Prometida

2253 Words
_ Não sei nada sobre você. _ Um príncipe da máfia, como qualquer outro. Além disso, apaixonado por você. Fiz os mesmos cursos que você fez. Ouvi as mesmas músicas, dormia ouvindo a sua voz dentro do seu riso. _ Minha voz? Minhas músicas? Até parece que você me vigiava como um espião. _ A tecnologia é uma ótima aliada _ confirmou. _ Você lembra de si mesma na adolescência? Neguei, sei que eu não tinha muitas fotos. O moreno sacou o celular diante de mim e abriu em uma pasta chamada Loved. _ São os meus momentos favoritos da sua vida. Não somente de uma época, mas de todo o tempo que você morou com a sua tutora. Comecei a assistir imagens de mim feliz. Em quase todas eu estava feliz. Exceto na última, onde eu chorava copiosamente. Tinha o meu ramister nas mãos, Umbrela. Coloquei este nome nele porque ele tinha um padrão de manchas que intercalava em um círculo nas suas costas. O Umbrela havia falecido, amanheceu morto. _ Era assim que você deveria se sentir com a morte de alguém da sua família. Você foi quebrada em algum momento e parou de sentir. Você está quebrada. Foi isso o que o Thomas Dream fez com você? _ Por que... Por que ele faria isso? _ Para ter a sua devoção. Essa devoção que mata e morre por ele. _ Ele faria o mesmo por mim. Achou graça e respirou alto olhando para o horizonte. Pensava em algo. _ Por que ele faria? Culpa? _ especulou. _ Amor. _ Amor _ riu brevemente _ No pouco que conheço de amor, sei que não é sempre assim. Acho que vocês dois passaram um pouco da medida. Não é mesmo? _ pareceu triste. _ Porque você diz isso? _ Porque o Dream me ligou antes do jantar. Ele me disse que tem uma noiva para mim, que me seria um melhor casamento. Marcamos um encontro na hora do almoço. Está disposto a negociar a sua libertação deste compromisso, me entregando o que eu quiser, se o matrimônio com a herdeira da Áustria não me interessar. Eu nunca vi nenhum homem disposto a fazer isso por uma mulher. Sorri _ Você vai aceitar? _ supliquei. Engoliu com uma expressão de dor, e analisou o meu sorriso _ Não gosto do que ele faz com você. Realmente, eu o odiei por isso. Achei que ele te usava. Parece que estou errado. Ainda não sei. Quero ver com os meus olhos. Só então, terei uma decisão. _ Obrigada. Me analisou e apertou os lábios descontente. O olhar feroz sobre o meu rosto novamente. Trincou o maxilar e voltou a olhar para a vastidão de água subindo o olhar para o horizonte prateado, a lua soberana. Nos serviu bebidas geladas e me levou para explorar o iate me dizendo como se chamava cada coisa na linguagem dos marinheiros. Me ensinou como fazer alguns nós mais úteis em um barco. _ Por que você está me ensinando estas coisas? _ quis saber divertida enquanto seguia o passo a passo de um nó mais complicado. _ Porque você gosta de aprender _ soou óbvio e simples. Era estranho, mas sentia que ele realmente me via mais do que eu gostaria. Voltamos para o casarão entre risos. Ele contava sobre como foi o jantar onde o meu pai e o dele selaram o acordo do nosso casamento. A forma como ele atuava destacando o tom de voz e os trejeitos do meu pai, era muito cômico. Como eu não tinha uma referência, imaginei o meu tio dentro das cenas. _ Eu não lembro dele _ soei a lamento quando o Iago terminou de descrever o diálogo. Ele parou, estávamos no corredor, já perto da porta do seu quarto. Segurou minha cintura com as duas mãos e ficou sério. _ Tenho filmagens _ seu rosto brilhou ao dizer. Surpresa e antecipação no meu rosto _ Podemos ver? Sorriu com agrado, soltou uma mão da minha cintura e me conduziu pelo corredor, para outra direção. Chegamos numa sala de vídeo com uma grande tela plana. Sentei num lugar do grande jogo de sofás. Depois de selecionar um drive e colocar na tevê, o moreno sentou ao meu lado, apertando o controle remoto. Imagens da minha mãe mais jovem ao lado de um homem divertido apareceram na tela. A família toda, minha e dele, reunida. Reconheci o moreno. Era bem branquinho e brincava com um bebê que tentava fugir dele, em direção a piscina. Estava distraindo a menina. _ Parece que você está sempre fugindo de mim _ observou assistindo a cena. Foi quando me toquei que o bebê era eu. _ Todos pareciam felizes. _ Estavam felizes. Eu também. Tinha ganhado um propósito, uma responsabilidade, um traço imutável no meu destino ainda não escrito, era você. A forma como o garoto que no filme me cercava e lidava comigo fazendo as minhas vontades e contornando o meu mau humor era reconfortante. As cenas me davam uma ideia de quão bom ator o Iago era. Ele imitou o meu pai direitinho. _ E o seu pai? _ Ele se foi em paz. O seu pai morreu também. A PP era diferente, mais risonha e tinha um olhar doce. Ela não tem nada de doce agora. Foram algumas horas de almoços, festas, jantares, até eu ficar com sono e bocejar. Nossos olhares se encontraram, ele continuou _ Dois anos depois o Dream mudou tudo isso. Mas você não liga _ estudou o meu rosto para ver se eu reagia. _ Somos todos culpados. _ Somos todos inocentes, baby. Lamentou algo com o seu olhar sobre mim e negou com a cabeça. Pareceu revoltado com algo. Desligou a tevê. _ O que te perturba? _ a revolta dele fez o meu estômago ficar estranho, me incomodava. _ Ele pôs uma arma em suas mãos _ rosnou abaixo da respiração áspera. _ Nunca permitiria uma mancha sequer de sangue respingando em você. Passou a mão pelo cabelo e se levantou dissipando isso da sua mente com uma respiração longa. Voltou a me olhar por um segundo, antes de oferecer a sua mão que eu peguei. Fui conduzida até uma cozinha muito bem equipada e grande. Sentei à mesa observando o moreno pegando coisas da geladeira e pondo sobre a mesa. _ Você está com fome? _ E você não? Minha barriga roncou e ele caiu na risada me levando junto. Como ele fazia isso? Era tão fácil rir perto dele, mesmo que a graça fosse eu. Joguei uma uva nele que ele pegou e levou a boca comendo enquanto me olhava. Preparava sanduíches de pasta de amendoim com geleia de morango. _ Hum! Minha preferida. _ A nossa preferida _ corrigiu me entregando um prato com dois sanduíches e ficou com quatro. _ Isso é injusto! _ protestei. _ Eu sou maior, como mais _ defendeu-se mastigando. _ Você não faz nem idéia do quanto esse corpinho pede de energia. Levantou uma sobrancelha e pensou um segundo antes me ceder mais um sanduíche, e me servir de suco de laranja. Quando terminamos ele tirou a mesa e finalmente fomos para o quarto. Tirei o vestido e entrei no chuveiro sem penar duas vezes. Senti o olhar azul me observando, mas não o olhei. Apenas deixei a água me envolver e tudo o que aconteceu esta noite me veio como uma tonelada de emoções. Um vazio dolorido em meu peito dizia que eu sentiria falta disso, dele. Era como se ele fosse a saudade que eu sentia, inexplicávelmente, em dias que não tinham nada de triste. Novamente, abri meus olhos em uma respiração de relaxamento e lá estavam aqueles olhos azuis, sobre mim. Ligou o chuveiro, e começou a se lavar me olhando sem parar. _ Vou sentir saudades de você, baby _ suspirou como se já sentisse isso agora. _ Você lê mentes? _ me permiti dizer. _ Você também? _ sorriu e me puxou para o vão entre o seu corpo no jatos de água e a parede. Seus braços estendidos, as mãos sobre a parede, o olhar no meu rosto _ Fique. Um nervoso me tomou e eu ri _ Sou casada. _ Não é um obstáculo _ insistiu. Quando eu ia dizer que amo o meu marido ele me beijou apaixonadamente, me calando. Retribuindo, deslizei as mãos pelo seu corpo másculo, me perdendo nos sulcos e relevos dos seus músculos bem definidos e expandidos. Era enlouquecedora a sensação que toca-lo gerava em mim. Suas mãos envolviam os meus s***s completamente por um curto tempo antes de uma mão levantar uma das minhas pernas e ele enfiar dois dedos na minha v****a remexendo e enfiando. Molhada, era a minha situação. Olhou em meus olhos quando retirou os dedos e segurou a minha outra perna também, me levando em seu colo para me penetrar. Envolvi minas pernas ao seu redor, sentia ele deslizar e me preencher, saíndo e votando. Mordeu o meu ombro e tive medo que ele marcasse. Como se lendo a minha mente ,mais uma vez, ele soltou voltando a beijar minha boca. Gozamos juntos e ele deu banho no meu corpo e eu lavei meus cabelos. Depois do banho, entrei no seu closet e encontrei o secador sobre uma penteadeira. Levantei o olhar para ver roupas femininas em armários contra uma das paredes e roupas masculinas no armário a sua frente. Examinei as roupas femininas, eram lindas, as minhas cores favoritas e algumas me soavam famíliar demais. Tirei do cabide uma peça muito estampada. A estampa me lembro de um macacão muito confortável que eu usava como se fosse uniforme aos meus nove anos, e por isso ele desgastou rápido. O meu queixo caiu ao ver que era ele, o mesmo macacão, mas esse era no meu número atual. Puxei outras peças de roupas e notei que ele tinha todas as roupas que um dia eu usei durante a vida. Ri do vestido ridículo que a minha tutora me comprou para a formatura do ensino médio. Era tão horrível quanto eu me lembrava ser. Era apaixonado por mim, hã? Estou vendo. Depois de vestida, passei o secador nós cabelos e fui para a enorme cama iluminada por abajures. O Iago dormia tranquilamente. Assim que deitei ao seu lado os seus olhos sonolentos me saudaram. Tinha um braço abaixo da cabeça e o outro me capturou e puxou para bem próximo, junto ao seu corpo. Beijou o meu ombro e falou baixo sobre a respiração _ Sonhei com você. Seu olhar prendeu o meu, fiquei muito curiosa. Queria saber dos seus sonhos, pensamentos, gostos, limites... Queria saber como agrada-lo. Continuou _ Estávamos casados e felizes. Recebíamos nossos amigos aqui em nossa casa. Sua mãe estava aqui também. Haviam muitas crianças animando a festa e nossos filhos estavam entre elas. Nossos filhos! Nunca pensei que um frase pudesse mexer tanto comigo. Haviam crianças nos planos do Iago, algo que o Thomas sequer mencionou. Fiquei fascinada imaginando um futuro com este homem que eu deixaria para trás, amanhã após o almoço. Por que ele mexe tanto comigo? Engraçado que ele não tentou me impressionar de forma alguma. Não, ele apenas tem sido espontâneo, crítico, analítico e sincero. Está se expondo totalmente, deixando que eu o veja abaixo da pele. Tal e qual como ele é. _ Filhos? Sorriu _ Sim, filhos. Um pedacinho de você ao qual eu também adoraria amar _ suas palavras, seu olhar, eram sempre intensos. Iago era sempre intenso. O seu temperamento era passional, ele não escondia suas fraquezas, as emoções. Ele sucumbia a elas de alma e coração. Um homem de sentimentos. Tão diferente do Scottich. _ Está calada, baby _ gargalhou _ Assustei você? Não me diga que nunca pensou em ter alguém mais para amar. Não quer ter filhos? Lembrei do Dream, do controlado, calculado, inexpressivo, sempre dono da situação. Sempre protetor. Um filho? Tanta coisa poderia acontecer em nove meses! Nove meses de descontrole para o nascimento de um ser que era um desconhecido. Os riscos que eu correria durante um parto. O risco sobre a minha vida. Todo o amor e a devoção do meu amado ruivo me fez arder em culpa. Havia parado de olhar para o moreno, mergulhei nas minhas lembranças daquele amor incoerente que me tinha sob igual circunstâncias. Essa era a minha queda livre de volta à real. _ Não quero ter filhos _ era uma verdade circunstâncial, não a minha verdade, mas eu a escolhi. O silêncio do moreno que me olhava tranquilo, nada chocado. Não cria em mim. Claro que não! Ele me via. _ Lamento muito por você, ser mãe é uma benção. Você seria uma linda grávida e uma mãe incrível. Corei diante das suas palavras e chorei sem sentir que o fazia até as lágrimas encharcar o meu rosto. Sua expressão não mudou enquanto ele viu acontecer. Como eu suspeitava, ele me sabia melhor do que eu. Beijou os meus lábios salgados de lágrimas e me olhou nos olhos _ Você poderia pelo menos esconder um pouco a sua beleza, para que eu não me sentisse tão m*l em te ver partir. Está sendo muito c***l comigo, Alana. Seus olhos ficaram vermelhos e logo molhados e ele mordeu o lábio trêmulo antes de me beijar mais uma vez. Afastada um pouco dos seus lábios, contemplei o seu rosto. _ Você que é lindo. Sorriu e analisou o meu dizer. _ Não quero dormir. _ Nem eu.
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