5 Marissa

1144 Words
Dizem que a ocasião faz o ladrão.. No meu caso fazia a noiva. Se era isso que eu tinha fazer para salvar a minha, eu iria fazer. Nesses seis anos em que tudo aconteceu e eu vi a minha vida mudar, eu nunca se quer tive tempo e paciência para pensar em namoros, eu era uma mulher de vinte e seis anos sem experiência alguma no quesito relacionamento e s**o. Eu tive homens interessados em mim e que me ofereciam mundos e fundos como amante.. Mas eu achava um preço alto a se pagar. Adultério era um pecado.. Eu não era nenhuma santa, mas aquele pecado eu não queria para mim. Meu tempo para achar alguém descente era bem corrido, então eu só preferiria pensar que eu não queria aquilo e casamento bem.. Casamento nunca fez parte dos meus planos, nem mesmo quando não havia necessidade. Eu nunca fui a típica garota que sonha com filhos, marido e uma casa para gerir... Como a minha mãe e as amigas dondocas dela, elas falavam que era os seus sonhos. As minhas amigas também sonhavam com aquilo, eu sempre me senti fora do eixos por não desejar aquilo. Com o tempo eu vi que quem estava fora dos eixos era elas. Uma mulher não tem só essa função, ela pode ser tudo e eu queria ser tudo.. Queria gerir o negocio de exportação da família, eu pretendia estudar para levar a Kaden muito longe.. Mas infelizmente tudo o que aconteceu, minou os meus planos. —Você se encaixa... Você é bem nascida, culta, fala vários idiomas e sabe se portar com gente de alto nível – Bridgith falou rodando pela minha sala – sem contar que você pode salvar a sua mãe – ela falou. —Mas.. Se ele só liberar o dinheiro ao fim do contrato? —ela me deu um olhar de pesar e pelo visto era exatamente aquilo.. Eu senti as minhas esperanças minar novamente. —Nós.. Podemos pedir um adiantamento como garantia, ou podemos falar a verdade —eu balancei a cabaça em negativa. Infelizmente eu conhecia aquele tipo de gente, eu já tinha sido como eles e eles eram exatamente como os amigos que nos virou as costas. Iria achar que estávamos contado lamurias atrás do seu dinheiro, não demostrar franqueza era a melhor forma de lhe dar com eles. —Nem pensar —Falei e Bridgith me deu um olhar contrariado. —É a vida da sua mãe.. É a nossa situação aqui neste lugar —falou —você tem a melhor chance de conseguir nos tirar dessa e pagar o tratamento da sua mãe —ela ralhou e eu engoli a seco. —Você tem razão.. Nós podemos pedir uma garantia – falei —caso isso venha a dar certo —ela revirou os olhos. —Isso vai dar certo... Você é a melhor opção, Nikolaj Stamos não é de se jogar fora —falou se abanando, eu ri da sua reação exagerada. Bem nem tão exagerada assim.. Nikolaj Stamos realmente é um homem muito bonito, eu já o tinha visito, sempre metido em alguma fofoca e aliás deve ser por isso que ele está aramando esse circo. Eu me lembrava de já tê-lo visto. Eu tinha uns dezoito anos, os olhos dele eram negros como a noite, os cabelos da mesma cor.. Ele exalava poder s****l e comando por onde passava, atraindo todas as atenções para si. O homem deveria ter uns 1,90 de altura, os músculos ficavam visíveis dentro dos ternos sob medida.. Ele tinha um cheiro de riqueza e soberba, eu o achei o homem mais bonito do mundo assim que o vi... Aquilo durou alguns minutos, até ele abrir a boca e sua arrogância tomar conta. É claro que ele não iria me reconhecer.. Talvez se recordasse do sobrenome, e eu contava muito com aquilo.. Eu não era e nunca fui o retrato mais perfeito de beleza, eu me achava pálida demais, os cabelos louro só realçava aquilo e altura também, eu tinha 1,70 e era esguia.. Tinha os s***s médios e a cintura estreita demais para o meu bumbum arredondado e cheinho. Eu gostava dos meus olhos verdes e do meu nariz arrebitado.. Era as únicas coisas que eu salvaria em mim. —Isso tem que dar certo —falei e ela bateu palmas. —Nós vamos comprar algumas roupas novas – falou e eu apertei os meus olhos em sua direção. —O que há de errado com as minhas roupas? —perguntei com deboche. Bem as minhas roupas tinha tudo de errado.. Estavam gastas, tinha jeans que parecia lavado e moderno.. Mas que na verdade já foi um jeans bem careta, eu não podia me dar o luxo do supérfluo e roupa era coisas supérfluas. —Tudo – ela falou aos risos e eu a acompanhei a única roupa boa que eu tinha eu usava para dar aulas.. Mas era boa na medida do possível. – Eu vou conseguir um empréstimo – falou e eu balancei a cabeça. —Nem pensar.. Eu dou um jeito e a gente garimpa algo em um brechó —bati o pé e ela levantou as mãos em rendição. —Tudo bem.. Tudo bem, mas que seja logo o tempo está correndo – era para mim que ela falava aquilo. Se tinha alguém que sabia que o tempo estava correndo essa pessoa era eu. —Você fala como se eu não soubesse – falei revirando os olhos, ela caminhou até a saída e parou me olhando. —Não é só o seu tempo dessa vez.. Pelo que eu entendi, Stamos tem muita pressa.. E tem gente querendo essa bonificação —falou, logo em seguida me desejou uma boa noite e saiu do meu apartamento me deixando mais nervosa do que eu já estava ultimamente. Eu virei a noite fazendo traduções de alguns documentos e consegui o dinheiro que eu precisava, bem para comprar roupas de segunda mão.. O dinheiro que eu consegui dava e sobrava para dar um jeito nos meus cabelos. Aquilo daria para a gente ver como seria.. Eu torcia para que aquilo desse certo, era a vida da minha mãe e a nossa oportunidade de ter umas condições melhor, mas em primeiro lugar estava a saúde da minha mãe. Comprei as roupas que eu precisava e sem ouvir os conselhos de Bridgith, infelizmente ela tinha um péssimo gosto para roupas e se dependesse dela, eu usaria roupa de senhora.. Por sorte achei algumas peças, não era tão morenas, era de uma coleção do ano passado eu gostava de moda e nada me impedia de apanhá-la, só de comprar. Depois de passar um dia inteiro fazendo o que eu não fazia a anos, cuidando de mim, eu cheguei em casa como uma verdadeira dondoca. Eu só esperava realmente não estar fazendo uma fiança no escuro.
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