamos criar uma conexão de verdade entende amor? Eu te amo, e quero cuidar de você, me deixa fazer isso, você sabe sobre minhas dores, sobre meus medos, me deixe fazer o mesmo, me deixe saber os seus Nesse momento eu vejo Klaus se aproximar, Nico está de costas para ele, então apenas eu o vejo, ele me lança um olhar indecifrável, e entra novamente na casa —Eu só tenho medo de mim mesma Nico... Nico por fim desiste de me decifrar e Encerramos o assunto, eu não sei porque não consigo me abrir com ele, com Klaus ontem a noite pareceu tão fácil, as palavras apenas saíram da minha boca sem qualquer dificuldade. Mas com o Nico, sinto que tem algo que me trava, algo que não consigo compreender Nico decide que quer fazer as pazes com todos, e nos chama para dar um passeio na praia de Saquarema, que era linda por sinal
Coloco meu biquíni e minha saída de praia e vou ao encontro de todos Chegamos na praia e Klaus fez questão de pagar o melhor quiosque para nós Estávamos todos curtindo a maresia. Ouvindo o som das ondas baterem, as crianças brincando, e as pessoas dançando
A praia felizmente estava muito movimentada, por alguns instantes Nico se distancia, e eu não o vejo mais, tento o procurar com os olhos pela multidão mas ele não está —Aonde ele se meteu? Penso comigo mesma, mas antes que eu pudesse sair para procurá-lo, o vejo voltando com uma bandeja cheia e um sorriso largo de o orelha a orelha, meu corpo inteiro paralisa ao ver oque ele tinha trago —Gente vocês não vão acreditar, naquela banquinha ali do lado, estavam vendendo pastel frito e caldo de cana, 2 por 10 o combo, eu tive que comprar, nossa que delícia, pega o seu amor Ele diz colocando a bandeja em cima da mesa e direcionando um copo de garapa pra mim, e eu simplesmente travei completamente, meu corpo inteiro congelou, eu fiquei totalmente sem reação, desesperada, e consegui apenas olhar para Klaus quase clamando em desespero, aquele gatilho era forte de mais pra mim, e Nico jamais sonharia com isso, eu tentei a todo custo segurar o choro mas uma lágrima insistiu em descer pelo meu rosto
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