Capítulo 1 - Embarcando
Blake Riverdale estava a caminho da Escócia, enfim, cumpriria a última ordem de seu falecido pai. O antigo duque deixara uma noiva para Blake antes de morrer, assegurara o futuro de seu herdeiro e que sua descendência não acabaria com sua morte.
Blake havia convertido-se em duque a pouco mais de uma lua e já seguia a direção que sei pai almejara quando ainda estava vivo. Não era como se um casamento arranjado fosse a pior coisa de sua vida, Blake sequer se importava com isso. Não crescera em uma casa amorosa, na verdade, algumas vezes até presenciara o antigo Duque traindo sua mãe e agredindo-a. A mãe morrera quando ainda era um adolescente, mas guardava boas memórias da mulher que o criara por bons anos.
Blake estava debruçado no beiral do navio quando viu a costa de aproximar, embarcariam em breve e enfim conheceria a encantadora srta. Sheffield, assim descrita pelo falecido Duque.
— Pensando se ainda há tempo de fugir? .- Perguntou Marcos, melhor amigo de infância de Blake que o seguira na magnífica viagem a Escócia. Sempre quisera conhecer o lugar e vira naquela chance o momento ideal.
— Não pode ser tão r**m afinal. - Ele respondeu com um dar de ombros. Blake tinha a terrível mania de fazê-lo e passava a desagradável impressão de não se importar, bom, certas vezes a impressão era correta e essa era uma das vezes. — E além do mais, é o que deve ser feito. Desde quando um cavalheiro volta atrás em sua palavra?
Blake sabia que Marcos se opunha ao matrimônio do amigo com uma dama que sequer conhecia, mas não o deixaria mudar a ideia que já tinha firmado. Seria a última vez que obedeceria a seu pai, e estava feliz por não precisar fazê-lo depois disso.
Marcos fez uma careta para o amigo.
- Oh céus, Robbie, está ai? Agora falou feito seu pai. Graças ao bom Deus chegamos, ou creio que teria que ouvir mais asneiras. - Ele disse fazendo menção ao navio que começara a ser ancorado em terra firme.
Blake deu de ombros mais uma vez e em passos lentos começou a seguir até a direção da saída. Havia ficado dias em alto mar e seu estômago começara a reclamar disso, portanto, agradeceu quando enfim se viu livre para pisar em terra firme.
O vento frio de Edimburgo bagunçou sua cabeleira loira, Blake usava os cabelos um pouco maiores do que o convencional pelo simples motivo de querer fazê-lo. Ele sempre havia tido um forte pensamento de que era dono de si mesmo e fazia tudo simplesmente porquê queria, o que de certa forma não condizia com o que estava prestes a fazer, casando-se com a mulher que o pai escolhera.
Ele bufou, afastando os pensamentos indesejados e desceu a rampa sem se dar conta que Marcos estava logo atrás dele, bufando.
— Por algum motivo me vejo arrependido de ter vindo. - Resmungou.
— Pensei que havia dito que sonhava poder passear em Edimburgo um dia.
— Levar meu melhor amigo para a forca não se caracteriza como passeio.
— Pelo amor de Deus Hughes, vou matá-lo. - Blake disse encarando enfurecido o amigo que mantinha um sorriso torto nos lábios.
— Não blasfeme Riverdale. - Disse antes de transpassar o braço pelo ombro do amigo.
Marcos e Blake eram amigos desde que se entendiam por gente e tinham uma mania estranha de usar o sobrenome quando se alfinetavam ou quando brigavam - o que não era nada raro. -
Um jovem lacaio caminhou em direção aos dois homens que se encaravam de maneira não muito amigável.
— Sir. Riverdale? .- Perguntou com uma voz fraca.
Blake assentiu estendendo a mão para o homem.
— Duque de Riverdale. É uma honra chegar a sua bela cidade. - O Duque disse animado.
Marcos ronronou.
— Barão de Hughes. Faço minhas as palavras de meu amigo. - Marcos completou.
— Vossa graça, sir Hughes. - O lacaio disse em meio a uma reverência. — Sigam-me.
Blake endireitou as costas e começou a seguir os passos do lacaio.
— Um lacaio para buscar-nos, ham ... Achei digno de um Duque. - Sussurrou o Conde.
— E de um maldito e irritante Conde. - Completou Blake.
O lacaio os olhou pelo canto dos olhos e Blake abriu um sorriso fraco, como se não tivesse acabado de maldizer o amigo.