Sete anos depois...
Luna
Algumas coisas te deixam marcado para sempre. Outras, fazem você ter um grande aprendizado, mas todas as coisas sendo boas ou ruins, sempre te deixam mais forte. Aprendi isso no decorrer dos anos. Cada queda, cada sacrifício e cada lágrima me trouxeram até aqui, ao meu Café Literário, junto de meus melhores amigos como sócios. Lori está uma pilha. Anda de um lado para o outro dando ordens. Dizendo que nada está como deveria e que a inauguração será um fracasso. Termino de decorar o último cupcake colocando-o na bandeja.
— Lori, mais um grito e não teremos funcionários para a inauguração, aí sim, a a******a será um fracasso.
Arthur sorri, cúmplice. Ele já sabia que eu tinha uma forma de controlar a maluca da tia.
— E sem inauguração, sem o café funcionando como deve, minha mãe vai continuar trabalhando dobrado, até mais, sem ter tempo para mim. A senhora não me ama? Por isso quer que mamãe continue trabalhando sem descanso? — Sua pergunta sai num tom sério. Ao menos, tenta. Não demorando muito para exibir seu lindo sorriso com covinha, que não é somente a minha perdição, mas a da tia tambem.
— Não, claro que não. Jamais faria algo para te magoar, meu pequeno. — Minha amiga senta ao lado de Arthur, olhando culpada para ele.
Ah, o garoto era um perigo para as mulheres nessa idade e nem quero pensar quando for um homem feito.
— Então se acalme — fala como se fosse fácil.
— Ainda falta onze anos para que você e eu possamos casar – Lori dá uma lufada, abrindo um sorriso. Em seguida, puxa Arthur para seus braços, enchendo sua pequena face de beijos muito molhados para fazê-lo rir e gritar “eca”.
— Podem parar com a bagunça — mando, levando a mão ao quadril.
Ambos riem e mostram a língua. Empino o nariz, arqueando as sobrancelhas. Arthur já conhece essa expressão. Ele fica quieto rapidinho. Lori também.
Depois de controlar as crianças, pois minha amiga é uma eterna criança quando não está surtando, terminamos de organizar os doces e os bolos. Marcelo é responsável pela cozinha, mas hoje por ser o grande dia, estou dando uma mãozinha à ele. Estamos com poucos funcionários. Se o café for um sucesso, logo estaremos contratando mais pessoas.
— Mãe, posso ir para cima? Quero terminar de ler meu livro.
Meu filho está lendo as crônicas de Nárnia. O garoto ficou fascinado pela história e mau consegue ficar muito tempo sem o livro em mãos.
— Pode, sim. Vou ligar para Francis pedindo que desça. Espere um minuto — respondo.
Lori, Arthur e eu mudamos para o andar superior ao café. Comprar o estabelecimento levou toda a nossa economia. Pagar aluguel estava fora de questão, então montamos morada no andar superior. O lugar é aconchegante. Tivemos que fazer uma pequena reforma. Transformar um quarto em dois, no caso, a suíte principal. A sala era conjunta com a cozinha. Haviam enormes janelas, mas nada de varanda. Um banheiro e uma pequena área de serviço. Típico apartamento de Nova Iorque. Sim, me mudei para Nova Iorque uma semana após o término com Dare. Morávamos juntos e eu não poderia permanecer no apartamento dele, mesmo que ele estivesse em turnê.
Pego o telefone e aperto a discagem rápida. A babá do meu filho atende no primeiro toque.
— Sim? – A voz mansa preenche meu ouvido.
— Poderia esperar o Arthur nas escadas? Ele não quer ficar aqui. — Peço à mulher que tem sido um anjo para nós durante esses últimos anos.
— Claro, manda o príncipe subir.
Sorrio. Ela chama meu menino assim desde a primeira vez que cuidou dele. Disse que ele tem a aparência de um príncipe. É raro vê-la chamá-lo pelo nome e meu garoto sequer se incomoda. Ele ama Francis como uma avó. Ele não conhece a avó biológica. Nenhuma das duas. Minha mãe nos rejeitou anos atrás quando bati à sua porta pedindo abrigo.
Lori decidiu subir com Arthur. Disse que precisava de um tempo longe daquela confusão. Como já está tudo encaminhado, não chiei. Deixei os dois seguirem para o andar superior.
— Sabe? — Marcelo surge em minha frente com uma bandeja cheia de salgados. — Acredito que nosso menino deva fazer mais do que ler. Por que não o incentiva à fazer um esporte, além de ler e estudar?
— Arthur odeia esportes, mas adora música. Outro dia pediu para fazer aulas de violão. — Respondo, pensando no quanto meu filho puxou ao pai. Não só na aparência, como na paixão pela música.
— Ótimo, mas um esporte poderia ser uma boa. Ele vai exercitar o corpo franzino e talvez, bem mais adiante, num futuro não muito distante, consiga até uma bolsa para a faculdade.
Sorrio diante da sugestão do meu amigo. Ele adora o afilhado e tenta ser uma figura paterna para Arthur. Marcelo e Lori são os padrinhos do meu filho. Ambos são perdidamente apaixonados por ele, como também serão guardiões legais dele, caso algo aconteça comigo.
— Vou conversar com ele, mas ambos sabemos a resposta. — Falo, lembrando que meu amigo já tentou ter essa conversa com meu filho, que recusou veementemente a sugestão.
— Não custa nada tentar de novo, vamos acabar vencendo pelo cansaço. — Mar falou esperançoso.
— Claro — duvidava muito que fosse possível. Apesar de ter sete anos, Arthur adora estudar mais até do que brincar, assim como ler. No seu aniversário de sete anos, ao invés de pedir um brinquedo caro, ou um videogame, pediu um k****e igual ao meu, para poder ler seus livros digitais.
— Ah, esqueci de dizer — Marcelo parece lembrar de algo. — Sabrina está na cidade promovendo uma banda famosa e vem para a inauguração. Disse que vai mexer uns pauzinhos e convidar algumas celebridades locais para promover o café.
Agora fiquei verdadeiramente animada, além de mais nervosa ainda. Sabrina é uma excelente relações públicas. Uma das mais requisitadas no ramo. Vive viajando à trabalho. O simples fato da esposa de Marcelo arrumar um tempo para nos ajudar, já era algo incrível.
— Isso é uma maravilhosa notícia e sabe o que significa? — Pergunto ao meu Masterchef.
— Que vamos ter que caprichar ainda mais? — Pergunta animado.
— Isso mesmo.
Aviso!
esses capítulos são apenas para a solicitação do contrato. O lançamento oficial do livro é dia 01/10, com postagens diárias a partir das 20 h, aguardo vocês!