NARRADO POR: MAITÊ O silêncio que se seguiu foi denso, pesado como o mármore travertino que revestia cada centímetro daquela mansão maldita, um mausoléu de luxo onde os sentimentos eram enterrados vivos em nome das aparências e do status social. Daniel caminhou até a porta do meu quarto, a mão já na maçaneta de bronze polido, mas ele parou. O ombro dele, sempre ereto e imponente como o de um juiz de corte superior, caiu de uma forma que eu nunca tinha visto em vinte e cinco anos, e pela primeira vez em uma vida milimetricamente planejada para ser perfeita, eu vi a armadura do grande advogado Daniel Lacerda rachar como vidro barato sob pressão. Ele não se virou de imediato; ficou ali, olhando para a madeira escura da porta, como se estivesse criando coragem para encarar o fantasma da filha

