Capítulo 11 — Intuição e Marés

1475 Words
— Que bom que você apareceu aqui. Leon sorriu de lado, aquele sorriso que sempre parecia saber mais do que dizia. — Eu preciso começar a seguir mais a minha intuição… principalmente quando ela fala sobre você. — E o que exatamente ela diz sobre mim? — perguntei, curiosa. — Diz o quanto você é incrível — respondeu, aproximando-se — e o quanto eu sou um cara de sorte. Ele me deu um beijo doce, tranquilo, como se o mundo estivesse em perfeita harmonia naquele instante. — Vamos voltar? — sugeriu. — Siiim. Saímos do mar juntos. Eu decidi não vestir a roupa de corrida — estava completamente molhada — e continuei apenas de biquíni. Leon também dispensou a camisa, ficando só de shorts, com o corpo ainda marcado pela água salgada. Tentei manter o foco no caminho, mas confesso que falhei algumas vezes. Seguimos em direção à mansão quando vimos Sebastian vindo na direção oposta. Ele vestia uma regata e shorts, provavelmente saindo para correr. Meu estômago deu um nó. Leon apertou levemente minha mão, como se dissesse fique calma. — Bom dia, Athena. Bom dia, Leon — Sebastian disse, observando-nos de cima a baixo. — Que coincidência encontrar vocês dois aqui. — Bom dia, Sebastian — respondi. — Vocês estavam correndo? — perguntou, apontando para nós. — Sim — Leon respondeu, direto. — E por que estão molhados? — O sorrisinho malicioso surgiu no rosto dele. Abri a boca antes mesmo de pensar. — Eu estava correndo sozinha, entrei no mar e acabei me atrapalhando… Leon apareceu e me ajudou. Falei rápido demais. Rápido demais para parecer verdade. — Sei… — Sebastian respondeu, claramente desconfiado. — Bom, o importante é que você está bem. Que bom que o Leon apareceu a tempo. — Estou bem — confirmei. — Ótimo. Que tal corrermos juntos qualquer dia desses? — Ele me olhou sem disfarçar. — Adoraria ver você correr com essa roupa. Antes que eu pudesse responder, Leon se adiantou. — Athena está cansada. Eu vou levá-la para o quarto. — Eu não perguntei pra você, Leon — Sebastian rebateu. Leon deu um passo à frente, mas fui mais rápida e segurei seu braço. — Antes que vocês dois briguem — interrompi — eu realmente estou cansada. Vou para o meu quarto. Leon entrelaçou os dedos nos meus. — Eu vou com você, Athena. — Eu posso levá-la — Sebastian insistiu. — Você já foi o herói do dia, primo. Deixa eu ajudar agora. O olhar de Leon escureceu. — Fica longe dela. O tom foi tão firme que até eu me assustei. Sebastian levantou as mãos, em rendição. — Ok, primo. Eu só queria ajudar. — Ajuda saindo do meu caminho. Leon não soltou minha mão enquanto me conduzia de volta. Sebastian ficou para trás, e Leon seguiu em silêncio até chegarmos perto da piscina. Foi ali que eu o parei. — Leon? Ele se virou imediatamente, a expressão mudando de raiva para preocupação. — O que foi? — perguntou, puxando-me pela cintura e tocando meu rosto com cuidado. — Eu fiquei preocupada. Nunca te vi tão zangado. — Me desculpa — disse ele, suspirando. — Eu só não suporto o Sebastian se jogando pra cima de você. — Eu sei… mas você precisa confiar em mim. Não importa quem me queira. Importa com quem eu escolho ficar. E eu escolho você. O sorriso dele voltou, mais leve. — Culpa minha por me apaixonar por uma mulher linda demais. Você é praticamente um ímã para homens. Dá vontade de eliminar um por um. — Você é bobo — ri. — Melhor eu subir antes que ele apareça de novo. Mas acho que você o assustou o suficiente por hoje. — Tomara. Leon me deu um beijo rápido, daqueles que prometem mais, e se afastou. Subi para o quarto e decidi tomar um banho de banheira para relaxar. Meu corpo ainda carregava o cansaço — e as lembranças — da noite anterior. Afundei na água quente, fechando os olhos, revivendo cada toque, cada beijo. Senti falta dele imediatamente. Do cheiro, do abraço, da forma como me fazia sentir segura e desejada ao mesmo tempo. Sorri sozinha. Eu m*l podia esperar para vê-lo de novo. Alguns dias se passaram, e Sebastian finalmente pareceu dar uma trégua. Ele manteve distância sempre que Leon estava por perto e parou de lançar seus olhares e comentários insinuantes em minha direção. Nossas conversas se tornaram raras e, quando aconteciam, eram breves e educadas. No fundo, eu sabia: Leon o havia assustado o suficiente para que ele me deixasse em paz. Ainda assim, quando Leon não estava por perto, Sebastian permanecia em minha companhia e na de Max. Sempre fazíamos algo leve juntos — jogávamos algum jogo de tabuleiro ou nos aventuramos na cozinha preparando sobremesas exageradamente doces, sempre com muito chocolate. Às vezes, ele levava eu e Max para tomar sorvete. Leon não se incomodava com isso, principalmente porque Max nunca saía do nosso campo de visão. Eu e Leon voltamos a nos ver todas as noites, como se aquilo fosse um ritual silencioso só nosso. Corríamos juntos pela praia, sempre longe de visitantes ou encontros inesperados, aproveitando a tranquilidade da madrugada e a cumplicidade que crescia entre nós a cada passo. Depois de um dia longo de trabalho e de tantas atividades com Max, a noite chegou carregada de cansaço. Fui para o meu quarto, como sempre fazia. Eu o esperava — e Leon nunca falhava em aparecer. Deitados, abraçados, nossos corpos ainda próximos depois de termos nos entregado um ao outro, ficamos conversando em voz baixa, falando sobre coisas simples, sonhos e pequenas bobagens que só faziam sentido para nós dois. O sono veio sem aviso, suave, e eu adormeci nos braços do homem que amava, sentindo-me segura, completa e em paz. Naquele instante, soube que aquelas noites eram exatamente onde eu queria estar. Visão de Leon Finalmente cheguei em casa, e a primeira coisa que me veio à mente foi o quanto eu estava com saudades da mulher que me esperava. Ainda bem que Sebastian havia dado um tempo em nos perturbar. Com isso, passei a ter ainda mais momentos ao lado de Athena. Nossas noites juntos se tornaram constantes, e a química entre nossos corpos era simplesmente viciante. Tudo nela era viciante. Eu me via completamente perdido naquela mulher — e, estranhamente, adorava isso. Ficava observando Athena deitada em meus braços, respirando tranquila, e pensava na sorte absurda que eu tinha por ter sido escolhido por ela. Eram quase cinco horas da manhã quando precisei deixá-la. Athena ainda não queria que as pessoas nos vissem juntos. Eu não entendia exatamente o motivo, mas não insistia. O que importava era que ela era minha — e isso bastava. Mesmo assim, m*l podia esperar pelo dia em que acordaria com ela nos meus braços, sem precisar ir embora às escondidas. Deixei Athena dormindo e segui para a mansão. No caminho, notei que a luz da cozinha estava acesa. Estranho. Eu não me lembrava de tê-la deixado ligada. Ao entrar, dei de cara com Sebastian… roubando cookies. — Sen, o que você está fazendo acordado a essa hora? — Fiquei com muita vontade dos cookies da Athena — respondeu, despreocupado. — Então vim pegar alguns. E você, primo? O que faz acordado tão cedo? — Eu… fui dar uma volta. Estava com a cabeça cheia. — Igual a todas as noites? — O quê?! — franzi o cenho. — Eu vejo você saindo todas as noites e voltando sempre no mesmo horário. Estranho, não é? — Ele me lançou um olhar cheio de insinuação. Suspirei fundo. — Tá, Sebastian. Pergunta logo o que você quer saber. — Na verdade, eu já sei. Você e a Athena não sabem esconder muito bem as coisas. Principalmente você, priminho. Seus olhares pra ela, o jeito como a protege… estava tudo escancarado. — Você adora se meter onde não é chamado, não é mesmo? — Bom, se vocês soubessem disfarçar melhor… — ele riu. — O que eu e Athena temos não é da sua conta. E agora que você sabe, fica longe dela. — Uau… — ele soltou uma risada baixa. — Nunca te vi assim, tão possessivo. O que foi? Tá gostando de brincar de casinha com a cozinheira? Meu corpo inteiro ficou tenso. — É bom você tratar a Athena com respeito, Sebastian, ou eu faço você sumir daqui. O que nós temos não é da conta de ninguém. Entendeu? Me aproximei, encarando-o com os olhos cheios de raiva. Ele levantou as mãos em sinal de rendição. — Ok, primo. Não vou atrapalhar em nada. — Ótimo. E não esquece: fica longe dela. Saí em direção ao meu quarto. Tomei um banho rápido e me deitei, tentando dormir. Mas, como todas as noites, meus pensamentos tinham apenas uma dona. Athena.
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