Capítulo 8

1308 Words
Marcela chegou em casa às seis horas da tarde daquele dia, desligou seu telefone decidida a não se deixar levar pelas chantagens daquele homem. Tomou banho, pôs uma roupa mais leve e quando chegou na cozinha o marido entrou pela porta da sala. — Querida, cheguei! — Isso a lembrava de quando assistia à família dinossauro. — Como foi o trabalho?! — Marcela gritou da cozinha enquanto abria a geladeira para decidir o que preparar. — Nenhuma novidade, a mesma coisa de sempre e você? — Ele falou se aproximando da cozinha, deixando a arma e o telefone sobre a mesa. — Foi ótimo e... — Marcela pensou um pouco analisando até onde poderia falar. — estou trabalhando em um novo projeto para a CRESCER. — Ricardo sorriu e deu um beijo na testa da esposa. — Deve estar muito ocupada, vou subir para tomar banho e desço para o jantar. Não se preocupe muito com a comida, você deve estar cheia de trabalho. — Ele olha na geladeira que ela ainda segurava a porta aberta. — Ali olha — Ricardo aponta para dentro da geladeira e Marcela segue a direção. — Esquenta esse arroz e o picadinho que a gente manda pra dentro. — Tá bom. — Marcela concorda pegando as vasilhas e levando para o balcão. O marido sai em direção as escadas e o telefone da casa começa a tocar. — Pode deixar que atendo querida. — Marcela continuou o que estava fazendo esquecendo a ameaça de Gabriel, pensou que era uma das amigas do marido. Ricardo atendeu o telefone e por alguns segundos só escutou o silêncio, Gabriel sorriu ironicamente do outro lado da linha. Ele já estava contando com a possibilidade do delegado atender, por isso ligou nesse horário. — Alô? — O homem repetiu e Gabriel limpou a garganta antes de falar. — Boa noite, posso falar com a Marcela? — Ricardo encarou o telefone, surpreso que um homem estivesse ligando para a esposa. — Quem fala? — Diz pra ela que é o Gabriel. — O nome do Alemão era tão desconhecido que quando ele falou para o delegado ele não ligou o nome a ninguém que reconhecesse a voz. — Um momento. — Ricardo deixou o homem na linha e chamou pela esposa. — Querida é pra você? — Gabriel achou que o homem só podia ser idiøta de confiar tanto na mulher a ponto de passar o telefone sem saber quem era o estranho. — Pra mim? Não estou esperando a ligação de ninguém. — Ela estendeu a mão e o marido entregou o telefone para ela. — Disse que se chama Gabriel. — A mulher ficou mais branca que papel, no futuro se lembraria de se preocupar com as ameaças, Gabriel era realmente løuco. Ricardo olhou para a esposa, achando-a um pouco pálida. — Está tudo bem? — Ela concordou e encostou o telefone na orelha. — Eu vou indo, tomar banho. — Assim que o marido desapareceu ela suspirou de alívio. — Por que você está ligando para a minha casa? — Marcela sussurrou tentando passar o tom de raiva que estava sentindo. — Eu disse como o passo a passo ia funcionar, mandei a mensagem, liguei para o seu telefone e agora para a sua casa. Saiba que sou um homem de palavra, linda. — O sorriso irônico de Gabriel não abandonava seu rosto em momento algum. — Não me chame assim! O que é que você quer?! — Marcela esbravejou e em seguida baixou o tom de voz olhando na direção da escada. — Só queria ouvir sua voz gatinha. Claro, também queria te mostrar que sou um homem de palavra e se tivesse respondido minha mensagem saberia que só queria perguntar se como você está. — Marcela sentia que a qualquer momento iria começar a soltar fumaça pelas orelhas. — Estou muito irritada. — Ela responde e ele resolve irrita-la um pouco mais usando de sarcasmo. — O que está te irritando, linda? Se for o seu marido posso dar um jeito nele. — Sugeriu sorrindo enquanto imaginava a possibilidade. — ou posso te ajudar a relaxar das melhores formas. — Essa possibilidade o deixou ainda mais interessado. No entanto a resposta dela veio curta e grossa. — Não, obrigada. — Bateu o telefone com raiva, 4 passos depois ele tocou novamente. — Vai dizer o que você quer ou só vai parar quando eu te mandar pro inferno? — Ah, é a Lilian. — A voz feminina soou do outro lado um pouco assustada. Ricardo havia dito que a mulher era tranquila sobre ter ela na vida dele e que ela era uma mulher doce como ela, a reação da esposa do namorado a surpreendeu. — Nossa, desculpe, achei que era outra pessoa. — Marcela coçou o pescoço não se sentindo nem um pouco confortável com a nova pessoa na linha. Lilian por outro lado estava aliviada pela raiva não ser direcionada a ela.— O Ricardo está no banho agora, mas eu aviso para ele te retornar. — Muito obrigada, desculpe o incomodo. — Marcela disse apenas que não tinha problema e desligou. O telefone tocou outra vez assim que ela colocou no gancho. Para não cometer outra gafe, ela atendeu educadamente. — Alô, quem fala? — Seu sonho de consumo gatinha. — Ela se irritou por não ter atendido com grosseria. — Tentei ligar em seguida, mas estava ocupado, o telefone de um delegado e uma advogada é disputado né? Você deveria organizar uma fila e me dar prioridade. — Sorriu maliciøsamente. — Por que você continua ligando? Diz logo o que você quer, tenho que fazer o jantar. — Marcela se sentou no braço do sofá. — Quero te contar que a reforma do centro já começou e quero que você concorde em vir na minha casa amanhã. — Marcela revirou os olhos quando ele insistiu naquilo outra vez. — Se eu for na sua casa você promete nunca mais ligar para esse telefone? — Palavra de homem. — Marcela não podia ver, mas ele fez uma continência como um soldado recebendo ordem. — Tudo bem, desde que você também dê sua palavra de não tentar encostar um dedo em mim. — Impôs essa condição e sem saber deu um banho de água fria nos planos de sedução do dono do morro. — Aceito, mas deixo claro que você pode encostar em mim quando quiser. — Ela soltou um risinho discreto. — Espere sentado. Tchau. — Desligou sem esperar pela resposta dele e como havia prometido, Gabriel não tentou ligar outra vez. Marcela foi para a cozinha, esquentou o jantar e arrumou tudo na mesa, logo depois o marido desceu e se sentou na cadeira de cabeceira. Marcela sentou-se ao seu lado e cada um começou a se servir. — Ah, a Lilian ligou, eu disse pra ela que te avisaria para retornar. — Ricardo acenou e começou a comer. Marcela se distraiu com a refeição e quando foi beber um pouco de suco se engasgou com a seguinte pergunta do marido. — Você tem algum coisa com esse homem que te ligou? — Ela tossiu repetidas vezes e o marido se levantou para passar a mão pela sua costa. Quando se Marcela se recuperou, ele sentou em seu lugar novamente e ficou observando-a esperando uma resposta. — Não precisa se assustar com a pergunta. Sabe que é livre para fazer o que quiser. — Mas ele e eu não é nada disso. O Gabriel só faz parte do novo projeto da CRESCER. — Ela se sentia muito estranha por falar sobre Gabriel com o marido de forma tão normal. — Entendo. — Foi tudo que ele respondeu voltando sua atenção para a comida esfriando em sua frente. Marcela suspirou por dentro aliviada pelo marido não dá prosseguimento ao assunto.
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