Capítulo 2

1319 Words
Dare Observo Maison encerrar o último show da turnê com um grito ensandecido de agradecimento. Depois de dez anos, finalmente tiraremos férias prolongadas. Foram anos de trabalho duro e breves descansos. — Obrigado, Los Angeles, vocês são f**a demais. — Kevin, o baterista da banda fala arrancando gritos do público. — Fodas pra c*****o — falo ao meu microfone. Saímos do palco. Os roadies correm para fazer seu trabalho e entrego minha guitarra à um deles. — Vem, a pós festa nos esperar — Billie fala empolgado. Sigo meu companheiro de banda, que recentemente ganhou uma capa na The rock como baixista mais bonito das bandas de rock. Ele quase teve um ataque apoplético quando viu a reportagem. Billie é o mais tímido da banda. Também foi o responsável por me apresentar Luna Duarte, a mulher que me abandonou quando mas precisei dela, a mesma que dizia me amar incondicionalmente. Balanço a cabeça dispersando a imagem da mulher que foi embora sem olhar para trás. Eu preciso de uma companhia esta noite. Luna. O Café Literário está sendo um sucesso. A proposta inicial foi aceita por pessoas que adoram ler e pouco tempo tem para se dedicar à isso, devido a correria do dia a dia. O lugar é tranquilo e apropriado para ler sem se preocupar com barulho. Os clientes entram no salão, fazem seu pedido e correm para a área destinada à leitura. Os livros são distribuídos em estantes de designer moderno. Elas escolhem algum livro e aproveitam ao máximo o tempo livre antes de seguirem para suas rotinas malucas. Lori e Marcelo estão com novas ideias. Acreditam que podemos lucrar ainda mais se fazermos noites temáticas como karaokê ou música ao vivo. A ideia é boa e se bem articulada, com certeza será um sucesso. Contudo, deixei bem claro aos meus sócios que precisamos arrumar um gerente para o turno da noite, pois o objetivo de abrir meu próprio negócio era não ter que trabalhar noite e dia para prover o sustento do meu filho, perdendo assim, seu crescimento. Eu já havia dividido com Lori os turnos para gerenciar o café e fiquei com o turno da manhã. Lori com o turno da tarde. Como Mar é responsável pela cozinha, nos reversamos no turno da noite. — Então, Luna, está de acordo? — Mar pergunta. — Não vai mudar em nada o nosso cronograma? — Lori tenta me convencer. — Também vamos ter que contratar mais um cozinheiro para o turno da noite ou eu mesmo posso trocar de... — Não, você não vai mudar de turno. Sabrina nos mataria. A noite é o único horário que podem estar juntos sem interrupções. Lori e eu damos conta. — Garanto ao meu amigo. — Bom, vamos fazer o café bombar. — Marcelo fala animado. *** Arthur está distraído com seu k****e, ignorando o ir e vir das pessoas no parque. É estranho, confesso. Uma criança tão nova ser tão introspectiva, apenas centrada nos estudos e na leitura por diversão. Meu filho odeia correr, ficar suado e ficar sujo. Ele começou a agir assim desde que completou cinco anos. Antes ele era um pestinha que me fazia querer arrancar os cabelos. — Quer um vidrinho de sabão para fazer bolhas? — Pergunto animada ao ver um palhaço vendendo, fazendo diversas bolhas para chamar a atenção. Ele levanta a cabeça, olha direto para o vendedor palhaço e por uns segundos vislumbro um brilho em seus olhos, mas subitamente esse brilho se apaga, volta a baixar a cabeça e se concentrar na leitura, ele está empenhado em terminar de ler as Crônicas de Nárnia. — Não — ele fala em seguida. — Filho, largue o k****e um pouquinho. Ler é bom, mas brincar também é importante. Há tempo para tudo e agora é hora da diversão. — Tô me divertindo lendo — retruca sem desviar os olhos para mim. Frustrada por mais um passeio estar indo ladeira abaixo, cruzo os braços, buscando alternativas para lidar com meu filho. Poxa, só queria ter um pouco de diversão no parque com meu bebê. — Por que aceitou vim se não queria? — Pergunto por fim. Ele dá de ombros. — Deveria ter perguntado primeiro e eu teria dizido — fala tranquilo. — Que tal uma volta de charrete e depois comermos cachorro quente do Mark? — Tento uma última vez animar esse menino. — Mamãe, promete que depois vamos embora? — Praticamente implora. Assinto e pela primeira vez desde que chegamos ao central Park, Arthur me entrega o k****e, parecendo animado com a expectativa de ir embora pós passeio de charrete. Arthur acabou se animando com o passeio depois que contei que seu pai e eu sempre fazíamos um passeio de charrete pelo parque com parada garantida no carrinho de cachorro quente do Mark. Meu filho pode ser maduro, introspectivo e caseiro, mas ainda é uma criança que está crescendo sem o pai. Então qualquer informação sobre seu progenitor que solto o anima, até mesmo quando expliquei-lhe que seu papai não sabia de sua existência, que nos separamos antes de eu descobrir que estava grávida e que depois não consegui entrar em contato para falar sobre a gravidez. E não era mentira. Como Dare ainda estava em turnê, liguei para ele, que nunca atendeu e nem retornou minhas ligações. Na última tentativa de ligar, parei de chorar e comecei a dar um rumo à minha vida para garantir, ao menos, uma qualidade de vida para a criança que estava se formando em meu ventre. — Mamãe? — Arthur me puxou dos pensamentos que haviam me transportando para o passado. — Sim? — Posso saber o nome do meu pai? — Pergunta esperançoso. Sorrio diante do pedido. Ele fazia essa pergunta desde o ano passado e eu sempre me esquivei. Bagunço seu cabelo n***o e liso fazendo-o rir, dando-me a visão de sua covinha quando o riso se torna um sorriso lindo e puro. — Dare — respondo sem pensar muito. — Dare — ele repete, testando o nome em seus lábios. Meu filhote sorri, agradecido. Dare Os rapazes estavam com uma carranca estampada no rosto desde que fomos acordados pela chefe de segurança da Millenium. Era para ser nosso primeiro dia de férias prolongadas, mas não foi isso que aconteceu. Nosso agente, sempre tão dedicado, esqueceu de nos avisar, dizendo ele. Tínhamos um ensaio fotográfico no Central Park que seria publicada na revista Rolling Stone. Embarcamos cedo no jatinho da banda, rumo a Nova Iorque. Agora, Kevin, Billie, Maison, Stuart e eu estamos irritados com a demora no ensaio. Já fotografamos em cada parte do maldito parque e o fotógrafo parece nunca está satisfeito, sempre inventando de tirar mais fotos. Duvido muito que todas serão publicadas. — Está quase no fim — Betsy, nossa chefe de segurança garantiu. Sim, nosso chefe de segurança é uma mulher. Uma mulher que mais parece um sargento do exército, que dá medo em qualquer marmanjo de dois metros de altura. Enquanto estamos trocando as jaquetas por ordem do fotógrafo, vejo algo chamar a atenção de Betsy, que estreita os olhos, como se assim fosse enxergar melhor. Meu olhar segue na mesma direção da sargento. Meu coração quase para ao reconhecer quem chamou a atenção da nossa chefe de segurança. Passando em uma charrete, Luna está distraída conversando com uma criança, bagunçando seu cabelo e arrancando risadas do garoto. Um passeio de charrete com parada certa no final. — Dare? — Betsy chama preocupada. Nunca contei a banda e a equipe o motivo de Luna ter ido embora, apesar de desconfiarem. Nunca admiti que meu amor obsessivo por Angelina e a maldita música que compus para ela, declarando meu eterno amor, foram a razão da mulher que se distanciava cada vez mais, ter ido embora. Entrego a jaqueta a ela, dizendo: — Já volto — e começo a correr em direção a parada final do passeio.
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