Capítulo 2 - O Jantar

1105 Words
Depois de descansar um pouco e organizar minhas coisas, Liz veio me buscar para me mostrar a cozinha. Ela era irmã de Victor, e os dois eram muito parecidos — não apenas na aparência. Assim como ele, Liz era gentil e sempre sorridente. Contou que era mais velha que Victor, casada há muitos anos e mãe de dois filhos. Falou sobre como Victor era apaixonado pelos sobrinhos, o quanto era carinhoso com crianças e tudo o que fazia pela família. Segundo ela, ele era um pretendente incrível e qualquer garota teria sorte de estar com ele. Tá legal… parece que alguém quer muito que o irmão arrume uma namorada logo. E, pelo “currículo” que ela acabou de jogar em cima de mim, acho que já escolheu a candidata. Interrompi a conversa dizendo que precisava preparar o jantar. Dona Nora havia pedido para ser surpreendida, então peguei todos os ingredientes e me coloquei a trabalhar. Preparei filé mignon ao molho madeira, acompanhado de legumes gratinados, um risoto de gorgonzola com cogumelos e uma salada bem colorida com molho ranch. Quando finalizei tudo, ajudei Liz a arrumar a mesa. Ela disse que serviria o jantar enquanto eu cuidava da sobremesa. Comentou que Leon e Max amavam qualquer coisa com chocolate, então recorri à receita infalível da minha avó: bolo de chocolate e cookies. Com aquela receita, não tinha erro. — Athena? — Oi, Liz. Algum problema? — Não. A senhora Nora está te chamando na sala de jantar. Acho que quer te dar os parabéns pelo banquete. — Ah, claro. Já estou indo. Liz me acompanhou até a sala de jantar, onde três pessoas já estavam sentadas. Assim que me viu, Dona Nora abriu um sorriso satisfeito. — Athena, querida, o jantar está divino. É como comer comida feita pelos anjos — disse ela, empolgada. — Assim eu fico até sem graça, Dona Nora. — Não fique. Todo elogio é pouco. Agora venha cá, quero te apresentar meus netos. Esta é Max, minha neta. Max era uma menina alta para a idade, com cabelos pretos longos e lisos, e olhos azuis iguais aos da avó. — Oi, prazer em conhecê-la, Max. — Oi, prazer em conhecer você também, Athena — disse animada. — Sua comida está ótima! Estou louca pra provar a sobremesa. Espero que tenha muito chocolate. — Pode ficar tranquila… tem muito chocolate. Ela deu um gritinho empolgado, arrancando uma risada minha. — E este é meu neto, Leon — disse Dona Nora. — Prazer em conhecê-lo, Leon. Ele sequer levantou os olhos do celular, apenas acenou com a mão, claramente desinteressado. — Leon! — Max o repreendeu. — Athena está te cumprimentando. Seja educado. — Max, eu estou trabalhando. Não tenho tempo para apresentações. — Agora é hora do jantar, não de trabalho! — Maxine, por favor, não me enche — respondeu, ainda encarando a tela. Que cara babaca, resmunguei em pensamento. — Leon — a voz firme de Dona Nora fez o ambiente silenciar —, acho que você pode largar o trabalho por um minuto e agradecer à Athena pelo jantar maravilhoso que ela preparou. Ele suspirou, derrotado, largou o celular sobre a mesa e ergueu o rosto. Foi então que o observei melhor. Leon tinha as mesmas características de Max: cabelo escuro, olhos azuis intensos, barba rala, ombros largos e um corpo claramente bem definido. Ele me analisou de baixo para cima com um olhar que deixaria qualquer mulher desconcertada. Eu, definitivamente, não era o tipo de mulher que ele costumava sair. Era alta, de pele bem clara, cabelo castanho-claro com cachos nas pontas e olhos de um castanho tão claro quanto os fios. Tinha quadris largos, cintura fina, s***s médios e — segundo minha avó — uma b***a linda, herança da minha mãe. Ele é muito gato. Não… ele é de tirar o fôlego. Babaca, talvez. Mas muito gostoso. — Prazer em conhecê-la, Athena. — Prazer em… conhecê-lo — respondi, engolindo em seco. Ele voltou imediatamente para o celular. — Desculpa pelo meu irmão, Athena — disse Max, revirando os olhos. — Ele só pensa em trabalho. Bom, estou pronta para a sobremesa. O que acha, vovó? — Claro, Max. Vamos para a sala de estar. Athena, pode levar a sobremesa até lá? — Sim, senhora. Voltei à cozinha para organizar tudo. Liz já havia colocado o bolo, os cookies e os copos de leite em uma bandeja. — E aí, como foi? — perguntou ela. — Tranquilo… tirando o irmão sinistro — ri. — Qual é a dele? — Leon sempre foi assim. Muito sério, focado no trabalho. Não leve para o lado pessoal. — Claro… Só espero não esbarrar muito com o senhor cara fechada. Ele me dá arrepios. — Não se preocupe. Ele passa a maior parte do tempo no escritório. — Ótimo pra mim — sorri. — Vou levar as sobremesas antes que reclamem no meu primeiro dia. Na sala de estar, Max jogava ludo com Dona Nora, enquanto Leon estava em uma poltrona, com o notebook no colo. O cansaço era visível, mas ele não parava. — Aqui está: bolo de chocolate e cookies com gotas de chocolate. Max e Dona Nora se serviram. Após muita insistência, Leon pegou um pedaço de bolo e voltou ao notebook. — Está incrível, Athena! Do jeito que eu gosto — disse Max, empolgada. — Está tudo delicioso — elogiou Dona Nora. Max então atacou os cookies, um após o outro. De repente, parou. Uma lágrima escorreu por seu rosto. — Max, você não gostou? Posso fazer outros — disse preocupada, ajoelhando-me à frente dela. — Não… eu amei — respondeu baixinho. — É só que… Todos pararam para observá-la, inclusive Leon. — Seus cookies me lembram os da mamãe — disse ela, chorando mais. — Se isso te deixa triste, eu não faço mais cookies — falei, limpando suas lágrimas. — Não! — ela protestou, sorrindo. — Eu chorei porque me lembrei de algo feliz. Sorri aliviada. — Então você pode me ajudar a fazer mais, se quiser. — Eu adoraria! Podemos levar para meus colegas da escola? — Claro! Ela pulou no meu colo e me abraçou forte. Retribuí sem pensar duas vezes. Dona Nora aplaudiu emocionada, e percebi Leon me observando em silêncio, com um olhar curioso que só me deixou ainda mais nervosa. Conversamos até tarde. Max me contou tudo sobre a escola, seus livros favoritos, seus bichos de pelúcia. No fim da noite, me ofereci para ler para ela — o que a deixou ainda mais animada. E assim terminou meu primeiro dia naquela casa… definitivamente mais intenso do que eu imaginava.
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