PRÓLOGO
PRÓLOGO
Perder minha mão esquerda deveria ter sido o ápice da minha desgraça. Não foi.
Acordei sob o teto pálido daquele hospital sentindo o braço pesado, um eco fantasmagórico de algo que não existia mais.
A dor física era um incêndio constante, mas era algo que eu podia processar. O que eu não podia processar era o silêncio de Salvatore ao meu lado. Meu pai não era um homem de afetos, mas naquela tarde, ele segurou minha mão restante com uma força que parecia querer ancorar o mundo inteiro.
— Isso não vai ficar assim — ele prometeu.
E na vida de um De Luca, nada nunca ficava sem resposta.
Naquela tarde, ele saiu do com a promessa de resolver o que havia sido quebrado e, simplesmente, evaporou. Sem ligações, sem mensagens, sem rastros. Homens como ele não somem por descuido; eles são apagados.
Não demorou para encontramos Salvatore,, melhor dizendo, para o meu pai finalmente ser devolvido.
Eu apenas não esperva pelo choque. Ele respirava, mas a pessoa que eu conhecia tinha sido extinta. Os olhos, antes afiados como navalhas, agora eram apenas duas poças de vazio. Ele me olhou e não viu um filho; não viu nada.
Eu tinha dezessete anos e uma manga vazia onde antes batia meu pulso. E enquanto eu reaprendia a abotoar uma camisa, descobri a crueldade final: Salvatore havia sido submetido a uma lobotomia. Um procedimento irreversível que transformou o senhor da Camorra em um móvel de carne e osso.
Se Dante ordenou o ato ou se ele mesmo o executou, pouco importa. Eu sei quem colheu os lucros dessa ruína. O grande Dom reduzido a um símbolo de humilhação, sentado em poltronas caras sem conseguir formular um pensamento sequer. Meses depois, as complicações médicas terminaram o serviço que um picador de gelo começou.
Fui obrigado a cresce, sentei na cadeira que pertenceu a ele.
Enfrentei muitos desafios, inclusive
os velhos lobos da organização me observando, esperando o momento em que o herdeiro mutilado cairia.
Eles não entenderam que algo em mim morreu junto com Salvatore, e o que nasceu no lugar foi um ódio genuíno. Dante Greco acredita que enfraqueceu o meu clã, mas ele apenas me ensinou a ser pior que ele.
Eu poderia explodir seus negócios ou iniciar uma guerra de trincheiras, mas o sangue rápido é um alívio que ele não merece.
Quero que ele experimente a agonia de ver o que ama se perder enquanto ainda respira. E Dante só ama uma coisa acima de si mesmo: Rosália.
A irmã caçula. A joia protegida. Eu a vi crescer, de criança cercada por seguranças a uma mulher que agora atrai todos os olhares enquanto dança balé.
Esperei o tempo necessário, pois a vingança, para ser plena, exige maturidade.
Ele arrancou a mente do meu pai. Eu vou arrancar a alma dele através do coração da irmã. Não quero apenas o fim de uma linhagem; quero lágrimas, desespero e o som dele implorando por misericórdia.
Nas minhas veias não corre apenas o sangue dos De Luca. Corre um veneno que eu cultivei por anos. E quando eu finalmente agir, Dante Greco entenderá que o pior inimigo é aquele que já perdeu tudo — inclusive o medo.
NOTA DO AUTOR
O que você acabou de ler é apenas o primeiro pavio aceso de uma guerra que não terá sobreviventes ilesos.
Se você gosta de histórias onde o herói é, na verdade, o vilão de alguém, e onde a vingança é um prato servido com a frieza de um iceberg, este livro é para você. A jornada de Rafaelo e Rosália está apenas começando, e as camadas de segredos que cercam a queda de Salvatore são muito mais profundas do que as ruas de Nápoles sugerem.
O que esperar daqui para frente:
* Intensidade: Não espere um romance convencional. Aqui, o amor e o ódio caminham na mesma linha tênue.
* Reviravoltas: A verdade sobre Dante Greco e a lobotomia de Salvatore ainda reserva surpresas que vão mudar tudo.
* Atualizações: As postagens oficiais começam em breve.
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Quando Rafaelo decidir que é hora de agir, não haverá caminho de volta. Você está pronto para o que vem a seguir?
Nos vemos no primeiro capítulo.