Capítulo 5 - O Encontro

1055 Words
Eu já tinha entrado em uma rotina quase automática. Acordava cedo, preparava o café, ajudava Max a se arrumar e ia com Victor levá-la para a escola. Eu e ele passávamos bastante tempo juntos. Depois de deixá-la, quase sempre íamos tomar sorvete — virou tradição. Victor me levava às confeitarias favoritas dele, e nós sempre experimentávamos um doce diferente, como se fosse uma missão pessoal encontrar o melhor de Nova York. Numa sexta-feira, depois de deixar Max na escola, Victor sugeriu algo diferente. — Que tal conhecer o New York Aquarium hoje? Eu aceitei na hora. O passeio foi lindo. Victor parecia uma criança animada, me explicava tudo com entusiasmo, e, vez ou outra, eu percebia que ele me observava mais do que os peixes. — O que foi, Victor? — perguntei rindo, um pouco sem graça. — Por que você fica me olhando assim? — Não é nada… — Ele deu de ombros. — Você não gosta quando eu te olho? — Você me intimida… de um jeito bom — confessei. — E eu não sei como reagir. Ele se aproximou devagar, colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e sorriu daquele jeito que fazia minhas bochechas queimarem. — Não era minha intenção te intimidar. Pra falar a verdade, eu também fico nervoso perto de você. — Fica? Por quê? — Porque não é todo dia que a gente tem a sorte de conhecer alguém como você. Prendi a respiração por alguns segundos. Victor me dava borboletas no estômago. Ele era doce, gentil, charmoso… e sempre me fazia rir. O “currículo” que Liz tinha feito dele não era exagero. Com Victor, eu me sentia confortável. Em casa. — Você sempre sabe o que dizer, né? — Eu só falo a verdade. E falando nisso… lembra daquele encontro que eu comentei? Queria saber se você topa sair comigo hoje à noite. — Eu adoraria — respondi, sorrindo de orelha a orelha. — Onde vamos? — Você disse que gosta de dançar… — Nossa, sim. Sinto saudade dos barzinhos do Oregon. — Então confia em mim. Vou te levar a um lugar que você vai amar. — Qual lugar? — Surpresa. — Surpresa? Não! — protestei rindo. — Pelo menos me diz que roupa eu devo usar. — Vai do jeito que você quiser. Você vai ficar linda de qualquer forma. — Victor, mulheres precisam de contexto! — Então… algo sexy. — Ele me olhou de um jeito que me deu arrepios. — Vermelho ficaria incrível em você. — Vou pensar no seu caso — respondi, tímida. Ele me deixou em casa dizendo que me buscaria às nove. Entrei na mansão elétrica de empolgação. Adiantei todas as tarefas, contei para Max sobre o encontro e disse que não assistiríamos filme naquela noite. Achei que ela ficaria chateada, mas, pelo contrário, quase pulou de alegria e quis saber absolutamente tudo. Depois, corri para o meu quarto. Banho com sais aromáticos, skincare completo, cabelo tratado… eu queria causar uma boa impressão. Ele disse vermelho… e parecia implorar por isso. Escolhi três vestidos: um preto elegante, um azul soltinho e um vermelho de seda, justo, com f***a na perna e decote em V. O vermelho venceu sem esforço. Finalizei a maquiagem, deixei os cachos soltos e me encarei no espelho. Ok. Eu estava perigosa. Fui esperar Victor nas escadas. Ao atravessar a área da piscina, alguém veio em minha direção com passos duros. Leon. Ele parou na minha frente e me analisou de cima a baixo, visivelmente irritado. — O que foi? Por que você está me olhando assim? — Max disse que você vai a um encontro com o Victor. — Vou. E daí? — Você vai sair vestida assim? — O que eu visto não é problema seu — rebati. — Agora, se me der licença, eu tenho um encontro. Passei por ele, mas senti sua mão segurar meu braço. — Leon, o que você está fazendo? — Você não pode sair com o Victor. — E por quê? — Eu não confio nele. — Ele trabalha pra você, Leon. — Não é nesse sentido… — Ele suspirou. — Só acho que não é uma boa ideia. Comecei a rir, sem acreditar. — O que está acontecendo com você? — Nada. — Ele me soltou. — Vá ao seu encontro. Eu não me importo. Ele se virou e entrou na mansão. Fiquei confusa, mas deixei pra lá. Logo encontrei Victor, impecável em uma camisa preta semiaberta. O perfume dele me fez suspirar sem perceber. — Se sua intenção era me deixar louco, conseguiu — disse ele, me puxando pela cintura e beijando minha bochecha. — Você está incrível. — Gostou? — Muito. Agora quero ver você dançando. O lugar se chamava Lux. Lotado. Luxuoso. Ele passou direto pela fila, falou algo com o segurança e entramos. A pista era enorme, o bar vibrante. Na área VIP, mulheres impecáveis — altas, loiras, modelo-padrão. Enquanto bebíamos, percebi um movimento estranho. Várias mulheres correndo em direção a alguém. Um homem alto, ombros largos, camisa branca aberta. Quando ele subiu para o VIP, vi o rosto. — Victor… aquele é o Leon? — É. Ele sempre vem aqui. Acho que é sócio. Revirei os olhos. Victor me puxou para a pista quando começou This Is What You Came For. Ele me colou ao corpo dele, me girou, e dançamos em perfeita sintonia. As mãos dele deslizavam pela minha cintura, o beijo em meu pescoço me fez arrepiar. Quando joguei a cabeça para trás, vi Leon. Olhos azuis furiosos. Punhos cerrados. Continuei dançando. Mais tarde, não o vi mais. Às duas da manhã, Victor me deixou em casa. Antes de sair do carro, ele me puxou para perto. Eu sabia o que vinha. E queria. O beijo foi doce, intenso, lento. Ele me beijava como se tivesse medo de me quebrar. Finalizou com uma mordida suave no meu lábio. — Você é incrível, Athena. Quero repetir isso muitas vezes. — Sair pra dançar ou me beijar? — Os dois. Entrei na mansão com o coração acelerado, ainda sentindo o toque dele em mim. Perdida em pensamentos… até acender a luz do quarto. Havia um homem no canto do quarto, no escuro. E eu soube, antes mesmo de ver seu rosto, que aquela noite ainda estava longe de acabar.
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