Assim que saí da sala, fui direto para o banheiro, onde a luz fluorescente refletia em meu rosto cansado, olhei para o espelho e comecei a lavar a maquiagem de coringa que ainda estava pintada, tentando apagar todos os traços de cor, foi difícil mas consegui.
Enquanto a água corria pelos meus dedos, percebi que o curativo perto do meu olho esquerdo havia saído, e o roxo perto do olho estava bem visível. A lembrança daquela cena ainda me deixava inquieta, eu não fazia ideia de como tinha chegado a esse ponto, mas ali estava eu, enfrentando as consequências.
Com cuidado, peguei um penso rápido e apliquei no pequeno corte perto da pálpebra; era um gesto simples, mas necessário para me lembrar de que eu precisava cuidar de mim mesma.
Depois de me recompor um pouco, saí do banheiro e segui em direção à cantina da faculdade, o barulho dos alunos conversando e rindo ao fundo parecia distante enquanto eu caminhava, minha cabeça pulsava com uma dor incômoda — resultado de não estar usando meus óculos de vista durante o teste e ter forçado a visão até o limite.
Ao chegar na cantina, fui direto até o balcão e pedi uma água gelada, enquanto esperava, tentei ignorar o eco das vozes no local e me focar no que realmente importava: minha saúde e meu bem-estar. Peguei a garrafinha assim que me entregaram e girei a tampa com os dedos nervosos antes de tomar um gole refrescante, a água deslizava pela minha garganta como um alívio instantâneo, tomei o remédio e a água, respirei fundo e me saí da cantina com a garrafa de água na mão, sentindo um pouco mais de clareza na cabeça.
O sol brilhava forte, e o calor começava a me incomodar, caminhei em direção ao estacionamento, buscando minha linda e querida motorista da vez, quando cheguei lá, vi Lu e Rafa encostados no carro dela, conversando em um tom que parecia conspiratório. Assim que eles me notaram, a conversa parou abruptamente, e um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente, suspirei, já sabendo que algo estava errado.
– oi, por quê pararam de falar? sobre o que vocês estavam falsobre_ perguntei, tentando parecer casual.
Ambos trocaram olhares nervosos antes de Rafa balbuciar um "nada". Eu ri um pouco, sem entender como eles achavam que eu ia cair nessa.
– olha, sou meio cega, mas não otária_ disse, cruzando os braços_ se preferirem manter isso em segredo, tudo bem.
Lu foi rápida ao responder:_ na verdade, Rafa estava só pedindo conselhos sobre como se desculpar com você.
Levantei uma sobrancelha e encarei os dois.
– sério? Essa é a vossa mentira? Eu arranjaria algo melhor_ disse.
Nesse instante, Rafa tomou coragem e falou:
– Não, é verdade! Eu realmente queria me desculpar com você_ interveio_ me desculpa, Rashyma.
Fiz uma pose de boba e toquei a orelha como se não tivesse escutado direito.
– o quê? Poderia repetir? É que o seu orgulho se quebrando não me deixou escutar direito.
Ele sorriu, e seus olhos mostravam sinceridade.
– desculpa por ter sumido dois dois dias, por não aparecer naquele compromisso com você e por ter te deixado no vácuo sem uma explicação razoável, você é importante demais pra mim, me perdoe.
Aquelas palavras soaram como música para mim, a sinceridade dele era palpável, e eu não pude deixar de sentir um misto de alívio e satisfação. Era bom ouvir isso depois de tanto tempo sem respostas.
– ok — disse, mais leve agora_ mas só porque você está se esforçando para ser melhor do que sua última performance, e mesmo que eu saiba que não era disso que vocês falavam, eu vou aceitar esse gesto.
Rafa deu uma risada nervosa e Lu olhou entre nós dois com um sorriso satisfeito no rosto. A tensão tinha se dissipado ali mesmo, e eu sabia que estávamos prontos para dar um passo à frente nessa amizade bagunçada que tínhamos construído.
Assim que Rafa se despediu, eu e Lu entramos no carro dela, ansiosas para a nossa tarde de compras, eu precisava urgentemente de novos óculos de vista, e Lu estava cheia de planos para explorar o shopping. Enquanto ela dirigia, a música alta preenchia o carro e a conversa começou a fluir.
– sabe, eu sempre quis ser como aquelas garotas dos seriados que vão ao shopping e compram um monte de coisas sem se preocupar com nada!_ Lu comentou com um sorriso sonhador.
– ah quem me dera, pena que o seriado ao qual mais estamos próximas de nos parecer é "Two Broke Girls"_ brinquei, fazendo uma cara engraçada.
– pior que é mesmo! Você está mais pra Max e eu a Caroline!_ Lu riu, imitando o jeito da personagem rica.
– eu até negaria, mas você falou certinho_ continuei a brincadeira, fazendo uma pose dramática.
A risada se espalhou pelo carro, mas logo Lu prosseguiu.
– mas falando sério... eu ainda estou rindo disso tudo, mas o Keyan terminou comigo para ficar com uma garota rica, e me deu uma desculpa esfarrapada_ ela suspirou, olhando para frente enquanto dirigia.
– pelo menos você sabe o que aconteceu, imagina achar que estava tudo bem entre vocês, de repente ele te manda uma mensagem dizendo que não dava mais, sem explicações!— retruquei, tentando animá-la.
— É, o Alex conseguiu ser mais i****a_ ela balançou a cabeça.
— Mas olha, não se preocupa! Você sabe como os doramas funcionam, sempre começa com uma garota magoada e aparece um gostosão para fazer o ex dela se sentir um bobão por ter perdido a melhor!_ eu disse, piscando para ela.
Lu começou a rir novamente.
— É mesmo!
— Exatamente! E quem precisa de um ex quando você pode ter sua própria história épica? A gente pode criar momentos incríveis juntas! Como as protagonistas dos seriados: amor perfeito, risadas e muito drama!
— Sim! E depois do nosso dia no shopping, vamos voltar para casa e fazer uma maratona de doramas! Vamos encontrar nosso príncipe encantado na tela porque na vida real ele parece não estar interessado em aparecer.
O clima leve voltou ao carro enquanto continuávamos nossa conversa sobre os clichês dos romances na ficção. A ideia de viver aventuras como nas séries nos fazia rir e sonhar ao mesmo tempo. Afinal, quem não gostaria de ter aquele final feliz com um toque de drama?
Chegamos ao shopping animadas e prontas para aproveitar cada momento.