Capítulo 30

1366 Words
Sophie arregalou levemente os olhos. — Eu... — tentou se soltar de Nicholas. — Desculpa... Nicholas caiu na risada. — Não, amor. — segurou-a pela cintura. — Deixa disso. Esse i****a tá te zoando. Matthias finalmente perdeu o personagem. Suspirou teatralmente, deu dois passos à frente e, exageradamente, fez uma reverência para Sophie, segurando delicadamente a mão dela e depositando um beijo rápido sobre os dedos. — Perdoe-me, Sophie. — disse, agora sorrindo. — Eu não resisti. Você parecia inocente demais para perder a chance. Ela riu, meio sem jeito. — Bom... eu sou inocente demais quanto aos costumes de vocês. Nicholas riu junto e beijou o topo da cabeça dela. — Você deu um susto na gente. — comentou. — A gente estava aqui falando do meu pai. Se fosse ele entrando, eu tinha levado uma bronca. Aliás... mais uma, né? Sophie olhou de um para o outro, divertida. — Vocês se trancaram numa biblioteca pra falar m*l do rei? Os dois riram ao mesmo tempo. — Minha cara Sophie — Matthias respondeu — a gente se tranca em qualquer lugar para falar m*l do rei e dos protocolos. Nicholas gargalhou. — Desde que não tenha ninguém por perto para ouvir e fofocar para o meu pai, a gente tá seguro. Ela riu com eles... e então falou sem pensar: — Você também não gosta de ser príncipe? Parou na mesma hora. — Quer dizer... você não... senhor? Alteza? Matthias riu. — Pelo amor de Deus. "Senhor" parece que eu sou um velhote. — fez um gesto displicente. — Pode falar "você". Pelo menos aqui, em off. Não tem problema. Ela riu, aliviada. Era igualzinho a Nicholas. — Mas em público — Nicholas reforçou, com um sorriso — você vai precisar lembrar, amor. Reverenciar. Chamar de alteza, todas essas coisas que a gente já conversou. — Tudo bem — ela concordou. — Eu aprendo. — Respondendo sua pergunta... — Matthias começou. — Ele adora ser príncipe — Nicholas o cortou, imediatamente. — Qual é! — Matthias protestou. — Eu não ia dizer isso. — Mas é a verdade. — Nicholas insistiu. — Você adora isso aqui. Se diverte comigo reclamando, mas adora. Matthias balançou a cabeça. — Eu só acho que você faz drama demais por coisa simples, Nicholas. Sophie, observando os dois, riu. — Eu concordo com ele. — disse. — Você exagera no drama, Nick. Nicholas bufou, teatral. — Pronto. Era só o que me faltava. Matthias e Sophie se entreolharam e disseram quase ao mesmo tempo: — Viu só? Drama! A biblioteca se encheu de risadas. Eles ficaram ali ainda por alguns minutos, conversando à toa, rindo baixo como quem se escondia do mundo. Até que Matthias olhou discretamente para o relógio no pulso e suspirou. — Devo dizer que a gente precisa ir para o salão, primo. Nicholas ergueu as sobrancelhas. — Já? — A essa hora, o tio Edmund já deve estar movimentando a guarda real — Matthias continuou, sério demais para não ser piada. — Achando que você fugiu de volta para o Brasil. Nicholas riu. — Certeza absoluta que sim. — levantou-se. — Vamos logo encarar isso, tenho coisa demais para fazer hoje. Sophie observava os dois, divertida. — Todos esses compromissos... — comentou. — São tantos assim? — Bom... — Nicholas começou, fazendo uma careta. — Primeiro tem o café da manhã oficial, que vai ser uma tortura. Depois deve ter uma audiência com o rei, para ele me dar mais broncas e listar tudo o que eu devo fazer no dia. — E depois — Matthias completou, já rindo — reuniões. — Muitas reuniões — Nicholas confirmou. — Com gente falando de coisas nas quais eu não tenho o menor interesse. — Nossa — Matthias gargalhou. — Você fez parecer a coisa mais chata do mundo. — Porque é — Nicholas rebateu. — Ministros, chefes militares, diplomatas... todo mundo falando sobre sabe Deus o quê. Matthias riu mais alto. — Realmente, meu primo, ninguém odeia mais ser príncipe do que você. Não é possível. — Eu não nasci para isso — Nicholas respondeu, sério. — Na verdade — Matthias rebateu, divertido — nasceu sim. Nicholas revirou os olhos. Sophie, curiosa, inclinou a cabeça. — O que é exatamente uma audiência com o rei? — perguntou. — É só... uma conversa com seu pai? Nicholas riu. — Basicamente, sim. — explicou. — Só que com protocolo, horário marcado e uma lista invisível de coisas que eu não posso dizer. — E com o risco constante de bronca — Matthias acrescentou. — Sempre — Nicholas confirmou. — E você esqueceu de falar — Matthias continuou — da exibição do príncipe herdeiro. Nicholas fez uma careta ainda maior. — Ah, é verdade... — suspirou. — Vai acontecer. Não tenho para onde fugir. — Exibição? — Sophie perguntou, os olhos brilhando. — Aparição pública — Nicholas explicou. — Cumprimentar gente, mostrar que eu estou aqui, que estou vivo, que sou real. — Que voltou para ficar — Matthias completou. — Uau... — Sophie comentou. — Um dia cheio, pelo visto. Aqui você trabalha bem mais do que no consultório. — Bem mais — Nicholas confirmou. — E com muito menos animais fofos. Ela riu. — Bom... então vai pros seus compromissos. — disse, leve. — Eu vou passar o dia tentando achar o caminho de volta. Esse lugar é um labirinto. Matthias riu. — Acontece mais do que você imagina. A gente, quando criança, se perdia o tempo todo aqui. — Você que não tinha nenhum senso de direção — Nicholas provocou. — Cala a boca — Matthias rebateu, rindo. — Mas acho que podemos te levar até a ala de hóspedes. Comigo junto, tipo dama de companhia improvisada, o rei não deve implicar. Nicholas deu uma risada curta. — Vai implicar, sim. — disse. — Só que menos. — Tá vendo as coisas que eu me sujeito por você? — Matthias suspirou, teatral. — Passei sete anos em paz, sem levar bronca como criança. Você volta um dia e eu já levei uma à mesa... e tô prestes a levar outra. — Mas adora me ter de volta — Nicholas respondeu. — Seus dias ficam um tédio sem mim aqui, Matthias. Não disfarça, que eu sei. — i****a — Matthias murmurou, mas sorria. Os três saíram da biblioteca ainda rindo, conversando enquanto caminhavam pelos corredores largos, iluminados pela luz da manhã. Por alguns instantes, parecia fácil esquecer onde estavam. Até que, antes de chegarem à ala de visitas, alguém surgiu à frente. Katarina. Ela vinha na direção do salão de jantar, passos seguros, postura impecável. Matthias foi o primeiro a sorrir, reconhecendo-a. Nicholas travou. Sophie, por instinto, analisou a mulher que parou diante deles com um leve sorriso nos lábios. Loira. Olhos azuis. Magra. O cabelo preso com perfeição. Vestido elegante, discreto e ao mesmo tempo impossível de ignorar. Katarina fez uma reverência contida e precisa diante dos dois príncipes. O ar mudou. — Kat — Matthias cumprimentou, com naturalidade. — Bom dia. Nicholas travou por um segundo antes de reagir. — Princesa Katarina — disse, excessivamente formal, inclinando levemente a cabeça. — Bom dia. Ela arqueou uma sobrancelha, divertindo-se com a diferença gritante de tom. — Bom dia, Nicholas — respondeu, com suavidade. — Devo dizer que vocês estão indo na direção oposta do nosso maravilhoso café da manhã. Matthias apontou com o polegar para trás. — Primeiro vamos mostrar o caminho da ala de hóspedes para a senhorita Sophie. Depois, sim, iremos enfrentar o nosso terrível destino. Katarina sorriu. — Ah... entendo. — olhou de um para o outro. — Então estamos todos atrasados de propósito. Evitando o café da manhã desconfortável? Nicholas sorriu de canto. — Eu certamente estou — respondeu, ainda formal demais para o próprio gosto. Katarina soltou uma risada baixa. — Não precisa de toda essa formalidade — disse. — Estamos entre amigos, não estamos? O olhar dela deslizou até Sophie. — Você é uma amiga nossa, senhorita Sophie? Sophie ficou sem reação. Abriu a boca, fechou de novo. O coração batia rápido demais. Katarina inclinou levemente a cabeça, com um sorriso doce. — Imagino que sim. — completou. — Não houve reverência.
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