Andréia Acordei com uma baita dor de cabeça. Também, quem mandou chorar quase a noite inteira? Só consegui pegar no sono depois de rezar o terço, mas nem assim tive descanso. A cena insistia em martelar na minha mente: o beijo. O beijo… e logo depois, a humilhação. Se eu pudesse, enfiava a cabeça na terra feito avestruz. Meu pai já havia batido na porta várias vezes. Meu irmão e minha cunhada também tentaram conversar comigo, mas eu só queria ficar trancada no quarto. Até perdi a missa da manhã. Devia ter ido. De manhã, a chance de encontrar alguém que tivesse presenciado o fiasco do baile era bem menor. Nos domingos, eu sempre tocava no restaurante do meu pai para animar os clientes, mas naquele dia não tinha a menor disposição. Meu celular estava lotado de mensagens: da Tati, do Alex…

