Dias frios

1300 Words
Lindsay ainda viu seus pais entrarem no carro, era para eles terem retornado para casa, mas não foi bem assim. No meio do trajeto, um motorista embriagado acabou perdendo o controle de seu carro e ocasionou uma colisão frontal com o carro em que estavam os pais de Lindsay, sua festa acabou, ela saiu correndo dali e foi levada por um de seus amigos chamado Daniel até o hospital onde estava sua família. O tio mais novo de Lindsay, Kael foi quem falou com ela primeiro, ele não havia ido à festa da sobrinha por causa de uma cirurgia que teria de realizar naquele mesmo dia. ― Tio, por favor, como estão os meus pais? ― ela perguntou bastante nervosa. ― Por estão demorando tanto a me dar notícias? ― Calma filha! ― Kael olhando para Lindsay. ― Sua mãe está bem, infelizmente ela fraturou a perna esquerda e o pulso direito. Agora o seu pai... ― O que aconteceu com o meu pai? Tio por favor, fala alguma coisa! ― nesse momento Lindsay começou a se desesperar. ― Eu não posso perder meu pai, tio! Daniel que gostava muito de Lindsay foi até ela e a amparou, Kael mais uma vez pediu a ela para que ficasse calma. ― Ele está vivo, Lindsay, mas seus danos foram maiores do que os de sua mãe. Não sabemos quase nada, mas ele vai ter que passar por uma cirurgia. Vamos ter fé, seu pai é forte e vai sair bem de mais essa! ― Kael concluiu dando um abraço em sua sobrinha. Nesse momento Durval foi conduzido para a sala de cirurgia, ele estava com uma pequena hemorragia interna, mas estava consciente. Lindsay ainda conseguiu falar com Durval, ela segurou sua mão e disse a ele que o amava muito, Durval então respondeu que amava muito a filha e que ela era o seu tesouro mais valioso, ele também ressaltou que sairia daquela situação por amor a ela e a sua mão. Lindsay não aguentou a emoção e chorou copiosamente abraçada a Kael e Daniel enquanto seu pai era levado. A cirurgia duraria cerca de três horas, Lindsay foi para o quarto onde estava sua mãe. As duas estavam bastante emocionadas com tudo o que estava acontecendo, mas Amanda confortou a filha dizendo o mesmo que Kael. ― Quando eu conheci seu pai ele estava aos frangalhos. A morte de Martha o deixou sem chão, ele a amava muito e eu ainda pude ver um pouco desse sofrimento, mas a força daquele homem me motivou, como uma fênix ele conseguiu se levantar das cinzas e criar um mundo totalmente novo ao redor dele. ― ela sorriu. ― Agradeço por poder fazer parte desse mundo e ele me deu você, mais um feito enorme de seu pai. Por isso eu digo para você não ficar assim, Durval vai voltar para nós você vai ver. ― Acredito na senhora, mãe e acredito no meu pai também! Acontece é que eu não sei se saberia viver sem um de vocês! ― Lindsay abraçando sua mão com cuidado. ― Eu só quero que ele volte para a gente. Três horas depois, Kael foi até o quarto de Amanda para falar que a cirurgia havia terminado. ― E ai como? ― Lindsay perguntou ansiosa. ― Meu pai está bem? ― A cirurgia foi um sucesso, mas Durval sofreu uma fratura considerável na coluna. Vamos ter que aguardar ele acordar para saber mais detalhes. ― Kael falou um tanto tristonho. Gael também estava no hospital, ele estava muito preocupado com o irmão e não hesitou em dar um abraço em Lindsay. Também se ofereceu para ajudar as duas seja no que fosse. Amanda agradeceu, mas disse que tudo iria ficar bem com ela e com Lindsay. *** Na manhã seguinte Durval acordou e sua filha foi a primeira a ir ao CTI onde ele estava. Lindsay segurou na mão do pai e deu-lhe um beijo em sua testa, mesmo sabendo que não era prudente de se fazer. ― Eu tive tanto medo de que você não voltasse pra gente. ― Lindsay com lágrimas nos olhos. Seu pai apenas olhou para ela e sorriu, ele ainda estava com o respirador. *** Dois dias depois o efeito da anestesia já havia se passado completamente e Durval já estava bem melhor. Mas algo estranho estava chamando sua atenção então chamou seu irmão para pergunta-lo. ― Bem, você queria falar comigo então estou aqui. ― Kael de braços abertos. ― A Lindsay está por perto? ― perguntou Durval. ― Não! ― Kael estranhando a pergunta. ― Ela foi comprar algo para Amanda, que aliás recebe alta hoje! ― concluiu com um sorriso. ― Que bom, por que eu quero saber o motivo de eu ainda não poder mexer as minhas pernas. ― perguntou, mas sem demonstrar descontrole. ― Durval, nós já conversamos sobre isso e sabemos que é algo temp... Kael foi interrompido por Durval antes que ele terminasse. ― Pode abrir o jogo comigo Kael, você e o Gael, assim como o doutor William estão dizendo que isso é uma causa temporária, mas eu sei que não é, droga! Primeiro disseram que foi a anestesia, depois que era algo da minha cabeça. Pode dizer a verdade, eu estou paraplégico? ― Durval perguntou, mas seus olhos mostravam que ele temia a resposta. Kael colocou as duas mãos no rosto, ele respirou fundo antes de falar. ― Você sofreu uma lesão grave na coluna lombar e fraturou duas vértebras. A primeira cirurgia foi para ver se amenizava essa lesão, mas estamos cogitando uma nova cirurgia em alguns meses. Eu sinto muito irmão! ― Kael concluiu dando socos no ar. ― Então é isso! ― Durval com lágrimas nos olhos. ― Então esse é o meu destino. ― Não diga isso! ― Kael aproximando-se do irmão. ― Olha, Gael e eu já conversamos sobre isso. Ele disse que tem um médico nos Estados Unidos que é o melhor de todos, vamos trazê-lo aqui, ele vai operar você e você vai voltar a andar! Entendeu? ― Obrigada, meu irmão! ― com um sorriso apagado, Durval respondeu. Gael entrou no quarto e ficou a par da situação. Os irmãos de Durval lhe havia escondido a gravidade da lesão, mas ele era esperto demais para ser enganado por muito tempo. Lindsay e Amanda também ficaram sabendo, mas assim como Kael e Gael, elas optaram por aguardar uma nova cirurgia antes de tirar qualquer conclusão. *** Depois de três meses, Durval foi submetido a uma nova cirurgia. Eles trouxeram um médico famoso dos Estados Unidos para operá-lo, era a última esperança de Durval poder voltar a andar, já que até mesmo o médico foi bem realista dizendo que fraturas daquele tipo raramente poderiam ser tratadas. Tudo ocorreu bem no centro cirúrgico, mas para a decepção de todos, principalmente de Durval, a cirurgia não foi o suficiente e ele dificilmente voltaria a andar com suas pernas. ― Não! ― exclamou Lindsay no jardim do hospital após ter saído correndo do quarto de seu pai. ― Não é justo! Isso não é justo! Candy, uma de suas melhores amigas foi atrás dela para consolá-la. ― Lin não fique assim! ― ela falou. ― Lembra que seu pai continua vivo e perto de você! ― Eu sei Candy, mas veja só como ele está agora? Ele está se fingindo de forte, mas sei que por dentro ele sangra! Por quê? ― ela perguntava indignada. ― Por que de tudo isso agora? *** Mais dois meses se passou, Lindsay ainda não havia aceitado a nova condição de seu pai, ela havia esquecido até mesmo de seus planos e sonhos, então um dia ela chegou para Durval dizendo ter algo muito sério para falar com ele. ― Pai, eu tomei uma decisão!
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