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2172 Words
– eu preciso sair daqui_ falo mais para mim do que para a garota perto de mim, mas isso não a impede de escutar. – Alex? Você por aqui? Oiiii_ oiço a voz de minha melhor amiga próxima ao balcão. – eu moro aqui Flor_ Alex fala óbvio e usando a tradução em português do nome Xiluva. – é mas você fica do outro lado da cidade, na faculdade não é?_ ela argumenta. – estou de férias_ ele responde_ porque você está tão estranha?_ desconfia. – eu não estou estranha, só pensei se você já tinha visto o pessoal, sabe..._ ela tenta disfarçar mas até eu que não a via já percebia seu nervosismo só pelo tom de voz_ Fabiana, olha só quem apareceu_ ela falava exasperada tentando achar uma distração urgente. – Alex, oi_ oiço a voz de Fabiana_ quanto tempo. – se você quer fugir essa é sua deixa_ Mel me avisa e então eu saio correndo para o lado oposto ao que Lu e Alex estavam. – obrigada Mel, agora eu tenho que vazar_ falo ainda desesperada assim que estou um pouco mais afastada deles. – boa sorte na sua fuga tá_ ela sorri e eu assinto e agradeço me afastando. Procuro pelo anfitrião e o vejo em meio a seus amiguinhos populares na cozinha jogando beer pong. – Daniel me ajuda_ falo chamando sua atenção e de alguns amigos dele. – que foi?_ me olha com a sobrancelha arqueada. – onde fica o banheiro? Eu estou super apertada_ minto. – andar de cima, segunda porta a esquerda_ fala voltando a se concentrar em seu jogo. – valeu_ saio às pressas e subo as escadas até ao segundo andar_ segunda porta a esquerda, segunda porta a esquerda_ falo procurando a porta e quando acho e a abro percebo que não é o banheiro, mas sim o quarto de um garoto idêntico a Daniel que me olha sério_ me desculpa achei que fosse o banheiro_ falo constrangida. – tudo bem, é a outra porta_ aponta para a porta da frente. – obrigada_ dou meia volta, mas então volto a olhar para ele_ espera aí, você está estudando com uma festa ocorrendo lá embaixo?_ aponto para baixo. – vai me julgar?_ arqueia a sobrancelha. – não, na verdade queria estar fazendo o mesmo ao invés de estar tentando achar um jeito de fugir daqui sem que meu ex me veja_ confesso e ele ri. – sua noite deve estar sendo muito boa mesmo_ fala em meio a risada_ eu sou o Diego_ se apresenta. – Rashyma_ aponto para mim mesma_ você é como o Daniel?_ pergunto o analisando. – só por fora não se preocupe_ fala zoando e eu finjo limpar suor na testa e solto um ufa exagerado. – que sorte a sua_ sorri_ enfim, eu tenho que ir, tenho uma fuga por orquestrar_ aponto para trás de mim. – boa sorte ao escapar_ acena enquanto eu fecho a porta e entro no banheiro. A distância da janela do banheiro para o jardim não era muito grande e como tinha lugares para me apoiar não foi difícil de sair por ali. Logo que pisei no chão mandei uma mensagem para Lu pedindo para que ela me encontrasse no lado de fora da casa e recebi um ok como resposta. Aliviada, dou a volta cuidadosamente pela casa em direção a saída, passo pela piscina, pela área de churrasco e finalmente vejo a minha liberdade ao passar pela porta e acabar na rua. – achei que não fosse conseguir viu_ Lu fala se aproximando de mim. – nem me diga, eu pulei da janela do banheiro da casa do Daniel, conheci o famoso irmão gémeo dele e por pouco não fui pega_ declaro assim que estamos lado a lado, depois nos encaramos e acabamos caindo na risada. – essa noite foi uma loucura_ confessa_ já agora, porque você está fugindo dele?_ pergunta depois que para de rir. – sei lá, eu senti que precisava fugir dele_ dou de ombros. – e fugir de mim adiantou?_ a voz inconfundível de Alex soa atrás de nós, me fazendo ficar praticamente petrificada no lugar. – é, eu acho melhor eu voltar lá pra dentro_ Lu fala e mesmo eu abanando a cabeça diversas vezes negando e implorando com o olhar para ela não sair, ela o faz. – então nós vamos ficar fugindo um do outro?_ ele se aproxima e para do meu lado. Respiro fundo pra buscar força nas palavras, mas seu perfume adentra minhas narinas e me desinstabiliza novamente. Tenho que ser forte para combater as emoções e por isso me concentro no ar antes de falar: – você disse que isso tinha que acabar, que devíamos combater esse ciclo vicioso, eu só estou tentando fazer minha parte_ respondo sem me virar para o encarar. – sua parte é fugir? – você sabe muito bem como nós somos, é só você aparecer e tudo volta a se repetir mas não pode, isso é como uma música que nós sabemos que não devemos tocar, sabemos que os sentimentos que essa música nos remete sempre nos machucam, mas mesmo assim insistimos em tocá-la, juramos que vamos parar mas sempre que a playlist passa para outra nós voltamos nessa música mesmo sabendo que é errado_ suspiro_ nós temos que parar Alex, isso só machuca nós dois_ me viro e tenho a visão privilegiada daquelas íris verdes me fitando. – eu sei disso_ ele confessa_ sempre nos machucamos, sempre dói, sempre magoa, mas é que isso é tão bom_ suspira e olha para frente_ quando eu estou distante vivo dizendo que vou te esquecer, que vou seguir em frente e sair com outras, mas é só lembrar de você que tudo desaba, é que sei lá, o jeito que você me quebra e ainda mexe comigo é diferente_ dá de ombros e tenho que me forçar a não sorrir pra não vacilar_ mesmo sabendo que ainda vou quebrar meu coração de novo, a única coisa que eu quero é beijar você mais algumas vezes, passar meu tempo te irritando, escutar a todas as playlists que nós criamos enquanto ficamos só nós dois comendo besteiras e assistindo a baboseiras, caramba Rashy_ ele olha para os meus olhos e depois para os meus lábios_ será que seus lábios ainda se encaixam tão bem aos meus? Eu queria te beijar nesse instante e jogar toda a minha sanidade pra lá, eliminar todas as dúvidas e saudades mas é impossível nem_ volta a olhar para a lua no céu. Nenhum de nós fala mais nada por quase 5 minutos e então eu tomo coragem para fazer a pergunta que tanto me atormentava: – eu ouvi que você estava namorando_ falo sem o encarar_ é ela? Me refiro a garota que entrou com ele na festa. – ela se chama Alana, ela é uma garota legal_ declara meio baixo mas consigo ouvir ainda assim. – então por que você está aqui? Se você superou por que ainda veio para aqui? Para me mostrar que você está melhor?_ pergunto prendendo as lágrimas mas nem todas me obedecem e algumas escorrem_ seria melhor se você não tivesse saído de dentro Alex. – Rashy..._ sua fala é impedida pela namorada dele saindo da casa e chamando por ele. – vai, sua namorada está chamando_ limpo meu rosto e me faço de forte. – me escute, eu..._ dessa vez sou eu quem o interrompo. – só vai caramba_ aponto para o portão e então ele sai de perto de mim. Caminho um pouco para me afastar da casa e então me sento no meio fio, onde deixo minhas lágrimas caírem sem piedade alguma, me sentindo uma tola por ainda sentir algo por ele e principalmente por não conseguir esconder isso dele, me deixando vulnerável perante sua imagem. Eu tento me controlar mas fica difícil até de respirar direito, sinto o abraço de Lu em mim e sua mão faz carinho em meus cabelos. – isso dói Lu, dói tanto_ falo durante o abraço. – eu sei, me desculpa Rashy, eu juro que não sabia que ele estaria aqui. – você não tem culpa, eu quem sou a culpada_ falo me forçando a me recompor. – por amar ele?_ pergunta segurando meu rosto. – não, por não superar ele_ argumento. – você vai superar, você também vai seguir em frente, e vai me ter sempre do seu lado para te ajudar_ sorriu com ternura. – obrigada_ sorri abertamente para ela_ desculpa por estragar a festa pra você_ falo enquanto ela se senta do meu lado. – que nada, o pessoal pediu pra falar que te adorou sabia_ sorriu orgulhosa de mim. – e quem não adora_ brinco. – sempre tão modesta_ ela dá um soquinho de leve em meu ombro e desatamos a rir uma da cara da outra. Quando Marcos veio nos buscar ele ficou preocupado por voltarmos mais cedo, mas o conseguimos convencer que estava tudo bem, levamos Lu para casa e depois fomos para a nossa onde eu só quis tomar banho e descansar, por isso assim o fiz. ••• Dia seguinte: Sábado. Quando acordo o céu estava com um brilho e sem nuvens mas meu coração o sentia cinza, não havia chilrear de pássaros ou paz interior, era tudo caos e dor. Bem, a dor de cabeça pode ser por conta da bebida nem, mas a de coração eu nem precisava mencionar o motivo. Fui escovar os dentes e me lavar, ao terminar sai do quarto para ir comer qualquer coisa e nesse instante sinto algo se enroscar no meu pé e quando olho era nossa gatinha, Kimmy. – olá Kimmy_ seguro ela em meus braços e a oiço ronronar quando faço carinho em seu pelo n***o macio_ você está toda manhosa não está? Ah pois está_ falo como se estivesse conversando com um bebê enquanto vou em direção a cozinha. – olha quem finalmente acordou_ minha mãe fala quando atravesso a porta. – mãe?_ a olho confusa mas ainda assim contente_ quando a senhora chegou?_ trocamos abraços. – ontem de noite, nosso vôo foi adiantado_ fala voltando a olhar para sua panela no fogo. – e cadê o pai?_ pergunto voltando a fazer carinho em Kimmy. – no jardim com seu irmão, eles devem estar com o Bam_ aponta para a porta do jardim aberta e se refere ao pastor alemão que tínhamos e eu havia dado o mesmo nome que o cachorro do Jungkook do BTS. Eu nem tive tempo de falar mais nada pois pela porta do jardim entra rapidamente Bam que vem e acaba me derrubando. – Bam_ meu pai entra com meu irmão logo atrás, mas Bam não para de me lamber e nesse momento Kimmy já tinha fugido de minhas mãos. – Bam_ eu ri e fiz carinho atrás da orelha dele que era onde ele adorava. – você está bem filha?_ mamãe pergunta assim que tiram Bam de cima de mim. – estou, ele não me machucou_ me levanto. – e você não devia rir da sua irmã Marcos_ ela o repreende. – é que foi engraçado mãe_ ele fala ainda rindo. – deixa estar mãe, seu filho é um i****a mesmo_ falo apontando para ele. – oi bebezinha_ meu pai entra e fecha a porta, depois da um beijo em minha testa, onde Bam não lambeu. – oi pai_ sorri e fui lavar meu rosto para ajudar mamãe na cozinha enquanto conversávamos. Durante o almoço falamos sobre a semana uns dos outros, já que meus pais insistiam nisso pois meu é piloto e se casou com sua co-piloto, o que os leva a viagens para todo o canto do mundo e eles estão em uma constante lua de mel, o que acaba os deixando com pouco tempo para estar por perto. Por volta das 13h começamos nossa sessão de filmes em família, mesmo que eu e Marcos reclamassemos a cada segundo por ficar em casa, nós adoravamos essa pequena "tradição," e até curtiamos muito. Tudo correu muito bem até quando eram 15h e a campainha tocou, só que ao invés de alguém se prontificar a ir abrir a porta, eu e meu irmão apenas nos encaramos. – eu fui da última vez_ argumento antes que ele dissesse qualquer coisa. – é sua vez Marcos_ mamãe que estava deitada abraçadinha com nosso pai no sofá maior se pronuncia. – sempre sobra para mim_ ele reclama mas mesmo assim se levanta e vai atender. Se passam 3 minutos e ele grita:_ RASHYYYYYY_ se passa 1 segundo e repete_ RASHYYYYYY. – estou indo_ me levanto e sigo em direção a porta_ não precisa ficar gritando que foi?_ o encaro enquanto fecha a porta e me deixa confusa. – nada, era só pra você levantar daquele sofá_ fala rindo da minha cara. – você só pode ser adotado cara_ dou um soco em seu braço enquanto ele não cessa a risada_ seu chato_ reclamo enquanto voltamos a sala e ele ainda vai tirando sarro da minha cara.
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