Morte narrando Depois que eu e a Gabriela nos amamos, o quarto ficou em silêncio. Um silêncio pesado, daqueles que não incomodam, mas também não deixam a cabeça descansar. O corpo dela estava ali, quente, tranquila, respirando num ritmo calmo que eu invejava. Passei a mão devagar pelos cabelos dela, sentindo aquela paz que eu não lembrava quando tinha sido a última vez que experimentei. Mas eu não consegui dormir. Fiquei deitado, encarando o teto, ouvindo os sons do morro acordando aos poucos. Domingo sempre foi assim por aqui: parecia calmo, mas era o dia em que tudo podia dar errado se você vacilasse. E eu não ia vacilar. Não agora. Não com ela dormindo na minha cama. Não com o Dom debaixo do meu teto. Levantei devagar pra não acordar a Gabriela. Fui pro banheiro, tomei outro banho,

