Capítulo 20:
Hoje, decidi visitar a universidade local. Meu coração batia forte enquanto eu caminhava pelo campus, observando os estudantes indo e vindo. Eu podia sentir a energia vibrante e a agitação da vida universitária. Era um ambiente tão diferente do que eu estava acostumada, mas também era emocionante.
Enquanto caminhava, pensava sobre o que eu gostaria de estudar. Sempre tive uma paixão por literatura e escrita, mas também me interessei por psicologia e ciências sociais. Eu estava dividida, incerta sobre qual caminho seguir.
Eu: (pensativa) Eu amo a ideia de estudar literatura e talvez até escrever meu próprio livro algum dia. Mas a psicologia também é fascinante. Eu poderia aprender tanto sobre a mente humana e, quem sabe, até ajudar as pessoas de alguma forma.
Além da minha indecisão sobre o curso, também havia o medo de não conseguir dar conta de tudo. Eu me preocupava se conseguiria equilibrar meus estudos com meu trabalho como babá e ainda encontrar tempo para mim mesma.
Eu: (preocupada) E se eu não conseguir dar conta de tudo? E se eu me sobrecarregar e acabar não conseguindo fazer nada direito?
Mas, apesar dos meus medos e dúvidas, eu sabia que queria tentar. Eu queria investir em mim mesma e em meu futuro. E eu sabia que, para fazer isso, precisava enfrentar esses medos e incertezas.
Então, eu respirei fundo, olhei ao redor do campus uma última vez e fiz uma promessa a mim mesma.
Eu: (determinada) Eu posso fazer isso. Eu posso encontrar um equilíbrio entre meus estudos, meu trabalho e meu tempo pessoal. Eu só preciso acreditar em mim mesma e dar um passo de cada vez.
Com essa nova determinação, decidi voltar para casa e começar a pesquisar mais sobre os cursos de literatura e psicologia. Eu sabia que tinha uma decisão difícil pela frente, mas também sabia que, não importa o que escolhesse, estaria dando um passo importante para investir em mim mesma e em meu futuro.
Há momentos em que me perco em meio à rotina diária de cuidar de Marcelo e das crianças. Momentos em que esqueço quem realmente sou. Sou Isabel, a herdeira de uma fortuna, a filha de um homem poderoso. Mas aqui, nesta casa, sou apenas Isabel, a babá. E, de certa forma, isso me traz uma sensação de liberdade que nunca experimentei antes.
Mas quando me lembro de quem realmente sou, sinto uma onda de culpa. Sinto que estou enganando Marcelo e as crianças. Eles me conhecem como a amável e cuidadosa babá, não como a herdeira de uma fortuna.
Eu: (pensativa) Como eles reagiriam se soubessem a verdade? Eles me veriam de maneira diferente? Eles ainda confiariam em mim?
Esses pensamentos me assustam e me fazem sentir culpada. Mas a ideia de revelar minha verdadeira identidade também me assusta. Lembro dos planos do meu pai para mim, de como ele queria que eu me casasse por dinheiro, para fortalecer sua posição. A ideia me dá calafrios.
Eu: (com medo) E se meu pai descobrisse que estou trabalhando como babá? Que estou vivendo uma vida tão diferente daquela que ele planejou para mim?
Mas, apesar desses medos e incertezas, sinto uma estranha sensação de contentamento. Estou feliz aqui, cuidando de Marcelo e das crianças. Sinto-me útil, amada e apreciada de uma maneira que nunca senti como herdeira de uma fortuna.
Eu: (sorrindo para mim mesma) Talvez eu tenha encontrado algo que o dinheiro não pode comprar. Talvez eu tenha encontrado um lugar onde posso ser eu mesma, mesmo que não seja a "eu" que todos esperam.
E, com essa realização, decido que vou continuar a ser Isabel, a babá, por enquanto. Vou continuar a viver minha vida do jeito que quero, não do jeito que meu pai ou qualquer outra pessoa espera. E, quando chegar a hora, encontrarei uma maneira de revelar minha verdadeira identidade a Marcelo e às crianças. Mas, por enquanto, estou feliz sendo apenas Isabel, a babá.
Depois de colocar as crianças na cama, me retiro para o meu quarto. Estou exausta e anseio por uma boa noite de sono. Mas, assim que fecho os olhos, sou assaltada por pesadelos.
Vejo Marcelo e as crianças me chamando de mentirosa, seus rostos cheios de desilusão e desconfiança. Vejo meu pai, sua expressão cheia de desaprovação e desgosto. Sinto um peso esmagador de culpa e medo.
Eu: (gritando no sonho) Eu não sou uma mentirosa! Eu só queria...
Acordo de repente, meu coração batendo forte. Estou coberta de suor e minha respiração está irregular. Levanto-me da cama e vou até a cozinha para tomar um copo de água, tentando acalmar minha mente agitada.
Quando entro na cozinha, vejo Marcelo sentado à mesa, parecendo perdido em pensamentos. Ele parece surpreso ao me ver, mas rapidamente esconde sua expressão com um sorriso forçado.
Marcelo: (preocupado) Isabel, você está bem? Você parece um pouco pálida.
Eu: (suspirando) Eu... tive um pesadelo.
Marcelo: (gentilmente) Quer falar sobre isso?
Decido ser honesta com ele. Conto-lhe sobre o pesadelo, mas não menciono a parte sobre minha verdadeira identidade. Ele ouve atentamente, sua expressão cheia de preocupação.
Marcelo: (sincero) Isabel, não importa o que você sonhe, você não é uma mentirosa. Você é uma das pessoas mais genuínas e gentis que eu conheço.
Suas palavras me trazem algum conforto. Por um momento, sentimos um leve clima de romance no ar. Mas, antes que qualquer um de nós possa agir, decidimos que é melhor voltar a dormir.
Eu: (sorrindo levemente) Obrigada, Marcelo. Eu... eu realmente aprecio isso.
Depois de me despedir de Marcelo, volto para o meu quarto. Meu coração ainda está batendo forte e minha mente está cheia de pensamentos confusos. Mas, de alguma forma, me sinto mais leve.
Enquanto me aconchego na cama, uma última reflexão passa pela minha mente.
Eu: (pensativa) Quem sou eu realmente? E quem eu quero ser? Será que estou no caminho certo? me vem a mente a vida que eu tinha antes, e penso se meu pai se arrepender pelo menos um pouco de tudo que ele me disse mas sei que tenho que pensar no futuro deixar o passado pra trás.
Com essas perguntas ainda sem resposta, adormeço, esperando que a manhã traga alguma clareza.