Eu tentei dormir.
Juro que tentei.
Mas cada vez que fechava os olhos, a imagem de Leon surgia com aquele olhar intenso, o sorriso torto e a voz baixa dizendo que me queria só pra ele. Meu corpo ainda lembrava perfeitamente do efeito que ele causava em mim — como se estivesse marcado.
Rolei na cama, suspirei, puxei o travesseiro contra o rosto.
— Droga, Leon… — murmurei no escuro.
Foi quando ouvi a batida suave na porta.
Meu coração quase saiu pela boca.
— Athena? — a voz dele veio baixa, cautelosa.
Levantei num pulo e abri a porta só o suficiente para vê-lo. Leon estava ali, encostado no batente, camiseta preta colada ao corpo, cabelo ainda levemente úmido do banho. Ele me olhou como se tivesse travado uma batalha interna antes de vir.
— Eu tentei ficar no meu quarto — disse, sincero. — Mas falhei miseravelmente.
Sorri antes mesmo de perceber.
— Entra — sussurrei, puxando-o pela mão.
Assim que a porta se fechou, Leon me prensou contra ela com um beijo lento, profundo, nada apressado. Era diferente dos outros. Não tinha urgência… tinha i********e.
— Você faz ideia do quanto é difícil fingir que não quero você? — ele murmurou entre um beijo e outro.
— Então para de fingir — respondi, deslizando os dedos pelo pescoço dele.
Leon riu baixo, aquele riso perigoso que sempre me deixava fraca.
— Você é um problema delicioso, sabia?
Ele me pegou no colo com facilidade, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e me levou até a cama. Deitou comigo, sem pressa, só me olhando por alguns segundos — como se estivesse tentando memorizar cada detalhe.
— O que foi? — perguntei, meio sem graça.
— Eu gosto de você assim — respondeu. — Relaxada. Sorrindo. Sendo… minha.
Meu coração deu um salto.
— Leon…
— Eu sei — ele interrompeu, beijando minha testa. — A gente não precisa definir nada agora. Só… ficar.
E ficamos.
Entre beijos lentos, risadas baixas e mãos curiosas, o mundo pareceu encolher até caber só nós dois naquela cama. Leon não era só intenso — ele era cuidadoso, atento a cada reação minha, como se quisesse me levar à loucura e, ao mesmo tempo, me proteger dela.
Depois, deitados lado a lado, eu com a cabeça no peito dele, ficamos em silêncio por alguns minutos.
— Athena? — ele chamou.
— Hm?
— Você ainda pensa no Victor?
A pergunta veio sem acusação, só curiosidade.
Pensei por um instante antes de responder.
— Não do jeito que você tá pensando — falei. — Ele é importante… mas o que eu sinto com você é diferente.
Leon passou os dedos pelo meu cabelo, satisfeito.
— Ainda bem — murmurou. — Porque eu não sou muito bom em dividir.
Ri.
— Eu já percebi, Sr. Ciumento.
— Só quando vale a pena — ele respondeu, beijando o topo da minha cabeça.
Fechei os olhos, sentindo aquele calor bom no peito.
Talvez aquilo fosse complicado. Talvez tivesse riscos. Talvez desse errado.
Mas naquele momento, com Leon ali, eu não queria pensar em talvez.
Só queria ficar.
Tentei evitar Victor nos dias que se seguiram. Acho que ele percebeu. Não me procurava mais, não aparecia na cozinha esperando Max, não forçava encontros casuais como costumava fazer. E isso só aumentava a culpa que eu carregava no peito.
Eu devia uma explicação a ele. Mas como explicar?
Como dizer que eu estava saindo com outro homem?
E que esse homem era meu chefe?
E, pior ainda, que eu estava começando a gostar dele?
Victor não era do tipo que julgava as pessoas, mas eu sabia exatamente o que ele pensaria. Sabia o que todos pensariam. E esse medo me mantinha em silêncio.
Eu gostava de Victor. De verdade. Com ele, eu me sentia segura. Em casa. Havia conforto em sua presença, uma sensação de estabilidade difícil de ignorar. Tivemos química — daquelas tranquilas, previsíveis, que parecem prometer um futuro sem sobressaltos. Ele seria a escolha certa.
Mas Leon…
Leon tinha um efeito completamente diferente sobre mim.
Ele era sério, contido, quase inalcançável. E, ainda assim, incrivelmente carinhoso quando estava comigo. Gentil nos detalhes, intenso nos olhares. Quando Leon se aproximava, eu perdia o controle. Meus pulmões esqueciam como funcionar, o chão desaparecia sob meus pés e meu corpo simplesmente se rendia, sem esforço, sem defesa.
Eu sabia que era ele quem eu queria.
Mesmo sabendo que não devia.
Naquela noite de sábado, acabei adormecendo nos braços de quem eu mais desejava. Depois de uma noite leve, entre jogos e besteiras espalhadas pela mesa, comigo e Max rindo até a barriga doer, Leon me levou até o quarto quando ela foi dormir.
Ele preparou um banho na banheira que havia ali. Entramos juntos. Ficamos um tempo apenas nos beijando, sem pressa. Leon massageava meus ombros com cuidado, como se quisesse apagar qualquer peso que eu carregasse. O resto aconteceu de forma natural, intensa e silenciosa — só nós dois, envoltos em vapor e sentimento.
Quando saímos, ele me secou com calma, deixando beijos suaves pela minha pele. Eu ria, observando a bagunça de água espalhada ao nosso redor. Depois, me levou para a cama, deitou comigo e me fez adormecer em um abraço quente, protetor.
Eu estava exatamente onde queria estar.
E, ao mesmo tempo, com medo de estar ali.
No domingo, acordei sozinha. Leon já não estava mais comigo. Era de se esperar — ninguém podia saber sobre nós.
Levantei, fiz minha higiene e escolhi uma roupa para aproveitar o dia de folga. O calor estava intenso, então optei por um vestido soltinho. Amarelo, com bolinhas, curto e eu sorri para meu reflexo no espelho.
Não me vestia para agradar julgamentos alheios. Sempre fui assim quando não estava trabalhando — ainda mais em dias quentes como aquele.
Desci para a cozinha, como fazia todas as manhãs. Gostava de preparar o café para todos e dividir aquele momento juntos.
Mas quando cheguei, Max já estava sentada na bancada, e Leon preparava ovos e panquecas. A cena me fez suspirar sem perceber. Ele parecia absurdamente à vontade ali, concentrado, com a camisa arregaçada.
Quando seus olhos encontraram os meus, ele me analisou de cima a baixo, sem qualquer disfarce. Meu estômago se revirou.
— Bom dia, Athena — disse ele, com um meio sorriso. — Você está muito bonita.
— Eu estou como sempre — respondi, sorrindo sem graça, sentindo minhas bochechas corarem.
— Meu irmão tem razão — Max entrou na conversa. — Você está mais bonita do que já é.
— Obrigada, Max… e obrigada, Leon — respondi, desviando o olhar.
Dona Nora entrou logo depois, impecável como sempre.
— Bom dia, meus netos! Bom dia, Athena. Está maravilhosa, como sempre!
— Que isso, dona Nora… a senhora é que está — respondi.
— Eu estou só o básico, minha querida. Hoje vou ficar maravilhosa. Marquei um spa com algumas amigas.
— É isso aí, vovó! — Max disse, gargalhando.
Ela saiu apressada, distribuindo beijos e acenos.
— Ela nem tomou café — Leon comentou.
— Estava com pressa — Max respondeu. — Tem um encontro.
— Encontro? — ele franziu o cenho. — Com quem?
— Um cara que ela conheceu. Parece bem legal.
— E por que ela não me contou?
— Talvez porque você surta à toa, né, Leon? — Max provocou, revirando os olhos.
Engasguei com o café.
— Eu não surto à toa.
— Surta sim — interrompi, rindo.
— Até você? — ele me olhou, incrédulo.
— Concordo com a Max. Você surtaria se sua avó saísse com alguém.
— É só proteção — ele murmurou.
— Eu sei, Leon — respondi com calma. — Mas sua avó sabe muito bem o que faz.
Ele me olhou com aquela expressão manhosa que sempre me desarmava.
— Imagina quando eu arrumar um namorado — Max comentou, sorrindo.
— Nem pensar! — Leon falou alto.
Eu e Max nos entreolhamos e caímos na gargalhada.
— Calma, Max, não assusta seu irmão assim — provoquei.
— Ele tem que ir se preparando — ela respondeu, rindo.
— Chega de graça vocês duas — Leon disse. — Tomem o café logo. Vamos sair.
— Sair?! — Max se animou. — Pra onde?
Leon respirou fundo antes de me encarar.
— Athena… eu queria te convidar para sair comigo. E com a Max, claro.
— É claro que ela vai com a GENTE, Leon — Max disse, fazendo aspas no ar.
— Eu adoraria ir — respondi, sincera.
O sorriso que ele me deu foi quase juvenil.
— Que bom.
Max percebeu tudo. Ela sempre percebia. Mas apenas sorriu, maliciosa, e se levantou.
— Vou me trocar!
Assim que ela saiu, Leon se aproximou.
— Você não vai se trocar?
— Não. Gosto de como estou. Não gostou do vestido?
Ele passou os olhos por mim lentamente, depois se aproximou por trás e beijou meu pescoço.
— Eu amei. Mas vou ficar com ciúmes se outras pessoas te virem assim.
— Acho que você vai ter que se acostumar — respondi, provocando.
Leon girou minha cadeira, segurou meu queixo e me beijou com intensidade.
— Isso que dá ter uma mulher linda — murmurou. — O melhor é saber que ela é só minha.
E eu derreti ali mesmo, sabendo que estava cruzando uma linha sem volta.