Prólogo
Egito, 3500 aC. Um homem corre em meio a uma tempestade de areia, mas pela sua expressão, não era exatamente da tempestade que ele tinha medo. Ele segurava uma bolsa de couro e buscava a todo custo protegê-la, então olhou para trás e mesmo com a tempestade ocultando tudo ao seu redor, ele via luzes vindo em sua direção, até que sem alternativa, o homem decidiu soltar a bolsa no meio do caminho e prosseguiu. Ao olhar para trás ele viu que as luzes pararam no exato local em que ele havia deixado a bolsa, mas percebeu que elas começaram novamente a segui-lo. O homem corria sem direção quando caiu em um poço vazio onde ali ficou até a tempestade passar. Seu nome era Nephate, um rico comerciante egípcio que vivia na antiga cidade de Karnak, muito visitada pelo Faraó daquela época.
Nephate ficou no fundo daquele poço e percebeu que o Sol brilhava forte o que confirmou que a tempestade havia passado, mas por ter se machucado na queda e o poço ter uma profundidade considerável, ele não conseguiu sair sozinho. Foi quando um grupo de nômades que procurava água parou diante do velho poço e jogou uma corda com um balde de madeira, Nephate teve medo a princípio, pois pensava que fossem seus perseguidores, mas ao ver que eram pessoas como ele, pediu socorro e o grupo o tirou do poço. O homem seguiu com os nômades até a cidade de Karnak, morada do comerciante. Nephate era rico, mas tinha um gosto ávido por aventuras, ele sempre trazia artefatos diferentes de suas expedições extravagantes. Mas aconteceu que dessa vez ele foi muito além do que sempre costumava ir, tanto que passou meses fora, fazendo com que sua família pensasse que ele havia morrido nesse período. Ele chegou à sua casa e foi recebido com alegria por sua esposa e filhos, no entanto Nephate parecia estar preocupado com alguma coisa.
Algumas semanas se passaram e a cidade estava agitada por conta da visita do Faraó. Nephate preparou tudo em sua loja para mostrar ao rei o que ele havia conseguido na última expedição e assim aconteceu, o Faraó chegou e como de costume foi visitar as ruas da cidade. Parando de loja em loja, o rei chegou até ao estabelecimento de Nephate e este lhe mostrou vários objetos, mas nenhum chamou a atenção do Faraó, o que deixou o comerciante triste. Ele voltou para casa e sua esposa notou sua tristeza, questionado sobre o que poderia ter acontecido, Nephate a tranquilizou dizendo ser apenas uma leve dor de cabeça. No dia seguinte ele foi até o palácio da cidade com um embrulho nas mãos e disse aos guardas que queria falar com o Faraó, os guardas ignoraram, mas Nephate disse que se o rei descobrisse do que se tratava, mas que seus guardas o impediram de saber em primeira mão, as cabeças de todos eles iriam rolar. Os guardas se entre olharam e deixaram o homem passar após uma rigorosa revista. Eles viram tudo, menos o que estava no embrulho carregado por Nephate.
Na presença do Faraó, o comerciante estava tenso e o rei olhou para ele perguntando qual o assunto urgente tinha para tratar com seu soberano, Nephate olhou para todos os lados na sala do trono e viu os sacerdotes do rei olhando para ele de forma estranha. Nephate sabia que um passo em falso ele poderia ser morto, já que o Faraó não tolerava que alguém o fizesse de bobo, por isso àquela altura, mesmo que quisesse, ele não poderia mais voltar atrás. Nephate disse que o que tinha em mãos era o que havia de mais maravilhoso que um homem poderia levar na presença do rei. O faraó ficou curioso e ordenou que ele o mostrasse imediatamente, Nephate abriu o embrulho e mostrou um objeto que emitia um tipo de luz incomum para aquela época. O objeto tinha a forma do arco de um espelho e as luzes em sua extremidade brilhavam de forma tão intensa que iluminou toda a sala do trono. O rei ficou pasmo achando que se tratava de magia, mas Nephate contou que aquilo era algo muito além de mitos e lendas, era real e que pertencia a um povo que mais pareciam deuses e que esse mesmo povo chamava aquele objeto, bem como muitas outras coisas de “tecnologia”.
Nephate ganhou a confiança do Faraó e contou como ele havia encontrado o tal objeto. Ele mencionou um caminho traçado pelas cavernas que ficam abaixo do deserto e que a jornada durava dias noites, cerca de duas luas. No final da caverna ele encontrou uma a******a que dava direto em uma floresta no alto de uma montanha, de onde da mesma se podia observar uma enorme cidade branca. O rei pediu a Nephate que descrevesse com exatidão em um pergaminho a forma de se chegar a essa cidade misteriosa, o comerciante assim o fez, mas o Faraó não tinha intensão alguma de dividir com ele os despojos dessa conquista e mandou assassiná-lo. No entanto o comerciante foi mais esperto e desenhou o mapa com as descrições erradas e entregou ao rei, mas ele deixou o pergaminho verdadeiro com seu filho e uma tabuleta com escritas estranhas trazidas da cidade misteriosa. Nephate disse ao filho que quando ele morresse, colocasse o mapa e tabuleta em sua tumba, pois aquele era um segredo que jamais deveria ser descoberto. O rapaz fez conforme seu pai lhe havia ordenado, sem que o Faraó soubesse, ele enterrou o mapa e o artefato juntamente com Nephate, o Faraó ordenou que um pelotão do seu exército fosse atrás da cidade perdida, mas tudo o que encontraram foi um vale muito longe do caminho certo e assim o segredo da cidade dos deuses ficou guardado juntamente com Nephate até os dias de hoje.