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Palco de sangue

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Blurb

Palco se sangue traz a história da bailarina Beth Grove, após descobrir sua gestação inesperada e seu noivo ser assassinado na sua frente em um dos palcos de Londres, ela vê sua vida virando de cabeça para baixo, a cada descoberta dolorosa que passa a fazer sobre o que pode ter levado a morte de seu noivo. Em perigo e sendo ameaçada, recorre a confiar em uma máfia, e um detetive que a incrimina e arma contra ela há fazendo ter um parto complicado. No meio de todo esse caos Beth descobre que não se pode confiar em todo mais se permite se apaixonar novamente em uma busca por uma figura paterna, que poderá a levar a dormir com o próprio inimigo . A história que aborda diversos temas, como a maternidade, traições e complicações da vida adulta de uma forma quente e comovente, aquecerá seu coração nessa descoberta em busca de quem matou seu grande amor.

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royal opera house
Sentada frente ao espelho eu olhava fixamente a minha pele pálida e o olhar amedrontado ao mesmo tempo em que lutava com a angústia de um amor complicado no peito, ao meu lado as bailarinas empolgadas ajustavam suas chacott, inquietas, e nervosas, nossa companhia havia batalhado meses por esse sonho, o sonho do tão temido palco do Royal opera house, em meio a encantada Londres, um auditório lotado e dezenas de olhares famosos avaliando cada passo bem dado em cima do palco. A cada andar do ponteiro do relógio barulhento de parede, a cada passar de segundo eu olhava ao celular, na esperança de que ali houvesse uma mensagem, uma ligação, de Eduard que me encorajasse ao mesmo tempo que acalmaria as batidas fortes do meu peito. Uma discussão calorosa e um término impiedoso, a beira do portão de embarque em direção ao espelho que me encontro agora de coração machucado, como se tivesse que dançar em meio ao peso das lágrimas , mais não, não podia me permitir ao luxo de deixar que todo esse caos me impedisse de dar o meu melhor, mesmo que meu peito ardesse como brasa na esperança que na primeira fileira te encontraria com os olhos orgulhosos da minha conquista, aplaudindo o mais alto que suas mãos fortes aguentasse, e sorrindo, de orelha a orelha, me permitia imaginar se usaria um terno casual ou uma camisa social mais jovem, talvez o cabelo de lado... No palco do auditório eu ouvi a voz entusiasmada chamando a nossa apresentação, tomei a água que estava sobre a mesa e me levantei, respirando fundo e caminhando apressada, eu entrei no palco com as outras dez meninas, da qual convivia a meses mais a falsidade delas e arrogância fazia parecer que eu me apresentava com meras desconhecidas. Passando o olho pelo auditório lotado, meu coração disparava mais e mais a cada pulsação, A música começou a tocar suavemente, me lembrando que eu estava exatamente ali em cima do palco, nesse momento eu sorri, me deu o frio na barriga como se fosse a primeira apresentação, a cada toque da música, passava um filme na minha cabeça dos momentos mais nostálgicos até ali, a sensação de tudo era tão grande que é como se a paixão estivesse responsável por cada movimento perfeito em que o meu corpo realizava, foi uma das melhores apresentação da nossa companhia, nosso professor nos olhava sorrindo, feliz da vida em quanto os aplausos se tornava cada vez mais alto e preenchia o lugar, me sentia com o peito aliviado enquanto abaixava a cabeça dando a mão a garota do meu lado em forma de agradecimento, deixando que os aplausos tomassem conta , olhos frente ao chão e a gargalhada de ter conseguido. Levantei após o comprimento final, ali na minha frente, parado e sorrindo com os olhos orgulhosos como eu havia sonhado estava Eduard, meu grande amor, o frio na barriga foi mais forte e a rodada de sentimentos que percorreu cada m****o do meu corpo exalando o puro hormônio da felicidade, sim, a camisa social com a pegada mais jovem, eu sorri, como se no olhar dele tivesse todos os hormônios capazes de dar sentido a minha vida, e me fizesse perceber que eu o amava mais do que era capaz de demonstrar, até que, naaaaaaão!!! Em uma questão de segundos eu via em câmera lenta o amor da minha vida caindo com a mão no peito em direção ao chão, o sangue se espalhava e o auditório entrava em desespero, eram gritos e pessoas correndo, mais na minha cabeça ainda estava o barulho do disparo junto com o sentimento de quem não conseguia entender oque acontecia sem saber de onde, ou quem havia desferido o tiro que arrancava lentamente a sua vida, eu corri, corri e me atirei ao seu lado, os olhos já não havia mais vida, e a sua respiração desacelerava cada vez mais, mais eu ainda podia ver o orgulho mesmo que em seu sorriso, que se mistura com as lágrimas de dor, eu chorava, eu gritava por ajuda, mais ali no chão do palco do meu maior sonho, meu amor me deixava, era como se toda esperança fosse arrancada a força do meu peito, e só um vazio ali ia se achegando, Eduard se foi, se foi, sem saber que seria pai, esse era o momento que eu havia guardado pra contar pulando em seus braços, mais não a tempo, não há mais a chance de um abraço e um eu te perdoou, um eu te amo, não há mais a chance de consertar, e agora ? Dizem que a dor que mais corrói é o eu te amo não dito, e ali eu podia sentir esse eu te amo engasgado paralisando cada vestígio de força minha. Estava agora exatamente na primeira fileira do auditório, parada perplexa enquanto dezenas de polícias rodeavam em busca das mesmas respostas que eu rodava milhares de vezes por segundo na minha cabeça, já haviam se passado quase quatro horas e o relógio marcava exatos meia noite e cinquenta e nove e naquele momento eu já não tinha mais forças pra gritar ou chorar, todas elas haviam ido no momento em que os socorristas balançaram sorrateiramente a cabeça em sinal de que já não havia mais oque fazer. Eu pensava se você havia se arrependido, como tinha ido, porque não havia me ligado, e ao mesmo tempo o semblante de orgulho e paixão se transformando em dor misturado com o barulho do disparo. Na minha frente, havia o sangue denso e espalhado pelo palco, o mesmo palco que minutos antes acolhia meu maior sonho, e agora só havia os nossos sonhos ali, estilhaçados, não conseguia imaginar o acordar e me preparar pra enterrar em uma cova o homem que queria ao meu lado no altar, muito menos ver você com as mãos sobre o peito quando queria sentir o toque dessas mãos no momento em que nosso filho vinhesse ao mundo, não podia mais nem mesmo imaginar que um pequeno Blossed viria ao mundo em meio a maior dor, mesmo que tentasse estava fraca pra pensar em uma criança que habitava meu ventre. Imóvel eu vi de longe keyth Din se aproximar, ela era como uma irmã pra mim, quando comecei o ballet ela foi a primeira da companhia a me abraçar, e me apoia mesmo que eu errasse, sempre estava ao meu lado e não se importava com as circunstâncias em que eu me metia, ela tinha um jeito doce, sempre era amada pelas pessoas, porque era uma boa pessoa, não carrega o orgulho e a arrogância em si mesma como o restante da companhia que foi embora encher a cara em qualquer boteco de esquina sem se da ao trabalho de uma palavra de conforto. - Beth, eu não sei oque te falar, não.. Eu só consegui a abraçar, e permiti que minhas lágrimas molhasse seu cabelo ruivo, eu precisava me levantar, e então ela me amparou, seguiu ao meu lado até o carro, me colocando no banco da frente, seguimos pela rodovia escura, em silêncio, completo silêncio até o hotel com cheiro de whisky velho e bituca de cigarro, desci do carro ainda com minhas pernas sem forças e mole, sem entender, deixei pra trás Eduard sendo colocado no carro da funerária, eu não sabia explicar oque sentia ao certo, um grito preso na garganta ao mesmo tempo que o silencio era tudo oque eu conseguia exercer, ela me levou até o chuveiro desamarrando meu vestido lilás, permitindo que ele caísse sobre meu ombro, me despindo, ela me colocou em baixo a água morna, que descia sobre meu corpo lavando todo o sangue, indo direto em direção ao ralo, o silêncio ainda era inevitável então tudo que a keyth fez, foi sentar- se embaixo do chuveiro comigo me abraçando e permitindo que eu arrancasse toda aquela dor do peito, aquela altura eu desejava minha casa e acordar daquele pesadelo, me enrolando em uma toalha velha ela me entregou uma blusa azul piscina, com um copo de água com calmante e me deitou sobre a cama, eu desliguei rapidamente sem força até mesmo pra lutar contra o sono, eu pude sentir a piedade dela mesmo de olhos fechados me observando, as quatro da manhã eu ouvi de longe o telefone tocando, e keyth correndo apressada pra ir atender. - Olá senhora Blossed, meus sentimentos antes de tudo, eu lamento pelo ocorrido, ainda estamos em Londres, e a polícia não tem novidade ou não sabe oque dizer, sinto muito. – keyth falava com a voz assustada, fraca eu diria. Um minuto de silêncio e o tom da voz dela foi de fraco a uma força de raiva irreconhecível, ao ponto de gritos: - Como assim senhora Blossed? O seu filho veio até aqui por amor, algo que acredito que embaixo dessa sua pele de lobo não há , nem por Eduard, a situação é horrível, Beth está desolada, e tudo oque você sabe fazer é culpar a pessoa que mais o amava, que cuidava do seu filho enquanto vocês o apunhalavam. Meu Deus, não sabia oque a senhora Blossed havia falado, mais com certeza algo muito horrível, no tempo em que convivi com a família de Eduard eu nunca me dei bem com ela, era uma egocêntrica que apenas se preocupava em culpar as pessoas pela sua vida medíocre escondendo sua culpa em baixo dos colares banhados a ouro, eles eram muito bem de vida, e eu a suburbana como ela falava que se aproveitava do dinheiro de Eduard. Parecia que entre agente era uma disputa de alfinetadas. Ainda podia ouvir keyth resmungando com ela ao telefone: - o corpo dele será liberado amanhã na parte da manhã, faça oque achar melhor ou critique quem quiser criticar, mais não vou deixar Beth em meio a essa guerra de alfinetadas que você causa, ela voltará para casa antes do almoço. A forma como keyth cuidava de mim, era algo do qual me sentia orgulhosa, ela era parte da minha família, da minha vida, e eu me magoava por nunca ser tão boa amiga quanto ela. - Me desculpa eu te acordei? Era a senhora Blossed, ela quer respostas, detetive particular, e uma missa de despedida. - tá tudo bem, eu estou sem sono, é típico dela, eu já imaginava, preciso que você pegue telefone de polícias, eu não vou deixar tudo isso dessa forma, a dor que eu sinto é algo incurável, e saber o porquê é um band- aid na ferida. - eu não posso imaginar o tamanho da sua dor, por que dói em mim imaginar, mais tome o seu tempo, o seu luto, nos estamos aqui pra ajudar você. Não sabia oque falar, minha primeiras palavras depois de tudo e ainda saiam engasgadas pelo soluço, mais deixei keyth sair pela porta, precisava ficar com a minha própria companhia, eu peguei o celular, pensei em ligar para minha mãe, mais ela não estava bem, um acidente a três anos que a deixou acamada e uma pneumonia recente que comprometia seus pulmão, entrei na galeria, me permiti olhar nossas fotos, relembrar nossos sorrisos espontâneos, os vídeos contagiados da nossa alegria mais profunda, você sempre sera meu grande amor Eduard, ali sozinha eu chorava, as lágrimas mais sinceras de toda a minha saudade. Passei o resto da madrugada ali parada desejando o seu abraço, na minha mala não havia nada que pudesse me vestir bem, então peguei uma calça jeans preta com uma camiseta bordo, ajuntei minhas coisas que estavam espalhadas pelo quarto e parti em direção ao taxi que ficava frente ao hotel, no caminho do aeroporto eu procurava não pensar em nada, o brilho de Londres havia ficado cinzento, no rádio tocava uma música internacional no volume baixo e calmo, o motorista me olhava pelo retrovisor como se estivesse preste a me perguntar qualquer coisa decepcionante que me recusaria a responder, por sorte eu precisei só chegar no aeroporto e me encaminhar direto ao portão de embarque, não queria ficar vendo as despedidas e me lembrando que a um dia eu entrei em um voou sem me despedir, caminhei apressada, quando o avião decolou, o frio na barriga foi o único sentimento que eu tinha tido dentro de mais de doze horas, keyth me mandava mensagem a cada cinco minutos, ela sabia que eu não descansaria, até saber oque aconteceu, em uma mensagem de voz me informou que os polícias ainda não havia encontrado nada que pudesse ajudar em algo, e isso me frustrava ao mesmo tempo que me doía. No aeroporto de Bristol, enquanto desembarcava me lembrei do lugar em que o vi pela última vez, e como ironia do destino a amável senhora Blossed me esperava exatamente nele, vestida toda de preto, e com o semblante fechado capaz de ver até por baixo dos óculos escuros, caminhei até ela como se a cada passo minhas pernas se tornassem mais moles, a abracei dando meus sentimentos, e com toda falsidade do mundo ela retribuiu em meio a soluços, não duvidava de sua dor, ela perdeu seu único filho, mais tinha algo que fazia parecer que sua arrogância a impedia de demonstrar seus sentimentos. - bom, uma pouca vergonha a forma como lidam com as coisas naquele Londres, meu filho será trazido por um piloto de confiança, será preparado pela família aqui em Bristol, já quebrou algum m****o do corpo? Porque eu sinto como se todos os meus ossos estivessem sendo quebrados. – ela falava com a voz como se estivesse brava, com raiva da vida e de todos, não conseguia encontrar as palavras certas para aquele momento, o tom de sua voz, fazia parecer que eu tivesse cavado essa cova. Um carro nos aguardava no estacionamento, o silêncio ainda predominava, seu celular tocou, o corpo de Eduard já estava pronto pra ser transportado, eu não podia imaginar ele sendo transportado dessa forma, sem ninguém que segurasse sua mão nas turbulências, e dessa vez sem nenhum respiro fundo. - eu sabia que ele iria te encontrar com os olhos orgulhosos, que vocês voltariam pra casa felizes e dispostos a fazer dar certo mais uma vez. Mais ao invés eu já separei o terno, a família já está a caminho e não sei se aguentarei essa dor. - sim, ele foi com os olhos orgulhosos, e sempre vai ter esse olhar independente de onde esteja, eu posso sentir isso. Vinte minutos exaustivos e constrangedores ao lado dela, parecia que eu era um nada na vida dele, e mesmo assim ainda havia o clima de competição por um lugar em sua vida, não entendia esse sentimento, quando cada pessoa decide a importância do lugar das pessoas amadas em sua vida, a cerimônia já estava toda preparada, parecia que eu havia sido convidada a me despedir, não havia lugar para uma opinião, ou nada do tipo, mais abaixei a guarda, permiti que ela tomasse as direção, mais não permitiria que ele ficasse lá sozinho, na frente da minha casa já, sem pedir eu já esclareci que seria a primeira a estar lá, que ficaria ao lado dele, sem me importar com oque ela pensaria sobre ou se fugisse da linha de programação que com toda certeza ela já havia preparado. Meus tio Eleanor e Rick me aguardavam no portão, desci do carro apressada corri pros braços deles que desabaram ao mesmo tempo com a minha dor, sempre foram tão próximos de Eduard quanto eu. Eu deixei eles após o abraço me encaminhei direto pro quarto dar um beijo em minha mãe, adormecida por conta dos remédios que tomava e sai logo em seguida, me encaminhei ao banheiro como se quisesse que aquela água de chuveiro morna tivesse respostas , porém por outro lado estar em casa já era um tanto confortante, mesmo sem querer pensar na criança que crescia em meu ventre ela era uma parte de Eduard dentro de mim, eu passei a mão sobre a barriga, sem saber ainda oque seria de nós, ser mãe sozinha nunca foi o meu sonho, eu sonhava com a casa própria, casamento na igreja, e ultrassom ele segurando minha mão. Sai do banho apressada indo em direção ao quarto, o cheiro de café da Eleanor tomava a forma de aconchego da casa, peguei meu vestido preto com meio calça e meu salto, era um vestido já velho, desbotado, mais era oque me caia bem, meus tios já estavam vestidos, sentados na mesa com o olhar pasmo, me acheguei, e em meio a soluços contei a eles tudo deis de o momento de que parti do aeroporto, nesse meio tempo minha mãe acordo e empurrada pela enfermeira domiciliar veio em minha direção com olhos molhados e a voz rouca, a grande mãe que ela era, fazia com que eu sentisse gratidão a metros, a força dela também era a minha força, ficamos abraçadas minutos em silêncio, só com o calor das lágrimas que tomavam conta do nosso rosto: - Minha princesa, não sou capaz de te falar qualquer coisa, apenas os meus sentimentos mais sinceros, nenhuma palavra é capaz de amenizar a dor em seu peito. – senhora Grover. Permaneci em silêncio a levando até a cama do quarto onde me deitei em seu peito, aconchegada pelo amor que a rodeava pensava se seria uma mãe tão amável como ela era pra mim, os braços dela tinham o poder de me acalmar e deixar tudo tão mais leve que foi capaz de me fazer pegar no sono. Acordei já próximo a hora do início da cerimônia, me levantei e chamei os meus tios minha mãe não iria por não estar bem e odiar a família Blossed, mais me deu todo conforto necessário. A gente foi com a camioneta velha do Rick, ela fazia mais barulho que um carro lotado de latas, mais eu já não mais me importava, eu tentava me prepara pro momento mais era impossível, a frente da casa havia vários carros estacionados, pessoas da alta classe social, e algumas que Eduard nem gostava se lamentavam logo na entrada, insegura coloquei o meu casaco preto e desci do carro tomando a frente da situação, deixando meus tios pra trás. - Beth querida, meus sentimentos, Ele era alguém tão doce e jovem, eu lamento de mais a dor de vocês. - Disse a senhora Heine, que nem ao menos gostava de mim, a falsidade estampada no olhar era clara de ser notada, acenando com a cabeça em gesto de compreensão segui sem dar mais trela pra conversa, eu sempre pensava que a morte é o momento com o qual a falsidade é mais aparente, como se o sentimento de perder alguém tornasse as pessoas ou sensíveis de mais ou i*****l de mais com a dor de alguém que perde uma parte de si. A casa deles era imensa com um jardim daqueles de estátuas e campo de Golf, a piscina era até maior que a casa em que eu morava, e a casa em si era os dois andar mais longos que já vi, próximo a entrada havia um caminho de rosas brancas e velas iluminando, as cadeiras estavam a frente de uma espécie de palco onde seria rezada uma missa, e colocado o caixão que ainda não havia chegado, todo o palco era enfeitado de flores que formavam um cheiro de rosas e vela, a dor da tristeza e da comoção caminhavam por cada parte do meu corpo, parada olhava as suas fotos sorrindo, e não sabia a forma com que o veria novamente, no canto direito a senhora e o senhor Blossed cumprimentavam os familiares e conhecidos que chegavam, o senhor Blossed parecia estar em uma tristeza sem fim, o semblante dele era de uma dor mortal, mais se encaminhava a pegar um copo de whisky, como pais que acabam de perder o filho em uma cerimônia servem e esbanjem bebidas aos convidados, mais nesse momento eu já não sabia se sóbria seria uma boa ideia. - Que bom que você veio, se quisesse podia ter me dito que lhe arrumava um vestido pra ocasião, a missa já vai começar tem lugar pra você e seus tios na segunda fileira, eu sei que apesar de tudo você era o grande amor da vida de meu filho, então quero que fique a frente na hora de o recebermos. ela ainda tinha o tom de raiva e ironia, comi eu ficaria na segunda fileira? Havia lugares pra pessoas agora, era tão irritante, o olhar de quem parecia nem ter sofrido, ou chorado, enquanto pedia pros seus empregados vinho e bebidas pra um funeral, e criticava a forma que me vestia, era um vestido velho, mais também era uma ocasião terrível. O som como se fosse de um trompete com piano tocava avisando que o corpo de Eduard chegará, entrando pelo portão da mansão Blossed com o caixão sendo carregado por homens de terno preto formal, nesse momento o chão se abriu abaixo de meus pés, o grito da senhora Blossed sendo aparada por seu marido e os resmungou baixos, o meu coração acelerava cada vez mais, eu me sentia tonta, Eleanor percebeu e se levantou correndo pra me amparar, eu só consegui gritar e chorar, Eduard vinha em minha direção sem vida, o caixão era posto sobe o palco onde se encontra apenas eu, Eleanor e seus pais, eu me deitei sobre o seu peito gelado apavorada como se esperasse ouvir uma batida se quer, eu gritava por dentro de raiva por você ter ido e ao mesmo tempo olhava o seu rosto me lembrando de todas as vezes que o vi deitado em meu colo, o padre subiu ao palco pedindo que déssemos início a missa, amparada por Eleanor, eu sentei na segunda fileira na quarta cadeira com meus tios, eles me olham com o olhar de compreensão, alguns conhecidos estavam na primeira fileira, pessoas das quais eu nunca nem havia visto, ao meu lado sentou um rapaz jovem, ele tinha um semblante cansado e vestia uma blusa social preta com jeans meio termo, ele era alto, apresentável, e de alguma forma pareceria que eu já o havia visto. - situação difícil, ele vai fazer falta, e parece que as pessoas que mais o amava ficam na segunda cadeira. - Ele se referiu a mim como se me conhecesse. - prazer, Christopher, eu trabalhava no jornal com Eduard, ele sempre me falava de você. - prazer, eu sou a Beth. Um comprimento de mão e segui cabisbaixa, até a Amada senhora Blossed subir ao palco pegando o microfone: - olá família querida, eu gostaria de que as circunstâncias fossem melhores, mais infelizmente não são, nosso amado filho único nos deixa por um plano maior do divino, hoje prestamos nossa homenagem ao homem em que ele foi, e será eternamente em nossos corações. Ficaremos com a missa, se sintam à-vontade. E desceu limpando os olhos, um dos garçons se aproximou de mim com uma taça de vinho, eu neguei primeiramente mais depois pensei que sóbria fosse mais difícil a situação, eu sabia que não podia beber, mais aquela altura do campeonato eu já não me importava mais. Peguei uma e outra e outra, e a cada gole a ignorância da vida e das circunstância parecia ser mais aparente, era como estar em um filme, eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo, Christopher me olhava de canto de olho pasmado, meus tios já não se importavam pois sabiam que eu precisava descarrega a minha ira nem que fosse no copo, a tia dele dava um show de soluços na fileira da frente, a mesma que foi o motivo da nossa briga, eu virei a taça com tudo me levantando em direção ao banheiro, o momento em que a gente sabe que o álcool subiu é exatamente o momento em que a gente se olha no espelho e o estômago da mi giros por minuto, o meus olhos estavam tão fundos que eu me via perdida em meio a ele, abri a porta meio que tropeçando em meus próprio pés, até ouvir cochichos vindo da sala principal, oque me parecia a voz da senhora Blossed: - Eu pedi que você desse um jeito naquela suburbana imprestável, se o dinheiro foi pra ela vai ser tarde de mais, ela só tem a cara de burra, você só precisava fazer eles brigarem, e olha só a situação que estamos agora. Me toquei na mesma hora que eu era o assunto da conversa e não sabia doque estavam falando, até alcançar o celular no bolso e acessar minha conta bancária, sem ao menos ver com quem ela conversava, caminhando com o celular na mão, por efeito do vinho ou da surpresa eu tonteei pasma e esbranquiçada, havia um depósito de mais de vinte mil de reais, com a mensagem “ eu te amo e sei que fará um bom aproveito” não conseguia entender o motivo, o porque Eduard me enviaria um quantia em dinheiro sem me falar o porque ou com essa mensagem como se já estivesse se despedindo, minha taça caiu no chão fazendo com que todos me olhassem espantados, eu andei apressada e me sentei ignorando os olhares enquanto os amigos de Eduard subiam ao palco pra falar o quanto ele era um amigão e depois sair falando m*l como sempre faziam, pedi um copo de whisky enquanto meus tios pensavam se valia a pena arriscar e me perguntar algo, a senhora Blossed perguntou se alguém tinha algo a dizer já bêbada eu me levantei e fui em silêncio até o palco, os olhares Blossed me percorriam enraivados: - algo a dizer, nada do que for dito aqui em cima vai ser capaz de voltar às 21 horas de ontem e fazer com que aquela bala desvie seu caminho, mais os caminhos do destino são incertos e duvidosos, vocês podem me olhar e me julgar como a suburbana imprestável mais nenhum de vocês tem o direito de achar que sabiam oque o Eduard estava passando. Os amigos na primeira fileira, vocês o apunhalavam pelas costas dia após dia, e agora choram, choram por não ter mais o menino bom que ajudava vocês enquanto sangrava apunhalado, e a sua família, fazia dele um troféu, pros negócios, pra se engrandecer, eu amei Eduard e eu sempre vou amá-lo até que me reste o último suspiro, foi ele quem me ensinou oque é o amor e oque é ser amada, e o semblante dele ao meu lado em todos esses anos eu vou sempre guarda em um lugar especial, cada sorriso, e a cada lágrima vou me orgulhar por ter tido a chance de enxuga lá, lamento senhora Blossed por não ter sido a tão sonhada nora, mais sinta se orgulhosa por ter sido a nora que seu filho amou, sem se importa se era a que você queria, e a todos vocês falsos com choros forçado, ao menos respeitem a dor de quem realmente chora com o peito ferido, e eu irei sim ficar exatamente aqui, ao lado dele, onde é o meu lugar e não em uma segunda fileira, obrigada! Debochada, mais com o peito aliviado, eu me retirei encaminhando em direção ao caixão e pegando sua mão, fria, sentada ao seu lado a senhora Blossed tinha um olhar de quem queria subir ao palco e voar em meu pescoço mais manteve a pose apenas resmungando com os convidados a vergonha alheia, eu me sentia m*l por ter causado de certa forma isso por efeito de tentar tampar feridas com o álcool mais aliviada por ter dito a verdade, haveria um jantar, ali mesmo ao lado, os convidados se encaminhavam em direção à lá enquanto Eleanor e Rick vinham chorando em minha direção, eu me levantei, descendo as escadas amparadas por Eleanor, em um abraço coletivo, eles me falaram que iriam pra casa, ficar com a minha mãe também, eu ficaria a madrugada inteira até o enterro, então os deixei que fossem. Christopher o rapaz que sentou ao meu lado se aproximou: - olha tem que ter muito culhao para desabafar assim, mais é bom que tenha falado oque todos pensam e não tem coragem, ele deve estar mais orgulhoso ainda, acredita em céu? Porque se acredita com certeza ele está te olhando sorrindo de lá. – A voz dele era tão compreensiva e acolhedora. - Nunca fui de ir a igreja mais acredito em céu, quando eu era pequena meu pai dizia que as pessoas que se vão não viram estrelas mais o amor que elas levam consigo sim, então acredito que a dele vai sempre brilhar. - com toda certeza. Eu permaneci exatamente imóvel a madruga inteira decorando cada traço do seu semblante, sem pregar os olhos se quer uma vez, a família dele vinha e ia a todo instante, alguns me parabenizava e outros me odiavam com o olhar, mais só de estar ao seu lado já era toda a força necessária pra completar aquela noite.

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