Capítulo 16: Romeo

580 Words
(10 Meses Antes) Carmem ergueu levemente a taça, assumindo a sua rodada no jogo. — Eu já beijei um homem. Parei com a mão no colarinho, entendendo a armadilha óbvia da frase. — Sério isso? — Questionei. Desabotoei a camisa de algodão branca de cima a baixo, puxando o tecido com uma certa aspereza. — Eu mesmo vou tirar a minha camisa dessa vez. O tecido escorregou pelos meus ombros e caiu no tapete, deixando meu tronco exposto. Carmem deu de ombros, despreocupada, erguendo a taça de cristal até a boca. — Odeie o jogo, não a jogadora — ela disse, dando um gole no espumante, confirmando que a frase se aplicava a ela. — Depois vamos conversar sobre os livros que você anda lendo. — Os livros que eu ando lendo não têm nada demais. — Podem estar deixando sua mente doente — observei, dando um passo na direção dela. Aproximei meu corpo, forçando-a a olhar para o meu peito nu. — E, só um esclarecimento... quantos homens você já beijou? Ela olhou para o chão, os cílios longos encobrindo a expressão, e respondeu timidamente: — Só o senhor. Eu já sabia daquela informação. Eu tinha sido o primeiro a tocá-la, mas ouvir a submissão naquelas palavras era uma massagem direta na minha arrogância. Eu adorava ouvir isso. E eu garantiria que a resposta permanecesse a mesma enquanto ela vivesse sob o teto daquele palácio. Alcancei a garrafa no balde de prata. Enchi as nossas taças antes que secassem, o som da bebida efervescente preenchendo a quietude do quarto. — Você já me deixou de peito nu... — murmurei, entregando o cristal nas mãos dela. — O que será que posso dizer para você tirar esse vestido de uma vez? — Tenho certeza de que o senhor tem muitas opções, mas eu não vou ficar dando ideias. — E eu não preciso de ideias. Preciso que você se revele, como uma flor abrindo pétala por pétala. Carmem engoliu em seco. Ela abaixou a cabeça, incapaz de suportar o meu olhar em cima dela. Fui direto ao ponto na minha jogada. — Eu já quis t*****r com a mesma pessoa pelo resto da vida. Carmem ficou paralisada. Os ombros dela travaram, a surpresa transbordando em seu rosto diante do peso daquelas palavras. Ergui a minha taça e bebi o meu gole tranquilamente. A minha mente viajou pelas escolhas do meu passado. Eu já tive amantes intensas antes. Mulheres que eu quis carregar por uma vida inteira, mas todas acabaram me decepcionando ou mostrando que não valiam o meu esforço. No entanto, havia Carmem. Ela tinha tido um único parceiro na cama. O homem que a invadiu e a explorou. O homem que a apresentou a um prazer inédito. O Capo de Palermo tinha sido o único a fodê-la. Isso teria sido o bastante para a corrente se fechar no seu pescoço? Eu teria a resposta em breve. O nosso arranjo deixava o cenário perfeitamente claro. Se ela soltasse a taça e tirasse o vestido, ela estaria me rejeitando. Se ela bebesse, estaria assumindo que eu era tudo o que ela queria. Estaria confessando que era de mim que ela precisava para conhecer o paraíso. Ela estava demorando para fazer a sua escolha. Os dedos finos dela apertavam a haste de cristal. Vestido ou bebida. Não ou sim. Rejeição ou rendição. Fiquei parado na frente dela, os músculos do meu abdômen tensionados, preparado para atacá-la assim que obtivesse a sua resposta.
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