Beatriz:
Eu simplesmente estou apaixonada nesse salão. Se já é todo chique por fora, tô imaginando por dentro.. Ele é todo de madeira e vidro.
VN: Oh. - encarei ele que me chamou. - Vê se não dá corda para ninguém, furada na certa.
Dei de ombros e a minha irmã grudou em mim. Ela é legalzinha até, mas muito grudenta e monga. Nem parece que tem minha idade.
Letícia: Não se assusta, mas digamos que tu vai ser a atração da noite. - sorriu.
Triz: Porque atração? - Perguntei e ela me puxou andando.
Letícia: Não convém ao caso agora, mas deixa eu te contar garota. Sempre tem cascata de chocolate aqui, me acabo de comer!
Triz: Eu amo chocolate. - sorri para ela. - Tá esperando quem para entrar?
Letícia: A gente só entrar com meu pai, é tipo uma questão de respeito. É bem nada a ver mas ele insiste em fazer isso, sempre.
Triz: Bem nada a ver mesmo. - dei de ombros comentando e observei o casal chegar ao nosso lado.
Laís: Meninas, na frente por favor. - pediu toda educada.
Por mais que eu e a Letícia estivéssemos na frente deles, senti ela um pouco afastada de mim. Meio que atrás.
A cada minuto que passa, essa parada fica mais estranha..
Letícia: Ignora os olhares e segue plena. - sorriu e finalmente a gente entrou no salão.
Esses traficantes são mais chiques que os próprios ricos. Achei muito tendência.
"Ignora os olhares". Tá aí uma coisa que eu não consigo, parece que esse povo nunca viu gente. E eu nunca vi tanta arma e gente fumando maconha em um lugar só. Eu tô impressionada, confesso..
VN: Se falarem contigo e te perguntarem coisa estranha, tenta ignorar.
Laís: Exatamente. E por favor, não saiam de perto por muito tempo.
Triz: Vão tentar matar a gente? Acho que vocês tão muito preocupados. - Perguntei com humor mas nenhum deles me respondeu.
Sentei em uma cadeira e eles sentaram do outro lado da mesa. Os dois trocaram algumas palavras e nós duas ficamos moscando mesmo, até tinha um povo dançando em uma pista muito bem improvisada.
Triz: Vamos lá? Eu amo dançar. - falei para a Letícia.
VN: Não pô, é melhor ficar por aqui - Concordei desapontada e um garçom serviu a gente.
Foi só ele sair que um grupo de uns dez homens vieram para perto. Só macho lindo, que horror.
T3: VN, Laís, Letícia - comprimentou eles. - E a j**a é?
Cruzou os braços curioso e meu pai levantou, pedindo para mim levantar também. Eu levantei afastando a cadeira.
VN: Minha filha, Beatriz. - sorri para o cara que segurou minha mão me cumprimentando com um sorriso no rosto.
T3: Beatriz? - concordei. - A filha da Cíntia, não é?
VN: É pô. - clima estranho detectado, facilmente. - A reunião começa quando?
T3: Quando meu filho chegar. Será que eu posso apresentar a Beatriz pro resto da facção? Se ela quiser, claro.
Triz: Por mim não tem problema.. - dei de ombros e meu pai falou algo baixo para ele.
O cara concordou e me chamou, fui andando do lado dele que ficou calado. Pelo menos por uns vintes segundos.
T3: Sou o T3 pô, um dos chefes do comando. - concordei. - Vai ficar muito tempo por aqui? Com o teu pai..
Triz: Acho que não. Só vim passar um tempo com meu pai sabe, pretendo voltar pra São Paulo ainda no final do mês.
T3: Final do mês. - repetiu e parou em frente a outra mesa. - Eae bando de filho da p**a, essa aqui é a Beatriz. A filha do VN e da Cíntia.
Clima estanho outra vez detectado.
Todos eles me olhando de um jeito estranho, que nem o meu pai. Tô me achando a própria estrela da noite.
Xx1: Opa, satisfação princesa. - levantou e já veio beijando minha bochecha - Magrinho.
Sorri com uma leve vontade de rir do vulgo dele. Os outros seis caras também se apresentaram e ainda sentei com eles, ficamos no maior papo.
Até que são gente boa. Aliás, todos eles fazem parte do alto comando do PCC.
Todos lindos de matar, literalmente. E pelo que eu entendi só o T3 é casado, tem até filho. Os outros são totalmente solteiros e muito interessantes.
Achei a minha cara! Puro problema.