Ela sai da prisão se sentindo um pouco atordoada, Gabriel havia mencionado que tinha contatos, mas ela não imaginava que ele ficaria se metendo em assuntos do trabalho dela. Mas no fim não podia reclamar, ele a ajudou e se continuasse fazendo isso ela não seria ingrata.
Entrou em seu carro vermelho ao qual ela chamava de lola, dirigindo para o morro do alemão. Quando chegou lá seguiu o mesmo protocolo, disse seu nome para outro guarda e ele a levou a mesma sala que o outro havia levado. A porta foi aberta e ela foi recebida pela visão de gabriel com a camisa aberta, e todos os gominhos de sua barriga à mostra.
— Pode entrar doutora. — Para sua sorte ele não pareceu notar a secada que ela deu em seu corpo.
— Você pode me chamar só de uma coisa? De preferência, pelo meu nome e não pelo meu título. — Ele a olhou nos olhos e deu um meio sorriso.
— Claro, vou atender sua preferência, Marcela. — Gabriel disse dando um ênfase debochado no nome dela.
— Obrigada, então... Eu gostaria de falar com você sobre as ideias que eu tive para o centro e ai você me diz o que aprova e o que quer descartar. — Gabriel a olha de forma indiferente.
— Tudo o que você julgar necessário tem minha aprovação. — Ele se aproxima dela de forma perigosa e o coração de Marcela acelera pelo nervosismo.
— Então por que você disse que fazia tanta questão de ser informado? — Marcela pergunta, tentando esconder o nervosismo. Lembrando-o da mensagem que ele havia lhe enviado na noite anterior.
— Porque eu quero ver você entrando aqui todos os dias — ele respondeu, umedecendo os lábios e dando um sorriso discreto.
Gabriel parecia tentar provoca-la, e isso a deixava desconfortável, mas ao mesmo tempo... curiosa. Ela desvia o olhar, focando na pasta que carregava consigo.
— Ótimo, então vamos ao que interessa. — Marcela responde, abrindo a pasta e espalhando alguns papéis sobre a mesa dele que a observa com o mesmo meio sorriso. — Esses são os pontos principais que preciso definir antes de colocar o projeto em prática: localização, recursos humanos e recursos financeiros.
— Recursos humanos? Financeiros? Achei que já tinhamos entrado em acordo sobre isso. Você traz o pessoal e eu entro com o dinheiro.
Gabriel se aproxima mais dela, observando os papéis, mas sua proximidade faz com que ela sinta seu perfume amadeirado. Ele fala baixo, quase em seu ouvido.
— O resto eu deixo em suas mãos. — Ela inspira fundo, tentando manter a compostura.
— Ótimo, vou cuidar de tudo sem te consultar.
— Perfeito. Mas não se esqueça que eu sou exigente com aquilo que me importa, Marcela. — O tom de sua voz deixa claro que ele não se refere apenas ao trabalho que ela está fazendo.
Marcela desvia dele escolhendo o ombro com o arrepio que a proximidade lhe causou e começa a recolher os papéis.
— Bom, já que é assim, eu vou indo pois ainda tenho muitas coisas para fazer. — Gabriel vira-se encostando na mesa e cruzando os braços.
— Já? Eu ia te convidar para conhecer a minha casa.
— O quê? — Marcela pisca algumas vezes confusa com o que ele disse.
— Minha casa. Gostaria que você a conhecesse. — Ela mordeu o interior da bochecha com nervosismo e esse detalhe não passou despercebido para ele.
— Por que eu deveria conhecer a sua casa? — Ele segura o riso com a expressão que ela faz. Dentro de si pensou que nunca viu uma expressão tão adorável em uma mulher.
— Não tenho um motivo, só queria te mostrar onde moro. — Gabriel dá dois passos longos e em um segundo está de frente a ela fazendo-a prender a respiração.
— Bom, nesse caso eu não... — As palavras deixam de fazer sentido quando a mão de Gabriel segura o queixo dela. Seu polegar percorre o lábio inferior e Marcela quer afastá-lo mas não consegue reagir.
— Sua boca é tão macia... — Gabriel vira o rosto dela para o lado esquerdo e aproxima o nariz do pescoço dela aspirando o cheiro do seu perfume. — E esse cheiro... — Marcela apertou a pasta com os papéis em seu peito e tentou falar.
— O que... o que você... está fazendo? — Ele não conseguiu evitar o sorriso em seu lábio quando soube que era capaz de afetá-la. Isso tornava mais fácil para conseguir ter aquela mulher para ele.
— Nada. — Deixa um beijo casto no pescoço que a fez estremecer e a olhou nos olhos. — Até amanhã, Marcela. Talvez eu te mande alguma mensagem, mas não fique esperando, pois sou um homem ocupado como você sabe. — Marcela dá dois passos curtos para trás e se afasta dele.
— Tá bom. — Responde se dirigindo para a porta e se vira novamente para ele quando percebe o que respondeu. — Quer dizer... Não me envie mensagens a menos que seja algo importante e referente ao projeto. Do contrário, não vou te responder. — A cara dele fica séria e ele a encara com desafio.
— Essa é uma decisão sua, mas se demorar a responder minhas mensagens talvez eu decida ligar, se não atender seu celular, talvez eu ligue para o telefone da sua casa. Quem sabe o que pode acontecer depois disso... — A mulher de 32 anos o olha com a cara emburrada igual uma criança e sai do lugar batendo a porta.
Gabriel olha para o lugar por onde a mulher saiu com um sorriso, essas atitudes que ela tinha só o faziam se divertir e aumentavam seu interesse ainda mais.
— Quanto mais difícil a conquista mais valerá a pena. — Repetiu para si mesmo e voltou ao trabalho.
Era até estranho que ele pensasse isso, normalmente quanto mais fácil a mulher melhor, quando uma mulher que o interessava se fazia de difícil, algo que dificilmente lhe ocorria, Gabriel partia para outra que lhe desse o que queria.
Mas desde que pôs os olhos em Marcela resolveu que seria paciente até que ela cedesse. E mais cedo ou mais tarde, isso aconteceria.