Dei um riso gélido, sentindo o maxilar travar de um jeito que doía. A química do pó ainda estalava no meu sangue, me deixando no pico da escama, pronto pra morder qualquer um que entrasse no meu caminho ou questionasse o meu juízo. — Apaixonar o c@ralho, Bruno! — Rosnei, dando um soco seco no batente da porta que fez o reboco cair e a mão arder. — Não tem espaço pra essa p***a de sentimento aqui dentro, não. Tu sabe muito bem que o meu peito é blindado por chumbo, e o que corre aqui é ódio e sobrevivência. Essa palavra "paixão" nem existe no dicionário do Complexo. Eu não me apaixono, eu possuo. Eu domino o território, e ela agora faz parte do meu domínio. Puxei o ar com força, sentindo a narina arder e a mente fritar na obsessão. A imagem da Maitê nua, vulnerável, chorando e ao mesmo te

