Morte narrando Eu ouvi tudo. Cada palavra que saiu da boca dela atravessou a sala como faca afiada, dessas que não cortam de uma vez, vão entrando devagar, rasgando por dentro. Eu fiquei ali parado, calado, só escutando, enquanto por dentro meu sangue começava a ferver num nível que fazia tempo que eu não sentia. Se tem uma coisa que sempre me perseguiu desde aquela noite maldita, é a pergunta que nunca teve resposta: quem matou a minha família? E agora aparece essa mulher. Do nada. Machucada, quebrada, cheia de feridas abertas no corpo e na alma, despejando na minha frente exatamente tudo o que eu sempre quis saber. Informação demais. Fácil demais. De mão beijada demais. E nesse mundo, quando algo vem fácil assim, normalmente vem com armadilha junto. Eu olhava pra ela enquanto ela fa

