NARRADO POR: MAITÊ LACERDA O resto da tarde no posto foi um borrão de jaleco branco, estetoscópio e uma confusão mental que nem os meus seis anos de medicina explicavam. Eu atendia cada paciente, receitava cada antibiótico, mas o meu pensamento teimava em fugir daquelas quatro paredes. O cheiro do Victor Hugo parecia ter grudado na minha pele, uma mistura de perigo com aquele perfume caro que me deixava com as pernas bambas mesmo quando eu tentava manter a pose de doutora de elite. Cada vez que eu fechava os olhos por um segundo, sentia a pressão das mãos dele no meu corpo, a urgência rasteira daquele beijo no meio do morro que tinha marcado o meu território na frente de todo o bando. Mas não era só o beijo selvagem ou a possessividade doentia do dono do morro que tava me tirando o foco.

