Capítulo 52: Romeo

568 Words
(5 Meses Antes) A ordem do meu pai havia sido dada na tarde anterior, estipulando que a comitiva de Trapani chegasse até o final da semana. No entanto, a minha avó nunca foi de postergar viagens. Eu estava na sala de conferências da ala administrativa, revisando a papelada dos nossos advogados sobre a reestruturação das empresas, quando um dos chefes da segurança abriu a porta dupla de carvalho. Ele não hesitou ao entrar. — Signor Romeo — o homem avisou, mantendo a postura alerta. — Recebemos o aviso dos batedores. A Signora Viviana adiantou a partida. O comboio blindado já cruzou as montanhas e acaba de entrar nos limites de Palermo. Eles estarão nos portões em poucos minutos. A notícia fez a minha atenção sumir dos contratos sobre a mesa de forma imediata. Dispensei o segurança com um aceno curto e me levantei. A pressa tomou conta dos meus movimentos. Em vez de permanecer trancado no escritório, lidando com as responsabilidades que a minha posição exigia, deixei os documentos de lado e subi direto para a minha suíte. Troquei de roupa com agilidade. Vesti uma calça de alfaiataria impecável e uma camisa preta, deixando o colarinho aberto. A ansiedade que corria pelas minhas veias era puramente física, uma necessidade contida e quase insuportável moldada por dois meses inteiros de seca absoluta. Eu precisava ver Carmem. Precisava tê-la por perto para dissipar o rastro de estresse que os problemas com a polícia haviam depositado nos meus ombros. Desci as escadas largas do palácio e caminhei até o pátio interno. Posicionei-me no alto da escadaria principal de mármore. Coloquei as mãos nos bolsos e endireitei os ombros. Para qualquer soldado ou funcionário que olhasse, eu era a figura imponente do Capo de Palermo esperando a chegada da sua corte, o homem endurecido que havia acabado de limpar o sangue da cidade. Ninguém ali saberia que o meu foco estava cravado em um detalhe muito menor daquela frota. O som dos motores potentes ecoou pelas paredes de pedra clara da fachada. Os portões de ferro maciço se abriram devagar, e os quatro SUVs pretos invadiram o pátio, manobrando sobre o calçamento até pararem em uma linha organizada. Observei o desembarque. Ignorei completamente a figura de Viviana saindo do primeiro veículo e não prestei atenção nos guardas escoltando Aurora Marino do terceiro carro, com os pulsos e tornozelos presos em algemas metálicas pesadas. A prisioneira que mobilizou toda a Cúpula não me importava naquele momento. O meu olhar varreu a área, passando por cima da minha família, até focar exclusivamente no último carro da fila. O veículo destinado às criadas. Os meus batimentos aceleraram quando as portas traseiras se abriram. Lá estava ela. Carmem desembarcou, o rosto pálido e os cabelos escuros contidos. Ela abaixou a cabeça e foi imediatamente encarregada de descarregar as malas pesadas do porta-malas. A jovem de Trapani estava a poucos metros de distância, tão linda e cheia de curvas, com uma b***a que eu não consegui evitar de notar. Todo o seu corpo seria redescoberto por mim. A espera infernal das últimas semanas havia acabado. Tirei uma das mãos do bolso, pronto para descer os degraus e me aproximar da minha funcionária. Antes que eu pudesse dar o primeiro passo, a linha da minha visão foi bloqueada. Emanuele cruzou a distância e parou bem na minha frente, na base da escadaria, cortando qualquer acesso meu a Carmem.
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