Capítulo 20 — Entre Silêncios e Promessas

1039 Words
A casa estava em silêncio quando subi as escadas devagar, tentando ignorar o turbilhão dentro de mim. O jantar tinha terminado, Lídia recolhida em algum quarto, Sebastian provavelmente aprontando algo para provocar Leon… e Leon. Eu precisava vê-lo. Abri a porta do meu quarto com cuidado e m*l tive tempo de fechá-la quando senti mãos firmes segurarem meu pulso e me puxarem para dentro. A porta se fechou atrás de mim num clique baixo, mas definitivo. — Leon… — sussurrei, assustada e aliviada ao mesmo tempo. Ele não respondeu de imediato. Apenas me encostou na porta, o corpo tão perto que eu sentia o calor dele atravessar o tecido da roupa. Seus olhos estavam escuros, carregados de tudo o que ele não podia dizer em voz alta. — Você não devia estar aqui — murmurou, a voz rouca. — Se alguém nos ver… — Eu sei — respondi, respirando com dificuldade. — Mas eu precisava de você. Isso foi o suficiente para quebrar o pouco autocontrole que ainda restava. Leon apoiou a testa na minha, os olhos fechados, como se travasse uma guerra interna. — Isso está me matando, Athena — confessou em um fio de voz. — Fingir que você é só… que não é minha. Minhas mãos subiram sozinhas, agarrando sua camisa, sentindo o coração dele bater rápido demais. — Então para de fingir. Pelo menos aqui. Só por um minuto. Ele riu sem humor. — Você não faz ideia do quanto é perigosa quando fala assim. Os lábios dele roçaram os meus, primeiro sem beijar, apenas provocando. Um aviso. Um teste. Meu corpo respondeu antes da razão, inclinando-se para frente, pedindo mais. Quando finalmente me beijou, foi intenso e contido ao mesmo tempo — como se ele estivesse segurando algo muito maior. Suas mãos seguraram meu rosto, depois desceram para minha cintura, me prendendo ali como se eu fosse o único ponto de equilíbrio dele. — Leon… — sussurrei contra sua boca. — Shhh — ele respondeu, mordendo de leve meu lábio inferior. — Se eu continuar, não vou conseguir parar. Meu coração batia tão alto que eu jurava que alguém no corredor poderia ouvir. — Então não para — desafiei, mesmo sabendo que ele precisava. Leon se afastou bruscamente, apoiando a mão na porta acima da minha cabeça. Respirava fundo, os olhos fechados, o maxilar travado. — Não agora — disse, com esforço. — Não enquanto ela estiver aqui. Não enquanto eu não puder te assumir do jeito que você merece. A frustração queimava… mas junto dela vinha algo ainda mais forte: certeza. Segurei o rosto dele com carinho. — Eu espero — falei com firmeza. — Mas não duvide nem por um segundo que eu sou sua. Ele abriu os olhos, me olhando como se aquela frase fosse tudo. — Você não faz ideia do que isso significa pra mim. Leon me puxou para um último beijo, mais lento, mais profundo, como uma promessa silenciosa. Depois encostou a testa na minha de novo. — Vai — murmurou. — Antes que eu perca completamente o controle. Sorri, mesmo com o coração acelerado. — Boa noite, Leon. — Boa noite, minha tentação. Saí do quarto com as pernas bambas, sabendo que aquilo… aquilo era só o começo. Ponto de vista de Leon Eu observava tudo de longe. Athena estava sentada no jardim, rindo de algo que Sebastian dizia enquanto ele gesticulava exageradamente, como sempre. O sol da tarde iluminava o rosto dela, e aquele sorriso — o sorriso que conhecia melhor do que ninguém — surgia fácil demais quando Sebastian estava por perto. Ele fechou os punhos. — Respira — murmurei para si mesmo. Sabia exatamente o motivo daquela aproximação. Sebastian tinha sido claro: era estratégia. Se Lídia visse Athena como apenas “a funcionária simpática” que andava com todos, jamais desconfiaria do que realmente existia entre eles. Mesmo assim… doía. — Você devia sorrir mais, primo — disse Sebastian, surgindo ao lado dele com dois copos de café. — Vai acabar criando rugas cedo. Leon aceitou o copo sem agradecer. — Você está se passando — respondeu seco. — Estou sendo convincente — rebateu Sebastian, sorrindo de canto. — Lídia observa tudo. Se eu não ficar perto da Athena, ela vai perceber que você fica. Leon lançou um olhar afiado. — Você toca nela demais. Sebastian riu baixo. — Ciúme não combina com você… mas confesso que fica interessante. Do outro lado do jardim, Athena levantou-se quando viu os dois juntos e caminhou até eles. — Vocês dois parecem conspirar contra o mundo — comentou, divertida. Sebastian foi mais rápido. Passou o braço pelos ombros dela com naturalidade ensaiada. — Estamos decidindo qual de nós é mais bonito. Leon sentiu o estômago revirar. Athena percebeu imediatamente. Seus olhos encontraram os dele por um segundo — rápido, intenso, carregado de tudo o que não podia ser dito ali. Ela deu um passo sutil para longe de Sebastian. — Bom, essa é fácil — disse. — Nenhum dos dois. A beleza está claramente superestimada. Sebastian levou a mão ao peito, fingindo dor. — c***l. Muito c***l. Leon não respondeu. Apenas observava a forma como Athena evitava contato demais, como equilibrava cada gesto. Aquilo o deixava orgulhoso… e louco. Mais tarde, no corredor, Sebastian se aproximou dele outra vez. — Ela é cuidadosa — comentou em voz baixa. — Mais do que você. — Então por que continua provocando? — Leon perguntou, tenso. Sebastian inclinou-se, falando apenas para ele ouvir. — Porque alguém precisa manter a farsa viva. E porque… — sorriu, malicioso — é divertido ver você tentando não atravessar a sala e me matar. Leon soltou uma risada curta, sem humor. — Se passar do limite… — Eu sei — interrompeu Sebastian. — Ela é sua. Sempre foi. Relaxa. Leon observou Athena entrar na cozinha, alheia à conversa. — Isso não impede que eu odeie cada segundo — murmurou. Sebastian deu um tapinha no ombro dele. — Ótimo. Quer dizer que você está vivo de novo. E, naquele instante, Leon percebeu a verdade incômoda: Sebastian estava ajudando. Mas também estava testando cada limite do autocontrole que ele tinha. E Lídia… ainda não fazia ideia do jogo que estava sendo jogado bem diante dos seus olhos.
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