(5 Meses Antes)
— Deveria se envergonhar — Emanuele disparou de uma vez, a voz baixa, mas afiada.
Pisquei, desviando os olhos da garota assustada no pátio para encarar a minha cunhada. Um fantasma do meu antigo sorriso enviesado surgiu nos meus lábios por um segundo. A insolência daquela mulher era contínua.
Tirei uma das mãos do bolso, segurei a mão dela com uma polidez de cavalheiro e depositei um beijo frio nas costas dos seus dedos.
— Emanuele — murmurei, a voz grave ecoando no pátio. — É bom revê-la.
Ela puxou a mão de volta em um solavanco ríspido, recolhendo-a para perto do corpo.
— Deixe-a em paz — ela avisou, o tom carregado de proteção inútil. — Vai procurar outra Sara para se satisfazer.
Franzi a testa, tombando a cabeça levemente para o lado.
— Que Sara? — Perguntei, genuinamente confuso por um instante, antes de a memória clarear e os meus olhos brilharem com um humor sombrio. — Ah, sim. A que você arrastou pelada pelos cabelos até jogar aqui fora.
A lembrança era nítida. Sara foi um caso rápido, uma criada que acabou cruzando o caminho do meu irmão. A retaliação da brasileira havia sido um escândalo no corredor.
— Carmem é uma jovem decente — Emanuele afirmou, erguendo o queixo, não se deixando intimidar pela minha postura. — Vá procurar as vadias com as quais está acostumado.
O fantasma de sorriso sumiu do meu rosto. Os músculos da minha mandíbula travaram e os meus olhos escureceram. A brincadeira havia acabado.
Suspirei pesadamente e dei um passo na direção dela, invadindo o seu espaço pessoal e forçando a mulher a olhar para cima.
— Você não vai chegar no Palazzo da minha família, na cidade que eu controlo, e ficar dando ordens para mim, brasileira — sibilei, cada palavra pingando uma autoridade que não admitia insubordinação. — Coloque-se no seu lugar.
Em vez de recuar assustada, ela abriu um sorriso irônico, sustentando o meu olhar de morte.
— Aí está o Romeo Rossi de verdade — ela provocou. — Não o engraçadinho, não o que debocha e provoca. Esse é o irmão mais velho e cretino do meu marido.
O meu peito subiu e desceu em uma respiração contida. Analisei a mulher por um longo segundo, medindo a sua audácia de frente, antes de apontar o queixo para a imensa porta dupla de madeira atrás de mim.
— Saia da minha frente.
— Onde está Dante? — Ela exigiu saber, não movendo um músculo.
— Não sei — respondi com puro desprezo, dando um passo para o lado e abrindo caminho. — Mas se sinta livre para ir procurar.
Emanuele finalmente virou as costas e adentrou o imponente palácio.
Fiquei sozinho na escadaria de mármore, o sangue fervendo pela ofensa. A selvagem sul-americana nunca me respeitou desde o dia em que o meu pai a comprou.
Logo na primeira noite em que ela chegou à Sicília, no jantar formal na nossa casa no oeste, Emanuele arremessou o vinho da própria taça diretamente no meu terno, simplesmente porque eu sorri quando ela se engasgou com a bebida.
Ela havia se tornado a parceira perfeita para o meu irmão caçula. Eles tinham exatamente o mesmo temperamento instável. Que os dois se aguentassem.
Desviei o olhar de volta para o pátio, buscando a minha funcionária, mas o espaço perto dos SUVs estava vazio. Carmem já havia sumido, levada pelas outras criadas para os alojamentos dos fundos.
Respirei fundo, não havia problema. Nós estávamos sob o mesmo teto novamente. Eu iria encontrá-la e tomá-la para mim muito em breve. Carmem era a minha propriedade, e ninguém a tiraria de perto de mim outra vez.