(11 Meses Antes)
O escritório principal do Palazzo Rossi era uma exibição de riqueza antiga. Os afrescos no teto alto e os detalhes em folhas de ouro nas paredes moldavam a sala onde meu pai agora se instalara.
Eu estava encostado na estante de livros, observando Vittorio. Ele escrevia uma carta à mão sobre a mesa de mogno. O bico da caneta-tinteiro arranhava o papel grosso.
— Benedetto Trovato me mandou notícias — meu pai falou, sem levantar os olhos da folha. — Seu irmão e a esposa chegaram em Enna. Estão trabalhando nas terras dele agora.
Tive que segurar o riso. Dante, o homem que sempre andava armado e batia de frente comigo por qualquer espaço de poder em Palermo, estava colhendo azeitonas no interior.
— Ele mandou Dante trabalhar no campo? — Perguntei, cruzando os braços.
— Benedetto não dá nada de graça. Nem proteção — Vittorio pingou a cera vermelha no envelope e pressionou o anel com o brasão da nossa família. — Eu também fiz a minha parte por aqui. Fui à Arquidiocese hoje cedo. O Voto de Castidade que Dante e Emanuele inventaram agora está registrado e selado pela Igreja. Autoleon de Estefano não vai conseguir anular o casamento deles alegando falta de consumação.
Observei o envelope selado. Meu pai tinha expulsado o m****o da ‘Ndrangheta da ilha e desistido de um bom acordo ao não vender a mulher do meu irmão para a organização rival, mas tinha acabado de amarrar as mãos de Dante usando a própria honra dele.
A carta foi entregue a um mensageiro minutos depois.
Saí do escritório sentindo o peso do ambiente diminuir. O palácio estava cheio com a criadagem que veio de Trapani.
Nos últimos dias, reparei em um padrão no meu próprio comportamento. Eu estava evitando os salões principais com seus pisos de majólica brilhante. Em vez disso, meus passos me levavam para os corredores mais estreitos, perto da ala de serviço.
Eu estava procurando por ela.
Via Carmem de relance. Às vezes carregando roupas de cama, outras vezes polindo a prataria na copa. Ela era silenciosa. Nunca levantava a voz e sempre mantinha o olhar baixo quando passava por mim.
Era uma submissão que me chamava a atenção no meio de tanta gritaria e ordens cruzadas dentro de casa.
Era fim de noite quando voltei para a minha suíte.
Abri a porta e parei. Carmem estava ali. Ela ajeitava as almofadas da poltrona de couro no canto do quarto.
Olhei ao redor. A cama estava impecável, o chão estava limpo e as toalhas do banheiro já tinham sido trocadas. Não havia motivo para ela ainda estar trabalhando ali dentro. Ela estava enrolando.
Não sou cego. Eu sabia reconhecer quando uma mulher queria prolongar a própria presença.
A criada do interior estava claramente deslumbrada, procurando qualquer desculpa para ficar no mesmo ambiente que o patrão. Decidi não a mandar sair. Queria ver até onde ela ia com aquela encenação de limpeza.
Tirei o paletó e o joguei na cama. Sentei-me na beirada do colchão, sentindo o pescoço duro. Levei a mão esquerda até o meu ombro direito, apertando o músculo tenso. O estresse de cobrir a fuga de Dante e aturar a ocupação do meu pai estava cobrando a conta no meu corpo.
Carmem parou de mexer nas almofadas. Ela ficou parada no tapete, apertando as mãos na frente do avental preto e branco.
— O senhor parece um pouco dolorido — ela comentou. A voz era baixa, quase um sussurro no quarto silencioso.
— O dia foi longo — respondi, sem parar de massagear o ombro. — Mas como filho e irmão mais velho, eu meio que já estou acostumado com o peso do mundo.
— Lamento, signore. Desculpe me intrometer. Se eu puder ajudar com alguma coisa...
— Você mantém a ordem no meu quarto, não posso exigir mais que isso — fiz uma careta quando apertei um músculo forte demais.
Carmem deu um passo curto e hesitante na minha direção.
— Se o senhor quiser, eu posso massagear essa região.
Eu ergui uma sobrancelha. Ela estava demonstrando uma ousadia inesperada.
— Você pode? — Perguntei, interessado. — Mesmo?
— Eu fiz um curso de massagem em Trapani, há alguns anos — ela explicou, mantendo os olhos nos meus sapatos. — Minha mãe sentia muitas dores nas costas depois do trabalho na lavanderia, então eu aprendi para ajudar.
Parei de mexer no meu ombro e soltei o braço. Olhei para a figura pequena dela.
— Mostre — ordenei, a voz calma.
Carmem caminhou até mim.
Quando parou atrás das minhas costas, senti o calor das mãos dela hesitar por um segundo antes de tocarem os meus ombros por cima da camisa social.
O toque começou firme, como os de alguém que sabe o que está fazendo.
Os polegares dela pressionaram os nós de tensão na minha nuca. A pressão foi exata, no local certo, onde eu nunca conseguiria acertar. Fechei os olhos e soltei a respiração devagar. A dor constante que me acompanhava há dias começou a ceder.
As mãos dela desceram pelas minhas costas, alisando a musculatura, e depois voltaram para os meus ombros. O ritmo mudou. Deixou de ser como o de uma profissional. Ficou mais lento... beirando o toque de uma amante.
Os dedos dela escorregaram para a frente, descendo pelo meu peito. Senti as unhas dela arranharem levemente o tecido da minha camisa. A minha respiração ficou mais curta e eu sorri.
Era a primeira vez que uma mulher me tocava sem que eu investisse primeiro? Não mesmo, mas certamente era a primeira que me deixava de p*u duro tão rápido.
Meu m****o estava empurrando o tecido da minha roupa para cima, e na minha mente só tinha aquela criada com feições angelicais e inocentes. Carmem estava se mostrando de verdade.
Eu não abri os olhos e não a impedi. Deixei que ela cruzasse a linha do que era permitido. Eu estava curioso para ver o que ela faria com seu chefe, o filho Don.
As mãos dela continuaram a descer pelo meu abdômen, lentas e quentes. Chegaram à linha do meu cinto.
O toque dela deslizou mais para baixo e encontrou o volume na minha calça. Ela tocou a minha ereção por cima do tecido grosso. Ela tateou o comprimento como se descobrisse algo que queria há muito tempo.
Uma mão, duas mãos e sobrava mais. Senti ela prender o fôlego diante do tamanho, e eu estava pronto para mostrar a ela o que eu conseguia fazer com a minha ferramenta. Era só segurar seus pulsos finos e puxá-la para o meu colo de uma vez.
Mas, no mesmo instante, Carmem soltou um ruído assustado.
Ela recolheu as mãos abruptamente, como se tivesse se queimado. Abri os olhos e virei o rosto. Ela estava vermelha, os olhos arregalados, respirando rápido. A imagem perfeita do pânico e da vergonha por ter ido longe demais.
— Scusa... me perdoe, signore — ela murmurou, a voz tropeçando nas palavras. — Eu não... eu não pensei direito.
Ela pegou o pequeno cesto de produtos de limpeza no chão e saiu do quarto quase correndo, fechando a porta com pressa.
Fiquei sozinho na beirada da cama. Meu corpo estava quente e o sangue pulsava pesado. Um sorriso curvou o canto da minha boca. Ela estava nas minhas mãos, assustada com o próprio desejo. Era só questão de tempo.