A casa estava em silêncio quando subi as escadas devagar, tentando ignorar o turbilhão dentro de mim. O jantar tinha terminado, Lídia recolhida em algum quarto, Sebastian provavelmente aprontando algo para provocar Leon… e Leon.
Eu precisava vê-lo.
Abri a porta do meu quarto com cuidado e m*l tive tempo de fechá-la quando senti mãos firmes segurarem meu pulso e me puxarem para dentro. A porta se fechou atrás de mim num clique baixo, mas definitivo.
— Leon… — sussurrei, assustada e aliviada ao mesmo tempo.
Ele não respondeu de imediato. Apenas me encostou na porta, o corpo tão perto que eu sentia o calor dele atravessar o tecido da roupa. Seus olhos estavam escuros, carregados de tudo o que ele não podia dizer em voz alta.
— Você não devia estar aqui — murmurou, a voz rouca. — Se alguém nos ver…
— Eu sei — respondi, respirando com dificuldade. — Mas eu precisava de você.
Isso foi o suficiente para quebrar o pouco autocontrole que ainda restava.
Leon apoiou a testa na minha, os olhos fechados, como se travasse uma guerra interna.
— Isso está me matando, Athena — confessou em um fio de voz. — Fingir que você é só… que não é minha.
Minhas mãos subiram sozinhas, agarrando sua camisa, sentindo o coração dele bater rápido demais.
— Então para de fingir. Pelo menos aqui. Só por um minuto.
Ele riu sem humor.
— Você não faz ideia do quanto é perigosa quando fala assim.
Os lábios dele roçaram os meus, primeiro sem beijar, apenas provocando. Um aviso. Um teste. Meu corpo respondeu antes da razão, inclinando-se para frente, pedindo mais.
Quando finalmente me beijou, foi intenso e contido ao mesmo tempo — como se ele estivesse segurando algo muito maior. Suas mãos seguraram meu rosto, depois desceram para minha cintura, me prendendo ali como se eu fosse o único ponto de equilíbrio dele.
— Leon… — sussurrei contra sua boca.
— Shhh — ele respondeu, mordendo de leve meu lábio inferior. — Se eu continuar, não vou conseguir parar.
Meu coração batia tão alto que eu jurava que alguém no corredor poderia ouvir.
— Então não para — desafiei, mesmo sabendo que ele precisava.
Leon se afastou bruscamente, apoiando a mão na porta acima da minha cabeça. Respirava fundo, os olhos fechados, o maxilar travado.
— Não agora — disse, com esforço. — Não enquanto ela estiver aqui. Não enquanto eu não puder te assumir do jeito que você merece.
A frustração queimava… mas junto dela vinha algo ainda mais forte: certeza.
Segurei o rosto dele com carinho.
— Eu espero — falei com firmeza. — Mas não duvide nem por um segundo que eu sou sua.
Ele abriu os olhos, me olhando como se aquela frase fosse tudo.
— Você não faz ideia do que isso significa pra mim.
Leon me puxou para um último beijo, mais lento, mais profundo, como uma promessa silenciosa. Depois encostou a testa na minha de novo.
— Vai — murmurou. — Antes que eu perca completamente o controle.
Sorri, mesmo com o coração acelerado.
— Boa noite, Leon.
— Boa noite, minha tentação.
Saí do quarto com as pernas bambas, sabendo que aquilo…
aquilo era só o começo.
Ponto de vista de Leon
Eu observava tudo de longe.
Athena estava sentada no jardim, rindo de algo que Sebastian dizia enquanto ele gesticulava exageradamente, como sempre. O sol da tarde iluminava o rosto dela, e aquele sorriso — o sorriso que conhecia melhor do que ninguém — surgia fácil demais quando Sebastian estava por perto.
Ele fechou os punhos.
— Respira — murmurei para si mesmo.
Sabia exatamente o motivo daquela aproximação. Sebastian tinha sido claro: era estratégia. Se Lídia visse Athena como apenas “a funcionária simpática” que andava com todos, jamais desconfiaria do que realmente existia entre eles.
Mesmo assim… doía.
— Você devia sorrir mais, primo — disse Sebastian, surgindo ao lado dele com dois copos de café. — Vai acabar criando rugas cedo.
Leon aceitou o copo sem agradecer.
— Você está se passando — respondeu seco.
— Estou sendo convincente — rebateu Sebastian, sorrindo de canto. — Lídia observa tudo. Se eu não ficar perto da Athena, ela vai perceber que você fica.
Leon lançou um olhar afiado.
— Você toca nela demais.
Sebastian riu baixo.
— Ciúme não combina com você… mas confesso que fica interessante.
Do outro lado do jardim, Athena levantou-se quando viu os dois juntos e caminhou até eles.
— Vocês dois parecem conspirar contra o mundo — comentou, divertida.
Sebastian foi mais rápido. Passou o braço pelos ombros dela com naturalidade ensaiada.
— Estamos decidindo qual de nós é mais bonito.
Leon sentiu o estômago revirar.
Athena percebeu imediatamente. Seus olhos encontraram os dele por um segundo — rápido, intenso, carregado de tudo o que não podia ser dito ali.
Ela deu um passo sutil para longe de Sebastian.
— Bom, essa é fácil — disse. — Nenhum dos dois. A beleza está claramente superestimada.
Sebastian levou a mão ao peito, fingindo dor.
— c***l. Muito c***l.
Leon não respondeu. Apenas observava a forma como Athena evitava contato demais, como equilibrava cada gesto. Aquilo o deixava orgulhoso… e louco.
Mais tarde, no corredor, Sebastian se aproximou dele outra vez.
— Ela é cuidadosa — comentou em voz baixa. — Mais do que você.
— Então por que continua provocando? — Leon perguntou, tenso.
Sebastian inclinou-se, falando apenas para ele ouvir.
— Porque alguém precisa manter a farsa viva. E porque… — sorriu, malicioso — é divertido ver você tentando não atravessar a sala e me matar.
Leon soltou uma risada curta, sem humor.
— Se passar do limite…
— Eu sei — interrompeu Sebastian. — Ela é sua. Sempre foi. Relaxa.
Leon observou Athena entrar na cozinha, alheia à conversa.
— Isso não impede que eu odeie cada segundo — murmurou.
Sebastian deu um tapinha no ombro dele.
— Ótimo. Quer dizer que você está vivo de novo.
E, naquele instante, Leon percebeu a verdade incômoda:
Sebastian estava ajudando.
Mas também estava testando cada limite do autocontrole que ele tinha.
E Lídia… ainda não fazia ideia do jogo que estava sendo jogado bem diante dos seus olhos.