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A Vida Dupla do Amor

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Blurb

Uma noite de impulsos. Um casamento inesperado. E um homem envolto em segredos.

Ashley Morgan nunca foi de correr riscos. Mas numa noite de calor emocional — e com um pouco de álcool à mistura —, casa-se com Nicholas Kane, um homem tão encantador quanto misterioso. No dia seguinte, arrependida, está decidida a corrigir o "erro". Nicholas, contudo, tem planos diferentes e não pretende deixá-la partir tão facilmente.

Determinada a seguir em frente, Ashley finalmente consegue a vaga para a qual se candidatou na Archelux, uma das empresas mais prestigiadas da cidade. Embora o cargo de secretária num departamento de design não seja o trabalho dos seus sonhos, é o primeiro passo para alcançar as suas ambições como designer. m*l sabe ela que o homem que virou a sua vida do avesso está mais próximo do que imagina — e que Nicholas não é apenas um marido inesperado, mas também guarda segredos que podem mudar tudo.

Enquanto tenta adaptar-se ao novo emprego e lutar pela sua independência, Ashley descobre que a sua vida não é tão simples quanto parece. Segredos emergem, ambições chocam-se e o passado que ela tenta esquecer ameaça tudo o que está a construir. Entre o trabalho, as emoções crescentes e as descobertas surpreendentes sobre Nicholas, Ashley terá de enfrentar dilemas que desafiam a sua confiança e os seus limites.

Será que um erro impulsivo pode, afinal, ser o começo de algo extraordinário? Ou os segredos de Nicholas acabarão por destruir tudo?

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Capitulo 1: Encontro às Cegas
A semana começou como qualquer outra e fui a mais uma entrevista de emprego, não na minha área como Design Gráfico, mas sim como secretária de um dos diretores na Archelux Group. Reconhecida no setor de construção e desenvolvimento imobiliário, a Archelux destaca-se por seus projetos de alto padrão e uma nova linha de mobiliário de luxo que promete experiências sofisticadas aos clientes. Embora tivesse apenas experiência como estagiária no campo do design, fiquei animada ao saber que a empresa oferece oportunidades de crescimento interno. Depois de alguns meses, poderia solicitar uma transferência para o departamento de design, onde finalmente teria a chance de trabalhar com o que realmente amo: criar móveis e ambientes que inspiram. Neste momento, estou a trabalhar como vendedora numa loja de roupa. Dizia sempre a mim mesma que era algo temporário, mas o que é certo é que já estava naquela loja há quase dois anos. Não amo, mas também não desgosto completamente, e isso paga as contas. entrevista correu bem, mas normalmente fico sempre com essa sensação de que correu bem, mas depois nunca sou chamada. No entanto, desta vez, demorou mais do que eu estava à espera e já cheguei atrasada para o meu trabalho na loja de roupa. Assim que entrei, a dona, Diana Meirelles, lançou-me logo um olhar ameaçador. Pedi desculpas e fui trocar-me para vestir o uniforme da loja. Se ela soubesse onde eu tinha estado, tinha discutido comigo e provavelmente ainda me despedia. Já a imaginava a dizer: “Aí, andas à procura de trabalho? Queres deixar de trabalhar aqui? Então vai logo embora, o que é que ainda andas aqui a fazer?” Suspirei só de pensar. “Ela esteve na última hora a rogar-te umas quantas pragas!” Disse-me a Kely Miller, minha amiga e colega de trabalho, referindo-se á dona da Loja, assim que cheguei ao lado dela na caixa, depois de vestir o uniforme. “Estava muito movimentados?” Questionei, olhando em volta; só tinha dois clientes na loja enorme. “Não!” Riu-se discretamente para a Diana não se aperceber e falou-me entre dentes. “Fiz apenas uma venda desde que entrei.” Encolheu os ombros. “Mas ela não deixou de resmungar sobre como - se tivesse muito movimento, tu tinhas-nos deixado m*l sem avisares.” “Desculpa.” Respondi simplesmente. “Demorou mais do que estava à espera.” “Foi por uma boa causa. Espero que consigas.” Sorriu-me. “Tens agora é ali a Deusa para acalmar.” “No intervalo vou-lhe buscar um café e uma fatia de bolo. Funciona sempre!” Sorri e fui para o armazém terminar de arrumar a roupa que tinha chegado ontem e ainda não tinha terminado enquanto a loja estava mais calma. A nossa chefe aproveitou esse momento para me vir perguntar o porquê do meu atraso. Menti; disse que tinha adormecido. não sei se acreditou ou não, mas deixou para lá. Ela era viúva, tinha mais de 50 anos e parecia ter 40; pintava os cabelos brancos de preto com madeixas vermelhas, já nos surpreendeu com o cabelo até azul. Adorava moda, andava sempre impecavelmente vestida e maquiada; nunca a vi sem maquiagem e geria aquela loja com garra; era uma vendedora nata. Se eu e a Kely não tivéssemos cuidado, até a nós nos vendia a roupa, não faltando a famosa frase: “Vocês têm sorte, têm desconto de funcionária.” Tinha em casa, dentro do guarda-fatos, pelo menos 3 vestidos que nunca usei que ela me vendeu; vestidos de noite, mais festivos, nem sei se um dia irei usá-los. “Estamos combinadas para Sábado?” Perguntou-me a Kely no final desse dia de trabalho enquanto fechávamos a loja para irmos embora. “O que é que se passa no sábado?” Questionei. Tínhamos combinado alguma coisa? “Vamos até a discoteca, não te lembras? Sair para dançar. O Mark convidou um amigo para ser o teu par.”. Mais um encontro às cegas? Merda! Quando é que elas vão deixar de me arranjar encontros com homens desconhecidos? Qual é o problema de ter 26 anos e estar solteira? Parece que cometi algum crime. Emma e Kely, as minhas duas melhores amigas, ambas com relacionamentos longos e estáveis; aliás, Kely era casada com Mark desde o ano passado. Passam a vida a arranjar-me encontros às cegas com colegas do trabalho dos maridos ou da empresa de Emma. Adoro-as, mas elas têm mesmo de deixar a minha vida amorosa nas minhas mãos. Quero-me focar na minha carreira, e elas, nos seus 30 anos, querem que eu me foque em me casar e ter filhos. Acho que elas às vezes se esquecem da nossa diferença de idades. Conheci a Kely quando comecei a trabalhar na loja; simpatizámos logo uma com a outra em pouco tempo, fui convidada para o casamento e tudo. Emma era amiga de escola de Kely, conheci-a, no casamento de Kely e, desde aí, tornamo-nos um trio inseparável. Mas estamos em diferentes fases da vida. O meu foco é a minha carreira; o delas é a família. “Eu disse que não ia.” Respondi. “Oh! Agora já está tudo combinado. Não podes desmarcar.” “Vocês fazem sempre isso. Tinha dito que não estava interessada em mais nenhum encontro às cegas. Consigo arranjar o meu próprio par.” “Estás solteira desde que te conheço.” “Já fui a mais de 10 encontros às cegas desde o teu casamento!” “Que exagero!” Revirei os olhos; não era. Se parasse para contar, não deveria estar longe da realidade. Nenhum deu resultado. Um ou outro ainda voltamos a sair, mas sem evoluir para um relacionamento amoroso. Fiquei muito amiga de um deles; vou ao casamento dele daqui por uns meses. “Vá lá, é a última vez!” “Dizes sempre isso!” Respondi. “Tinhas 29 anos quando te casaste, não foi? Se eu não estiver com ninguém nessa idade, podes arranjar encontros às cegas. Até lá para com isso por favor. Vou ficar mesmo chateada se houver uma próxima vez.” “Está bem, está bem. Mas este sábado estamos combinadas; é a última vez, prometo. E desta vez vamos todos juntos em pares. Vai ser divertido, vais ver! Vamos dançar até cair para o lado!” Não respondi, mas ela sabia que eu tinha cedido. “Podes levar um daqueles vestidos que a Diana te vendeu e que ainda não usaste.” Sorri. Aposto que ela também tinha uns quantos vestidos desses, ainda com etiqueta no armário.

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