— Que bom que você apareceu aqui.
Leon sorriu de lado, aquele sorriso que sempre parecia saber mais do que dizia.
— Eu preciso começar a seguir mais a minha intuição… principalmente quando ela fala sobre você.
— E o que exatamente ela diz sobre mim? — perguntei, curiosa.
— Diz o quanto você é incrível — respondeu, aproximando-se — e o quanto eu sou um cara de sorte.
Ele me deu um beijo doce, tranquilo, como se o mundo estivesse em perfeita harmonia naquele instante.
— Vamos voltar? — sugeriu.
— Siiim.
Saímos do mar juntos. Eu decidi não vestir a roupa de corrida — estava completamente molhada — e continuei apenas de biquíni. Leon também dispensou a camisa, ficando só de shorts, com o corpo ainda marcado pela água salgada. Tentei manter o foco no caminho, mas confesso que falhei algumas vezes.
Seguimos em direção à mansão quando vimos Sebastian vindo na direção oposta. Ele vestia uma regata e shorts, provavelmente saindo para correr. Meu estômago deu um nó. Leon apertou levemente minha mão, como se dissesse fique calma.
— Bom dia, Athena. Bom dia, Leon — Sebastian disse, observando-nos de cima a baixo. — Que coincidência encontrar vocês dois aqui.
— Bom dia, Sebastian — respondi.
— Vocês estavam correndo? — perguntou, apontando para nós.
— Sim — Leon respondeu, direto.
— E por que estão molhados? — O sorrisinho malicioso surgiu no rosto dele.
Abri a boca antes mesmo de pensar.
— Eu estava correndo sozinha, entrei no mar e acabei me atrapalhando… Leon apareceu e me ajudou.
Falei rápido demais. Rápido demais para parecer verdade.
— Sei… — Sebastian respondeu, claramente desconfiado. — Bom, o importante é que você está bem. Que bom que o Leon apareceu a tempo.
— Estou bem — confirmei.
— Ótimo. Que tal corrermos juntos qualquer dia desses? — Ele me olhou sem disfarçar. — Adoraria ver você correr com essa roupa.
Antes que eu pudesse responder, Leon se adiantou.
— Athena está cansada. Eu vou levá-la para o quarto.
— Eu não perguntei pra você, Leon — Sebastian rebateu.
Leon deu um passo à frente, mas fui mais rápida e segurei seu braço.
— Antes que vocês dois briguem — interrompi — eu realmente estou cansada. Vou para o meu quarto.
Leon entrelaçou os dedos nos meus.
— Eu vou com você, Athena.
— Eu posso levá-la — Sebastian insistiu. — Você já foi o herói do dia, primo. Deixa eu ajudar agora.
O olhar de Leon escureceu.
— Fica longe dela.
O tom foi tão firme que até eu me assustei. Sebastian levantou as mãos, em rendição.
— Ok, primo. Eu só queria ajudar.
— Ajuda saindo do meu caminho.
Leon não soltou minha mão enquanto me conduzia de volta. Sebastian ficou para trás, e Leon seguiu em silêncio até chegarmos perto da piscina. Foi ali que eu o parei.
— Leon?
Ele se virou imediatamente, a expressão mudando de raiva para preocupação.
— O que foi? — perguntou, puxando-me pela cintura e tocando meu rosto com cuidado.
— Eu fiquei preocupada. Nunca te vi tão zangado.
— Me desculpa — disse ele, suspirando. — Eu só não suporto o Sebastian se jogando pra cima de você.
— Eu sei… mas você precisa confiar em mim. Não importa quem me queira. Importa com quem eu escolho ficar. E eu escolho você.
O sorriso dele voltou, mais leve.
— Culpa minha por me apaixonar por uma mulher linda demais. Você é praticamente um ímã para homens. Dá vontade de eliminar um por um.
— Você é bobo — ri. — Melhor eu subir antes que ele apareça de novo. Mas acho que você o assustou o suficiente por hoje.
— Tomara.
Leon me deu um beijo rápido, daqueles que prometem mais, e se afastou. Subi para o quarto e decidi tomar um banho de banheira para relaxar. Meu corpo ainda carregava o cansaço — e as lembranças — da noite anterior.
Afundei na água quente, fechando os olhos, revivendo cada toque, cada beijo. Senti falta dele imediatamente. Do cheiro, do abraço, da forma como me fazia sentir segura e desejada ao mesmo tempo.
Sorri sozinha.
Eu m*l podia esperar para vê-lo de novo.
Alguns dias se passaram, e Sebastian finalmente pareceu dar uma trégua. Ele manteve distância sempre que Leon estava por perto e parou de lançar seus olhares e comentários insinuantes em minha direção. Nossas conversas se tornaram raras e, quando aconteciam, eram breves e educadas. No fundo, eu sabia: Leon o havia assustado o suficiente para que ele me deixasse em paz.
Ainda assim, quando Leon não estava por perto, Sebastian permanecia em minha companhia e na de Max. Sempre fazíamos algo leve juntos — jogávamos algum jogo de tabuleiro ou nos aventuramos na cozinha preparando sobremesas exageradamente doces, sempre com muito chocolate. Às vezes, ele levava eu e Max para tomar sorvete. Leon não se incomodava com isso, principalmente porque Max nunca saía do nosso campo de visão.
Eu e Leon voltamos a nos ver todas as noites, como se aquilo fosse um ritual silencioso só nosso. Corríamos juntos pela praia, sempre longe de visitantes ou encontros inesperados, aproveitando a tranquilidade da madrugada e a cumplicidade que crescia entre nós a cada passo.
Depois de um dia longo de trabalho e de tantas atividades com Max, a noite chegou carregada de cansaço. Fui para o meu quarto, como sempre fazia. Eu o esperava — e Leon nunca falhava em aparecer.
Deitados, abraçados, nossos corpos ainda próximos depois de termos nos entregado um ao outro, ficamos conversando em voz baixa, falando sobre coisas simples, sonhos e pequenas bobagens que só faziam sentido para nós dois. O sono veio sem aviso, suave, e eu adormeci nos braços do homem que amava, sentindo-me segura, completa e em paz.
Naquele instante, soube que aquelas noites eram exatamente onde eu queria estar.
Visão de Leon
Finalmente cheguei em casa, e a primeira coisa que me veio à mente foi o quanto eu estava com saudades da mulher que me esperava. Ainda bem que Sebastian havia dado um tempo em nos perturbar. Com isso, passei a ter ainda mais momentos ao lado de Athena. Nossas noites juntos se tornaram constantes, e a química entre nossos corpos era simplesmente viciante. Tudo nela era viciante. Eu me via completamente perdido naquela mulher — e, estranhamente, adorava isso.
Ficava observando Athena deitada em meus braços, respirando tranquila, e pensava na sorte absurda que eu tinha por ter sido escolhido por ela. Eram quase cinco horas da manhã quando precisei deixá-la. Athena ainda não queria que as pessoas nos vissem juntos. Eu não entendia exatamente o motivo, mas não insistia. O que importava era que ela era minha — e isso bastava. Mesmo assim, m*l podia esperar pelo dia em que acordaria com ela nos meus braços, sem precisar ir embora às escondidas.
Deixei Athena dormindo e segui para a mansão. No caminho, notei que a luz da cozinha estava acesa. Estranho. Eu não me lembrava de tê-la deixado ligada. Ao entrar, dei de cara com Sebastian… roubando cookies.
— Sen, o que você está fazendo acordado a essa hora?
— Fiquei com muita vontade dos cookies da Athena — respondeu, despreocupado. — Então vim pegar alguns. E você, primo? O que faz acordado tão cedo?
— Eu… fui dar uma volta. Estava com a cabeça cheia.
— Igual a todas as noites?
— O quê?! — franzi o cenho.
— Eu vejo você saindo todas as noites e voltando sempre no mesmo horário. Estranho, não é? — Ele me lançou um olhar cheio de insinuação.
Suspirei fundo.
— Tá, Sebastian. Pergunta logo o que você quer saber.
— Na verdade, eu já sei. Você e a Athena não sabem esconder muito bem as coisas. Principalmente você, priminho. Seus olhares pra ela, o jeito como a protege… estava tudo escancarado.
— Você adora se meter onde não é chamado, não é mesmo?
— Bom, se vocês soubessem disfarçar melhor… — ele riu.
— O que eu e Athena temos não é da sua conta. E agora que você sabe, fica longe dela.
— Uau… — ele soltou uma risada baixa. — Nunca te vi assim, tão possessivo. O que foi? Tá gostando de brincar de casinha com a cozinheira?
Meu corpo inteiro ficou tenso.
— É bom você tratar a Athena com respeito, Sebastian, ou eu faço você sumir daqui. O que nós temos não é da conta de ninguém. Entendeu?
Me aproximei, encarando-o com os olhos cheios de raiva. Ele levantou as mãos em sinal de rendição.
— Ok, primo. Não vou atrapalhar em nada.
— Ótimo. E não esquece: fica longe dela.
Saí em direção ao meu quarto. Tomei um banho rápido e me deitei, tentando dormir. Mas, como todas as noites, meus pensamentos tinham apenas uma dona.
Athena.