Gabriela Narrando A porta se fechou atrás de mim com um estalo seco. Fiquei parada por alguns segundos, só respirando, como se aquele barulho tivesse selado alguma coisa que eu ainda não sabia nomear. Olhei em volta devagar. A casa era simples, quase crua. Um sofá de dois lugares, bem desgastado, com o tecido rasgado nos braços. Um balcão de mais ou menos um metro dividia a sala da cozinha, como se alguém tivesse tentado impor uma organização mínima naquele espaço pequeno demais para qualquer excesso. Tudo estava um pouco empoeirado, mas não abandonado. Dava pra perceber que o lugar tinha ficado vazio há pouco tempo. O pó era fino, recente. Sinal de que eu não era a primeira pessoa a ficar ali. Na cozinha, uma geladeira branca, velha, mas inteira. Um armário aéreo acima da pia, com a m

