Capítulo 3

1711 Words
Luna Antes de fazer a parada final, Arthur pediu para darmos mais uma volta, empolgado por finalmente saber o nome do pai. Um dia, disse ao meu filho, contaria à ele como conheci seu pai. Sempre um passo de cada vez. Sei que depois de anos poderia ter entrado em contato com Dare de forma indireta, por Gwendoline, mãe dele e de Billie, meu amigo mais querido que cortei amizade após o término com seu amigo e colega de banda. Depois da última tentativa de falar com Dare por telefone, decidi que era melhor assim. Estava magoada, grávida e sem ter para onde ir. Dare me ignorar foi um sinal claro de que não poderia contar com ele. Sim, naquele momento eu pensei tudo de r**m sobre meu ex-namorado, eu tinha e ainda tenho razões para isso, meu peito apertar e a raiva cresce só de lembrar, além do mais acreditei realmente que Dare não me daria assistência ao saber da gravidez. Estava frágil, magoada e cansada de implorar por migalhas. Foi depois que Arthur nasceu que percebi que não poderia esconder filho de Dare, mas não criei coragem para falar ele, não pude. Meu orgulho foi maior. Eu queria provar a mim mesma que seria capaz de dar uma boa vida ao meu filho sem precisar do pai e do dinheiro dele. — Mamãe, vamos? — Arthur mais uma vez me resgata de meus pensamentos. Ele aponta para o carrinho de cachorro quente. — Claro — pago o condutor logo após ele nos ajudar a descer da charrete, agradecendo com um sorriso pelo passeio. Arthur me puxou até o carrinho de Mark, que sorriu assim que nos avistou. — Olha, vocês estavam sumidos — o homem comenta assim que paramos em sua frente. — Muito ocupada, somente hoje consegui tirar o resto do dia de folga para passear com meu bebê. — Mãe! — Arthur protesta — eu já sou rapazinho, para de me chamar de bebê. — Pede envergonhado. — Você sempre será o meu bebê — aperto levemente a ponta do seu nariz. — Garoto, aprenda que não importa a idade, você sempre será um eterno bebê para seus pais. — Mark fala entregando o sanduíche para meu filho. — Principalmente para as mães. O velho homem me contempla com um sorriso antes de preparar o meu cachorro quente. — Isso mesmo. — Concordo com o vendedor com um sorriso cúmplice. — Duas garrafas de limonada. — Peço para acompanhar os sanduíches. — Olá, Luna? Há quanto tempo. Sinto meu corpo enrijecer no exato momento que reconheço a voz atrás de mim. Isso não pode está acontecendo. Não pode ser real. Fecho os olhos tentando manter as emoções sob controle diante da situação inesperada. — Mãe, o moço está falando com a senhora — Arthur me lembra, chamando atenção para minha indelicadeza. Meu filho é inteligente demais para o meu próprio bem. Respiro fundo, preparando-me para encarar o homem que me destruiu para qualquer outro, eu o amei e me dei tanto aquela relação que depois do nosso término, de tudo o que aconteceu... Eu temi passar por tudo de novo, apesar de haver uma exceção. O homem que não é mais dono do meu coração porque Arthur nasceu e o reclamou para si. — Mãe — ouvi-lo repeti com espanto essa pequena palavra que tanto tenho orgulho, me deu a força que eu precisava. Eu não era mais aquela Luna que teve seu coração partido porque o homem que amava não era capaz de sentir o mesmo e porque ele era um maldito covarde. — Olá, Dare, faz bastante tempo. — Falo ao virar e deparar com olhos verdes espantados, olhando diretamente para a criança ao meu lado. Olho para meu filho, que está com a mesma expressão do homem. Tão parecido. Claro que a razão do espanto do meu menino foi o reconhecimento do nome que esqueci de omitir ao responder o cumprimento. Volto os olhos para o homem à minha frente. Já posso imaginar as engrenagens do seu cérebro trabalhando, afinal. Basta olhar para Arthur e Dare para deduzir que são pai e filho. Por alguns segundos me permito admirar as mudanças que ele sofreu nos últimos anos. O cabelo n***o que antes era rente agora caem até a nuca. O rosto sempre liso de antes, estava com barba cheia e bem aparada. Dare está maior, mais forte e imponente. Meu coração deu pequenos pulinhos de empolgação, mas tratei logo de repreende-lo. Se fosse para ele ser nosso, estaríamos juntos até hoje. Já me conformei com este pequeno detalhe. — Quantos anos você tem? — Ele pergunta diretamente ao meu filho. Arthur segura minha mão, olhando para mim. Em seus pequenos olhos, vejo o pedido de permissão. Ele, tão pequeno, tão esperto e tão leal. Sorri, assentindo. Não era justo com nenhum deles. Já estava na hora deles se conhecerem, senão, Dare não estaria aqui. — Sete — meu pequeno responde. Olho novamente para Dare, ele rapidamente ficou branco que nem papel. — Dare, esse é Arthur, meu filho — Acredito que usar a palavra “nosso” o faria desmaiar ou vomitar. Pelo menos, é isso que a expressão dele me diz e confesso, eu adoraria que ele caísse duro, porém, nem sempre podemos ter o que desejamos. O maldito continua lindo, mas duvido muito que tenha mudado, antes de mais nada, puxo memória as lembranças daquela noite que tudo desmoronou. Dare olha para a mão estendida do meu bebê, que parecia ansioso para aquele primeiro contato pele à pele com seu pai. — Olá. — Foi tudo que saiu da boca dele. Meu filho já ligou A+B e tenho certeza que acredita que o pai fez o mesmo devido a expressão em seu rosto. Dare só reage quando seu telefone toca, fazendo-o despertar para a situação inusitada que nos encontramos. Enquanto ele fala ao telefone, aproveito para pagar nosso lanche e agradecer a Mark por esperar. Avisto um banco próximo do carrinho e seguro a mão do meu filho para seguirmos até lá. É quando sinto uma forte pressão em meu braço, olho por cima dos ombros para o dono da mão que me segura. — Você não vai embora de novo sem olhar para trás. — Fala num tom de ameaça. — Não estou indo embora — falo friamente. — Estamos indo para aquele banco — olho na direção do lugar que estava indo. — Não somos animais para comer em pé, então se puder fazer o favor... — Olho para a sua mão, cujo aperto se afrouxou. — Desculpe — ele pede desviando o olhar envergonhado. — Não volte a me tocar, Dare, e não teremos problemas — falo numa ameaça velada. — Se preza a sua carreira. Ele fica ainda mais pálido, Dare sabe exatamente do que estou falando. Claro que sabe, ele não esqueceu e eu muito menos. — Mamãe? Tudo bem? — Arthur pergunta preocupado com a cena que acabou de presenciar. — Sim, ele não voltará a fazer isso, senão arranco as joias dele. — respondo. — As joias não mamãe, é maldade — meu filho repete o que seu padrinho sempre diz quando faço a mesma ameaça à ele. — Entendi — Dare fala com o olhar atento a breve conversa entre mãe e filho. — Pode nos acompanhar no lanche se quiser. — Arthur sugere, ansioso. — Não posso demorar mais. Saí antes que terminasse o ensaio fotográfico. Tenho que voltar, senão quem arranca minhas joias é a Betsy. Estremeço ao lembrar da chefe de segurança da Millenium. A mulher é capaz de derrubar um homem com o dobro do tamanho dela. — Faz tempo que você não fala com o pessoal, por que não me acompanha? Depois podemos almoçar no restaurante do hotel. Dare realmente está relutante em nos deixar. Eu até entendo quando o vejo olhar para o filho, mas não posso deixar de me sentir ofendida. Ele acredita que vou sumir de novo, como se não tivesse motivos para fazê-lo. — Que tal, Quer ir? — Olho para Arthur e pergunto, mesmo sabendo qual será a sua resposta, eu realmente queria está errada. Arthur assente ansioso. Aposto que ele sequer pensou nas pessoas que vai conhecer. — Bem, então vam... Meu celular começa a tocar. O pego da bolsa rapidamente. O nome de Lori pisca no visor. Respiro fundo, para ela atrapalhar meu passeio com o afilhado é porque a coisa é séria, mas não importa o que seja, isso vai me livrar de Dare e me dar tempo para colocar os pensamentos em ordem. — Espero que seja urgente — Digo à Lori ao atender. — Dois auxiliares tiveram que faltar no turno da tarde e estamos com a casa lotada. O Mar precisa de ajuda — fala rapidamente. — Estou a caminho. — Desligo o celular. — Problemas no Café? — Arthur pergunta triste. — Sinto muito, mas a mamãe precisa dar suporte ao tio Marcelo. — Temos que ir — Aviso, olhando para Dare. — Luna, não. Precisamos conversar. Não pode simplesmente sair assim sem nem ao menos me dar uma explicação — Fala olhando para Arthur. Eu não poderia dizer que poderia faze-lo sim, apesar de saber que o momento de0 pai e filho se conhecerem um dia iria chegar, mas não pensei que fosse tão cedo. Arthur puxa meu braço e me olha com aqueles olhinhos verdes, aquele olhar de por favor e sim, meu coração se aperta e eu não posso fazer isso com ele, não mais. Mesmo que ele tenha todo o amor e suporte que precisa, respirou bem fundo e antes que eu me arrependa, falo: — Porque não vai nos encontrar após o ensaio? Vou te dar o endereço. Anote aí. Ele digita enquanto eu dito. — Pode levar os rapazes se quiser, mas vou logo avisando que a minha sócia é super fã da banda. Especialmente do Maison — Antes de caminhar para a saída do parque, falo. — Até logo. — Tchau, até daqui à pouco. — Arthur fala dando adeus para o pai. Dare fica nos observando, indeciso sobre acreditar em mim ou não, mas isso é problema dele e posso garantir que ele vai colher tudo o que plantou.
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