Dare
Correr ao encontro de Luna foi um mero impulso. Simplesmente corri sem saber como ela reagiria à mim, foi um risco mas não consegui deixar de ceder ao impulso. Eu não a via há tantos anos e sim, eu queria surpreende-la com nosso reencontro. Mostrar que estou bem e saber se ela estava bem, apesar de como tudo terminou. O problema é que quem saiu chocado desse reencontro fui eu. No momento em que coloquei meus olhos no garoto ao lado dela, eu soube que ele era meu filho. Tentei fazer as contas. Pensar nas possibilidades. Mas sete anos é o tempo exato que Luna e eu não nos vemos. Sete anos que ela teve para entrar em contato comigo e contar que nosso relacionamento gerou um fruto.
Sete anos que passei odiando a mim mesmo por não ter sido capaz de retribuir o seu amor, de ter sido um maldito escroto. Quando a vi, não prestei atenção a criança de fato, mas cheguei a rápida conclusão de que ela havia construído uma nova vida casando e tendo filhos enquanto eu sofria. Senti mágoa por Luna ter seguido em frente, depois de ter dito que me amava, mesmo eu não tendo o maldito direito de me sentir assim. Mas ao ver Arthur, meu choque foi tanto que quase perdi os dois novamente. Não consegui externalizar a pergunta para não confundir o garoto. Não sei ao certo o que ela disse para meu filho sobre mim. E se tiver dito que o pai estava morto? Ou que ele os abandonou? Que ele não os quis?
Eu estava em um mar de confusão com todos os tipos de pensamentos indo e vindo, eu não tinha o direito de pedi explicações sobre a vida de Luna mas do garoto, era óbvio que ele era meu e apesar de tudo que fiz a ela, eu tinha o direito de saber sobre ele. Não deveria tê-los deixado ir. Luna pode muito bem ter me dado um endereço falso, mas se esse for o caso, vou caçá-la até o inferno. Ela não vai me impedir de conviver com meu filho, agora que sei da existência dele.
— Onde você estava? — Betsy pergunta assim que me junto à eles.
— Vamos terminar logo com isso. Tenho algo importante para fazer. — Ignoro sua pergunta, apressando o fim daquele bendito ensaio. Senão fosse por esse trabalho, jamais descobriria sobre meu filho.
— Cara, tudo bem? O que aconteceu? Luna e você discutiram? — Kevin pergunta enquanto pego a jaqueta que um dos assistentes do fotógrafo me entrega.
Olho para meus amigos, eles estão em expectativa pela resposta. Claro, Betsy teve que explicar o motivo de eu ter saído sem avisar à ninguém.
— Não e ela nos convidou para visitar o café onde trabalha. — Respondo.
— Vamos, Dare, só falta finalizar suas fotos. — O fotógrafo avisa, não dando chance para mais explicações.
***
Betsy ficou furiosa por ter que furar o cronograma. Nosso retorno para Los Angeles estava marcado para aquela tarde após o ensaio fotográfico.
— Você tem certeza de que ela convidou a banda inteira? — Ela precisava confirmar para não ser pega de surpresa. Por alguma razão, Bet não acreditava no convite geral de Luna.
— Sim. Vamos, Bet, tenho um assunto urgente para resolver com ela.
— Não apressa, garoto. Estamos com a equipe reduzida, então temos que traçar um plano de contenção. Sabe-se lá onde essa menina trabalha. — Sim, Betsy estava muito irritada com a súbita mudança no roteiro.
Depois que ela fechou a porta da Limusine e deu ordens para o motorista seguir para o endereço que lhe entreguei, os caras ficaram em silêncio. Eles sabiam que se viessem com uma enxurrada de perguntas eu não responderia.
— Tenho um filho. — Falo depois de um tempo.
Pego todos de surpresa.
— O quê? — Stuart fala antes que qualquer outro o fizesse. — Como isso aconteceu?
— Seus pais nunca te ensinaram como se fazem os bebês? — Kevin zomba.
— Luna. — Maison fala olhando pra mim. Era uma constatação.
— Cara, ele e a Luna estão separados há sete anos. — Stuart fala como se isso não fosse possível.
— Dare ainda não disse quantos anos tem o filho. — Billie retruca. — Me deixe adivinhar, o garoto tem sete anos?
Assinto.
Ele balança a cabeça como se tudo se encaixasse. Billie e eu tivemos nossa amizade abalada depois do meu término com Luna. Eles são amigos, ou melhor, eram amigos de infância.
— Agora eu entendo porquê ela nunca atendeu minhas ligações. — Fala decepcionado.
— Você deve tê-la magoado muito para ela escolher ser mãe solteira e enfrentar tudo sozinha. — Maison deduz sério.
Ele também adorava Luna. Enquanto eu tentava retomar minha relação com Angelina, Luna foi a pessoa que estendeu a mão à ele, sem julga-lo. Foi o ombro que Maison precisava na época.
— O que você fez? — Billie perguntou num tom nada amigável.
— Dare? — Maison pressiona.
— Cara, responde, até eu estou começando a ficar bolado. — Stuart pede.
— O que aconteceu só diz respeito a Luna e eu. — Respondo num tom ríspido.
***
A Limusine parou. Esperamos até Betsy avisar que poderíamos sair. Era sempre assim quando estávamos juntos. Sozinhos era outra história. Separados era mais improvável sermos reconhecidos, bastava usar o disfarce do Capitão América: um boné esportivo e óculos de sol.
— Podem sair. — Bet abriu a porta. — Gostei do lugar, bem localizado.
O lugar é bem aconchegante, moderno e estava com uma quantidade considerável de clientes. Não demorou para sentirmos os olhares sobre nós. Ficamos parados na entrada a mando de Bet. Logo, uma mulher de estatura média, cabelo loiro, curto até a altura do ombro e um sorriso do tamanho do mundo vem ao nosso encontro.
— Não acreditei quando ela falou que vocês viriam. Pensei que estava me pregando uma peça. — Ela falou com os olhos brilhantes pousando em Maison.
— Você é a sócia? — Pergunto ao lembrar do que Luna falou. — A super fã da Millenium.
— Aí meu Deus, ela falou sobre mim? Eu amo a minha amiga e a propósito, sou a Lori!— A mulher se empolga.
— Onde a Luna está? — Billie pergunta.
— Na cozinha, mas assim que desafogar, ela irá ao encontro de vocês. Venham comigo, por favor.
A seguimos para outro espaço. Um espaço mais reservado.
— c*****o, isso aqui é o refúgio dos nerds. — Stuart fala olhando de um lado para o outro, chocado com os livros disponíveis em nichos.
— É um espaço para leitores, por isso o nome Café Literário. — Lori explica. — Rapazes, fiquem a vontade. Já designei duas garçonetes para atendê-los. São nossos convidados. — Ela nos deixa assim que tem certeza que estamos bem acomodados.
— É algo que só Luna faria, um Café Literário. — Billie fala com um sorriso.
Os rapazes já estão à vontade. Agora, só me resta esperar por Luna.